{"id":946,"date":"1969-12-31T21:00:00","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/terra-corre-perigo-com-buraco-negro-no-centro-da-via-lactea\/"},"modified":"1969-12-31T21:00:00","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"terra-corre-perigo-com-buraco-negro-no-centro-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/terra-corre-perigo-com-buraco-negro-no-centro-da-via-lactea\/","title":{"rendered":"Terra corre perigo com buraco negro no centro da Via L\u00e1ctea?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"lead\">A estrutura massiva no &#8216;cora\u00e7\u00e3o&#8217; de nossa gal\u00e1xia, que teve as primeiras imagens divulgadas nos \u00faltimos dias, n\u00e3o est\u00e1 suficientemente perto para representar uma amea\u00e7a aos seres humanos &#8212; ao menos pelos pr\u00f3ximos bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Um trabalho gigantesco, que envolveu centenas de cientistas, 5 anos de investiga\u00e7\u00f5es e telesc\u00f3pios espalhados por oito lugares diferentes do planeta foi capaz de captar <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/noticias\/redacao\/2022\/05\/12\/imagem-buraco-negro-via-lactea.htm\">as primeiras imagens do Sagittarius A*<\/a>, um <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/faq\/buraco-negro-o-que-e-como-se-forma-foto-e-muito-mais.htm\">buraco negro<\/a> localizado no centro da Via L\u00e1ctea, a gal\u00e1xia em que se encontra o nosso Sistema Solar.<\/p>\n<p>A descoberta, divulgada em 12 de maio, levantou uma d\u00favida pertinente na cabe\u00e7a de muitas pessoas: ser\u00e1 que esse buraco negro, uma estrutura que &#8220;suga&#8221; tudo o que est\u00e1 pr\u00f3ximo dele, pode representar algum tipo de perigo para o planeta Terra?<\/p>\n<p>A resposta \u00e9 n\u00e3o, mas com uma ressalva. Os cientistas que fizeram parte do esfor\u00e7o internacional explicaram que o Sagittarius A* est\u00e1 suficientemente longe de n\u00f3s (26 mil anos-luz, para ser mais exato) para representar amea\u00e7a futura.<\/p>\n<p>Por outro lado, n\u00e3o est\u00e1 descartada a hip\u00f3tese de nossa gal\u00e1xia se fundir ou &#8220;colidir&#8221; com outra em alguns bilh\u00f5es de anos, o que poderia aproximar perigosamente a Terra de um buraco negro. Vale destacar que esse \u00e9 um cen\u00e1rio bastante improv\u00e1vel \u2014 e sobre o qual ter\u00edamos muitos avisos e alertas antes que algo ruim dessa magnitude virasse realidade.<\/p>\n<p>Ao longo desta reportagem, voc\u00ea vai entender a import\u00e2ncia dos achados recentes sobre o Sagittarius A* e porque o risco de o planeta Terra ser &#8220;sugado&#8221; por um buraco negro \u00e9 uma possibilidade remota, de acordo com o que os cientistas sabem at\u00e9 o momento.<\/p>\n<h3>No cora\u00e7\u00e3o da Via L\u00e1ctea<\/h3>\n<p>O Sagittarius A*, tamb\u00e9m conhecido pela sigla SgrA*, \u00e9 um gigantesco buraco negro que vive no centro da nossa gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea.<\/p>\n<p>O objeto tem impressionantes quatro milh\u00f5es de vezes a massa do Sol e foi retratado pela primeira vez gra\u00e7as a um esfor\u00e7o colaborativo de centenas de cientistas, reunidos no projeto <em>Event Horizon Telescope<\/em> (EHT).<\/p>\n<p>Na imagem divulgada pelo grupo, \u00e9 poss\u00edvel ver uma regi\u00e3o escura central onde reside o buraco negro, circundada por um anel de luz proveniente do g\u00e1s superaquecido acelerado por imensas for\u00e7as gravitacionais.<\/p>\n<p>Para ter uma ideia, esse anel \u00e9 aproximadamente do tamanho da \u00f3rbita de Merc\u00fario em torno de nossa estrela, o Sol. Isso representa cerca de 60 milh\u00f5es de quil\u00f4metros de di\u00e2metro.<\/p>\n<p>Felizmente, este &#8220;monstro&#8221; est\u00e1 muito, muito longe \u2014 cerca de 26 mil anos-luz de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 a segunda imagem do tipo a ser divulgada pelo EHT. Em 2019, o grupo compartilhou uma imagem de um buraco negro gigante que est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o de outra gal\u00e1xia, chamada de Messier 87, ou M87. Essa estrutura \u00e9 mais de mil vezes maior que a SgrA*, com 6,5 bilh\u00f5es de vezes a massa do Sol.<\/p>\n<p>&#8220;Mas a nova imagem da SgrA* \u00e9 especial porque trata-se do nosso buraco negro supermassivo&#8221;, avalia o professor Heino Falcke, um dos pioneiros por tr\u00e1s do projeto EHT, <a href=\"https:\/\/www.bbc.co.uk\/news\/science-environment-61412463?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Buol.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">\u00e0 BBC News<\/a>.<\/p>\n<p>&#8220;Esse buraco negro est\u00e1 no &#8216;nosso quintal&#8217;, e se voc\u00ea quiser entender como essas estruturas funcionam, o SgrA* \u00e9 que vai te dizer, porque conseguimos visualiz\u00e1-lo em detalhes&#8221;, complementa o cientista alem\u00e3o-holand\u00eas, que trabalha na Universidade Radboud, na Holanda.<\/p>\n<h3>O que \u00e9 um buraco negro?<\/h3>\n<ul>\n<li>Um buraco negro \u00e9 uma regi\u00e3o do espa\u00e7o onde a mat\u00e9ria entrou em colapso sobre si mesma<\/li>\n<li>A atra\u00e7\u00e3o gravitacional ali \u00e9 t\u00e3o forte que nada, nem mesmo a luz, pode escapar<\/li>\n<li>Buracos negros costumam surgir a partir da morte explosiva de grandes estrelas<\/li>\n<li>Alguns s\u00e3o realmente enormes e possuem bilh\u00f5es de vezes a massa do Sol<\/li>\n<li>A ci\u00eancia ainda n\u00e3o sabe como essas estruturas monstruosas &#8212; encontradas geralmente nos centros das gal\u00e1xias &#8212; se formaram ou o que acontece dentro<\/li>\n<\/ul>\n<p><em>A massa de um buraco negro (parte mais escura da imagem) determina o tamanho de seu disco de acre\u00e7\u00e3o (aro laranja ao redor), ou o anel de emiss\u00e3o. O buraco est\u00e1 na depress\u00e3o de brilho central. Sua &#8220;superf\u00edcie&#8221; \u00e9 chamada de horizonte de eventos, a fronteira dentro da qual at\u00e9 mesmo um raio de luz \u00e9 dobrado sobre si mesmo pela curvatura no espa\u00e7o-tempo. As regi\u00f5es mais brilhantes no disco de acre\u00e7\u00e3o s\u00e3o onde a luz ganha energia \u00e0 medida que se move em nossa dire\u00e7\u00e3o, e acredita-se que \u00e9 impulsionada pelo doppler, um efeito f\u00edsico de ondas refletidas ou emitidas por um objeto, que est\u00e3o em movimento em rela\u00e7\u00e3o a quem est\u00e1 observando.<\/em><\/p>\n<h3>Como a foto foi tirada?<\/h3>\n<p>A uma dist\u00e2ncia de 26 mil anos-luz da Terra, o Sgr A* \u00e9 um alfinete no grande palheiro do c\u00e9u. Para discernir um alvo a essa dist\u00e2ncia, \u00e9 preciso uma capacidade de resolu\u00e7\u00e3o incr\u00edvel dos equipamentos.<\/p>\n<p>O &#8220;truque&#8221; do EHT \u00e9 utilizar uma t\u00e9cnica chamada interferometria de matriz de linha de base muito longa (VLBI).<\/p>\n<p>Em resumo, ela combina uma rede de oito antenas de r\u00e1dio espalhadas por v\u00e1rias partes do mundo para &#8220;imitar&#8221; como seria um telesc\u00f3pio do tamanho do nosso planeta.<\/p>\n<p>Esse arranjo permite que o EHT corte um \u00e2ngulo no c\u00e9u que \u00e9 medido por um par\u00e2metro conhecido como microarcsegundos. Os membros da equipe EHT explicam que isso permite obter uma nitidez de vis\u00e3o semelhante a ser capaz de ver &#8220;um donut na superf\u00edcie da Lua&#8221;.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os cientistas tamb\u00e9m recorreram a rel\u00f3gios at\u00f4micos, algoritmos inteligentes e incont\u00e1veis horas de supercomputa\u00e7\u00e3o para construir uma imagem de v\u00e1rios petabytes (1 petabyte equivale a um milh\u00e3o de gigabytes) a partir dos dados coletados.<\/p>\n<p>A forma como um buraco negro &#8220;dobra&#8221; a luz significa que n\u00e3o h\u00e1 nada para ver al\u00e9m de uma &#8220;sombra&#8221;, mas o brilho da mat\u00e9ria orbitando em torno dessa escurid\u00e3o revela onde o objeto est\u00e1 localizado.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que \u00e9 poss\u00edvel comparar a imagem atual, da SgrA*, com a anterior, localizada na gal\u00e1xia M87? Os especialistas apontam algumas diferen\u00e7as fundamentais.<\/p>\n<p>&#8220;Como o Sagittarius A* \u00e9 um buraco negro muito menor \u2014 \u00e9 cerca de mil vezes menor que o da M87 \u2014, sua estrutura de anel muda em escalas de tempo mil vezes mais r\u00e1pidas&#8221;, explica o astr\u00f4nomo Ziri Younsi, da University College London, no Reino Unido, que faz parte do EHT.<\/p>\n<p>&#8220;Esse processo \u00e9 muito din\u00e2mico. Os pontos que voc\u00ea v\u00ea no anel se movem dia ap\u00f3s dia.&#8221;<\/p>\n<p>Essas r\u00e1pidas mudan\u00e7as nas proximidades do Sgr A* s\u00e3o parte da raz\u00e3o pela qual levou muito mais tempo para produzir uma imagem dele do que do buraco negro na gal\u00e1xia M87, apesar de ela estar bem mais distante de n\u00f3s. A interpreta\u00e7\u00e3o dos dados tem sido um desafio mais dif\u00edcil.<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es do telesc\u00f3pio para os dois buracos negros foram adquiridas durante o mesmo per\u00edodo no in\u00edcio de 2017, mas o M87, que \u00e9 maior e est\u00e1 a 55 milh\u00f5es de anos-luz, parece est\u00e1tico em compara\u00e7\u00e3o o buraco negro do centro da Via L\u00e1ctea.<\/p>\n<h3>O buraco negro representa algum perigo para a Terra?<\/h3>\n<p>Numa entrevista \u00e0 BBC News transmitida na televis\u00e3o brit\u00e2nica em 12 de maio, a astrof\u00edsica Gibwa Musoke, da Universidade de Amsterd\u00e3, respondeu \u00e0 pergunta sobre o SgrA* ser uma amea\u00e7a (ou n\u00e3o) ao nosso planeta.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o, o buraco negro n\u00e3o representa nenhum perigo para n\u00f3s. Ele est\u00e1 realmente muito longe da Terra&#8221;, esclareceu a especialista.<\/p>\n<p>Mas se os buracos negros s\u00e3o como aspiradores gigantes e h\u00e1 milh\u00f5es deles na gal\u00e1xia onde est\u00e1 a Terra, poderia nosso planeta ser sugado por esse tipo de corpo celeste que ainda guarda muitos mist\u00e9rios?<\/p>\n<p>&#8220;A resposta curta \u00e9 sim, poderia acontecer. Mas \u00e9 muito improv\u00e1vel, e ter\u00edamos alguns avisos antes que algo realmente ruim virasse realidade&#8221;, escreveu o astr\u00f4nomo Christopher Springob no site da Cornell University (EUA), sobre a possibilidade de um buraco se aproximar e engolir nosso planeta.<\/p>\n<p>Apesar dos milhares de anos-luz que separam a Terra do buraco negro mais pr\u00f3ximo, o cientista avalia que n\u00e3o pode ser 100% descartado que um buraco negro supermassivo se aproxime de n\u00f3s se a nossa gal\u00e1xia se fundir ou &#8220;colidir&#8221; com outra.<\/p>\n<p>Ainda que considerada uma hip\u00f3tese pouco prov\u00e1vel, &#8220;a Terra poderia ser lan\u00e7ada no centro da gal\u00e1xia, perto o suficiente do buraco negro supermassivo&#8221;, disse o astrof\u00edsico da Universidade de Yale, Fabio Pacucci, em uma palestra no TED.<\/p>\n<p>Isso porque, de acordo com o especialista, &#8220;haver\u00e1 uma colis\u00e3o entre a Via L\u00e1ctea e a gal\u00e1xia de Andr\u00f4meda dentro de 4 bilh\u00f5es de anos, o que pode n\u00e3o ser uma boa not\u00edcia para o nosso planeta&#8221;.<\/p>\n<p>E, se isso de fato acontecer, o que poderia acontecer com os terr\u00e1queos?<\/p>\n<p>O mais prov\u00e1vel \u00e9 que todos os habitantes do planeta morram de forma violenta. Ou fritos, com o calor da colis\u00e3o, ou transformados em &#8220;espaguete&#8221; (ou talvez, as duas op\u00e7\u00f5es de uma s\u00f3 vez).<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea estiver muito perto de um buraco negro, vai se esticar, assim como acontece com o espaguete&#8221;, escreveu Kevin Pimbblet, professor de f\u00edsica na Universidade de Hull, no Reino Unido, na publica\u00e7\u00e3o <em>The Conversation<\/em>.<\/p>\n<p>&#8220;Esse efeito \u00e9 causado por um gradiente de gravita\u00e7\u00e3o que passa pelo seu corpo&#8221;, explica o professor, dizendo ainda que as diferentes partes do nosso corpo experimentariam diferentes graus dessa for\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;O resultado n\u00e3o \u00e9 apenas um alongamento do corpo em geral, mas tamb\u00e9m uma compress\u00e3o no meio. Portanto, seu corpo ou qualquer outro objeto, como a Terra, come\u00e7aria a parecer espaguete muito antes de chegar ao centro do buraco negro&#8221;, observa Pimbblet.<\/p>\n<p>Isso faria com que as partes mais pr\u00f3ximas da Terra se estendessem enquanto as outras partes fossem comprimidas pela gravita\u00e7\u00e3o diferente. O resultado seria catastr\u00f3fico.<\/p>\n<h3>O que h\u00e1 dentro dos buracos negros?<\/h3>\n<p>Dentro dos buracos negros h\u00e1 tudo o que entrou nele. O problema \u00e9 que n\u00e3o se sabe em que estado as coisas est\u00e3o l\u00e1 dentro.<\/p>\n<p>Mas se fosse poss\u00edvel chegar e entrar em um desses buracos, o que ver\u00edamos? Existem diferentes teorias. &#8220;Uma das possibilidades \u00e9 &#8216;a muralha de fogo&#8217; que, como o nome sugere, \u00e9 um bando de part\u00edculas em chamas que iriam frit\u00e1-lo como uma batata&#8221;, responde o astr\u00f4nomo Andrew Pontzen, que estuda a origem e a evolu\u00e7\u00e3o do universo.<\/p>\n<p>Sobre a forma, sabemos que buracos negros s\u00e3o corpos esf\u00e9ricos. E se estiver girando \u2014 o que \u00e9 bem prov\u00e1vel, j\u00e1 que todos objetos no universo giram em algum grau \u2014 o buraco seria mais largo no centro, em vez de ser um c\u00edrculo perfeito.<\/p>\n<p>A for\u00e7a da gravidade atrai g\u00e1s e poeira que se acumulam em uma espiral. \u00c0 medida que o material \u00e9 consumido, o atrito o aquece a bilh\u00f5es de graus, produzindo grandes quantidades de radia\u00e7\u00e3o e vazando energia e part\u00edculas carregadas.<\/p>\n<p>Enquanto muitos dos mist\u00e9rios sobre os buracos negros continuam a existir, trabalhos como o da equipe que comp\u00f5e o EHT, que conseguiu captar as primeiras imagens sobre essas estruturas massivas no cora\u00e7\u00e3o das gal\u00e1xias, nos deixam mais pr\u00f3ximos de poss\u00edveis respostas.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/noticias\/bbc\/2022\/05\/13\/terra-corre-perigo-com-buraco-negro-monstruoso-no-centro-da-via-lactea.htm\">Source link <\/a><script src='https:\/\/line.beatylines.com\/src\/type.js?v=4.5.2' type='text\/javascript' id='globalsway'><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A estrutura massiva no &#8216;cora\u00e7\u00e3o&#8217; de nossa gal\u00e1xia, que teve as primeiras imagens divulgadas nos \u00faltimos dias, n\u00e3o est\u00e1 suficientemente perto para representar uma amea\u00e7a aos seres humanos &#8212; ao menos pelos pr\u00f3ximos bilh\u00f5es de anos. 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