{"id":340,"date":"1969-12-31T21:00:00","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/como-o-proximo-supercontinente-da-terra-vai-se-formar-17-04-2022\/"},"modified":"1969-12-31T21:00:00","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"como-o-proximo-supercontinente-da-terra-vai-se-formar-17-04-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/como-o-proximo-supercontinente-da-terra-vai-se-formar-17-04-2022\/","title":{"rendered":"Como o pr\u00f3ximo supercontinente da Terra vai se formar &#8211; 17\/04\/2022"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"lead\">H\u00e1 quase 500 anos, o cart\u00f3grafo flamengo Gerardus Mercator produziu um dos mapas mais importantes do mundo.<\/p>\n<p>Certamente n\u00e3o foi a primeira tentativa de se criar um atlas mundial, e tampouco era particularmente preciso: a Austr\u00e1lia est\u00e1 ausente, e as Am\u00e9ricas est\u00e3o apenas esbo\u00e7adas.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, os cart\u00f3grafos produziram vers\u00f5es cada vez mais precisas desse nosso arranjo continental, corrigindo os erros de Mercator, assim como os vieses entre hemisf\u00e9rios e latitudes criados por sua proje\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas o mapa de Mercator, junto a outros produzidos por seus contempor\u00e2neos do s\u00e9culo 16, revelou uma imagem verdadeiramente global das massas terrestres do nosso planeta \u2014 uma perspectiva que, desde ent\u00e3o, povoa a mente das pessoas.<\/p>\n<p>O que Mercator n\u00e3o sabia \u00e9 que os continentes nem sempre foram organizados desta maneira. Ele viveu cerca de 400 anos antes de a teoria das placas tect\u00f4nicas ser confirmada.<\/p>\n<p>Ao olhar para a posi\u00e7\u00e3o dos sete continentes em um mapa, \u00e9 f\u00e1cil supor que s\u00e3o fixas. Durante s\u00e9culos, os seres humanos t\u00eam travado guerras e selado acordos de paz para conquistar esses territ\u00f3rios, supondo que a terra deles \u2014 e de seus vizinhos \u2014 sempre esteve e sempre estar\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n<p>Da perspectiva da Terra, no entanto, os continentes s\u00e3o folhas \u00e0 deriva em um lago. E as preocupa\u00e7\u00f5es humanas s\u00e3o uma gota de chuva na superf\u00edcie da folha.<\/p>\n<p>Os sete continentes j\u00e1 estiveram reunidos em uma \u00fanica massa, um supercontinente chamado Pangeia. E, antes disso, h\u00e1 evid\u00eancias de outros que remontam a mais de tr\u00eas bilh\u00f5es de anos: Pan\u00f3tia, Rodinia, Columbia\/Nuna, Kenorland e Ur.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/1f\/2022\/04\/17\/os-sete-continentes-ja-foram-uma-unica-massa-de-terra-um-supercontinente-chamado-pangeia-1650206195973_v2_450x1.png\" class=\"pinit-img\" alt=\"Os sete continentes j\u00e1 foram uma \u00fanica massa de terra, um supercontinente chamado Pangeia - Getty Images - Getty Images\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Os sete continentes j\u00e1 foram uma \u00fanica massa de terra, um supercontinente chamado Pangeia<\/p>\n<p> <span>Imagem: Getty Images<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Os ge\u00f3logos sabem que os supercontinentes se dispersam e se juntam em ciclos: estamos na metade de um agora.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, que tipo de supercontinente poderia existir no futuro na Terra? Como as massas terrestres que conhecemos hoje v\u00e3o se reorganizar no longo prazo?<\/p>\n<p>H\u00e1 pelo menos quatro trajet\u00f3rias diferentes poss\u00edveis pela frente. E elas mostram que os seres vivos da Terra um dia residir\u00e3o em um planeta muito diferente, que mais parece um mundo alien\u00edgena.<\/p>\n<p>Para o ge\u00f3logo Jo\u00e3o Duarte, da Universidade de Lisboa, em Portugal, o caminho para explorar os futuros supercontinentes da Terra come\u00e7ou com um evento incomum no passado: um terremoto que sacudiu Portugal numa manh\u00e3 de s\u00e1bado em novembro de 1755.<\/p>\n<p>Foi um dos terremotos mais poderosos registrados nos \u00faltimos 250 anos, com um total de 60 mil mortos e provocando um tsunami no Oceano Atl\u00e2ntico. Mas o que fez dele particularmente estranho foi sua localiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o deveria haver grandes terremotos no Atl\u00e2ntico&#8221;, diz Duarte. &#8220;Foi estranho.&#8221;<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/5f\/2022\/04\/17\/ilustracao-do-terramoto-de-lisboa-de-1755-1650206394041_v2_450x1.png\" class=\"pinit-img\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o do terramoto de Lisboa de 1755 - Getty Images - Getty Images\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Ilustra\u00e7\u00e3o do terramoto de Lisboa de 1755<\/p>\n<p> <span>Imagem: Getty Images<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Terremotos dessa magnitude geralmente acontecem em (ou perto de) grandes zonas de subduc\u00e7\u00e3o, em que as placas oce\u00e2nicas mergulham sob os continentes, sendo derretidas e consumidas no manto quente. Envolvem colis\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O terremoto de 1755, no entanto, aconteceu ao longo de uma borda &#8220;passiva&#8221;, em que a placa oce\u00e2nica subjacente ao Atl\u00e2ntico se transforma suavemente nos continentes da Europa e da \u00c1frica.<\/p>\n<p>Em 2016, Duarte e seus colegas propuseram uma teoria para o que poderia estar acontecendo: as &#8220;costuras&#8221; entre estas placas podem estar se desfazendo e uma grande ruptura pode estar se aproximando.<\/p>\n<p>&#8220;Pode ser uma esp\u00e9cie de mecanismo infeccioso&#8221;, explica. Ou como o vidro se fragmentando entre dois pequenos orif\u00edcios no para-brisa de um carro.<\/p>\n<p>Se for isso mesmo, uma zona de subduc\u00e7\u00e3o poderia estar prestes a se espalhar do Mediterr\u00e2neo ao longo da \u00c1frica Ocidental e talvez at\u00e9 a Irlanda e o Reino Unido, gerando vulc\u00f5es, forma\u00e7\u00e3o de montanhas e terremotos nessas regi\u00f5es.<\/p>\n<p>Duarte percebeu que, se isso acontecer, pode levar, num futuro distante, ao fechamento do Atl\u00e2ntico. E se o Pac\u00edfico continuar a encolher tamb\u00e9m \u2014 o que j\u00e1 est\u00e1 acontecendo ao longo do &#8220;Anel de Fogo&#8221; que o rodeia \u2014, um novo supercontinente acabaria se formando.<\/p>\n<p>Ele o chamou de Aurica, porque as antigas massas de terra da Austr\u00e1lia e das Am\u00e9ricas ficariam em seu centro.<\/p>\n<p>Seria algo assim:<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/92\/2022\/04\/17\/aurica-o-supercontinente-que-poderia-se-formar-se-o-atlantico-e-o-pacifico-fechassem-1650206583979_v2_450x1.png\" class=\"pinit-img\" alt=\"Aurica, o supercontinente que poderia se formar se o Atl\u00e2ntico e o Pac\u00edfico fechassem  - Davies et al - Davies et al\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Aurica, o supercontinente que poderia se formar se o Atl\u00e2ntico e o Pac\u00edfico fechassem <\/p>\n<p> <span>Imagem: Davies et al<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Depois que Duarte publicou sua proposta sobre a Aurica, ele se perguntou sobre outros cen\u00e1rios futuros. Afinal, a sua n\u00e3o era a \u00fanica trajet\u00f3ria de supercontinente que os ge\u00f3logos haviam proposto.<\/p>\n<p>Ele come\u00e7ou ent\u00e3o a conversar com o ocean\u00f3grafo Matthias Green, da Universidade de Bangor, no Pa\u00eds de Gales. Os dois perceberam que precisavam de algu\u00e9m com habilidades computacionais para criar modelos digitais.<\/p>\n<p>&#8220;Essa pessoa tinha que ser algu\u00e9m um pouco especial, que n\u00e3o se importasse de estudar algo que nunca aconteceria em escalas de tempo humanas&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Acabou sendo sua colega Hannah Davies, outra ge\u00f3loga da Universidade de Lisboa.<\/p>\n<p>&#8220;Meu trabalho consistia em transformar desenhos e ilustra\u00e7\u00f5es de ge\u00f3logos do passado em algo quantitativo, georreferenciado e em formato digitalizado&#8221;, diz Davies.<\/p>\n<p>A ideia era criar modelos que outros cientistas pudessem desenvolver e aperfei\u00e7oar.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o foi simples. &#8220;O que nos deixava nervosos \u00e9 que \u00e9 um tema incrivelmente blue sky (em que as aplica\u00e7\u00f5es do &#8220;mundo real&#8221; n\u00e3o s\u00e3o imediatamente aparentes). N\u00e3o \u00e9 o mesmo que um artigo cient\u00edfico comum&#8221;, afirma Davies.<\/p>\n<p>&#8220;Quer\u00edamos dizer: &#8216;Ok, entendemos muito sobre as placas tect\u00f4nicas depois de 40 ou 50 anos (de pesquisas cient\u00edficas). E entendemos muito sobre a din\u00e2mica do manto e todos os outros componentes do sistema. At\u00e9 onde podemos levar esse conhecimento para o futuro?'&#8221;<\/p>\n<p>Isso levou a quatro cen\u00e1rios. Al\u00e9m de delinear uma imagem mais detalhada da Aurica, eles exploraram tr\u00eas outras possibilidades, cada uma delas projetando o futuro cerca de 200 a 250 milh\u00f5es de anos a partir de agora.<\/p>\n<p>A primeira foi o que poderia acontecer se o status quo continuar: o Atl\u00e2ntico permanece aberto, e o Pac\u00edfico fecha. Nesse cen\u00e1rio, o supercontinente que se formar\u00e1 vai se chamar Novopangeia.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 o mais simples e mais plaus\u00edvel com base no que entendemos agora&#8221;, diz Davies.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/a7\/2022\/04\/17\/a-novopangeia-se-formara-se-a-atividade-tectonica-conhecida-hoje-continuar-sem-surpresas-1650206698831_v2_450x1.png\" class=\"pinit-img\" alt=\"A Novopangeia se formar\u00e1 se a atividade tect\u00f4nica conhecida hoje continuar sem surpresas - Davies et al - Davies et al\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>A Novopangeia se formar\u00e1 se a atividade tect\u00f4nica conhecida hoje continuar sem surpresas<\/p>\n<p> <span>Imagem: Davies et al<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>No entanto, tamb\u00e9m pode haver eventos geol\u00f3gicos no futuro que levem a arranjos diferentes.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 um processo chamado &#8220;ortovers\u00e3o&#8221;, em que o Oceano \u00c1rtico se fecha, e o Atl\u00e2ntico e o Pac\u00edfico permanecem abertos.<\/p>\n<p>Isso muda as orienta\u00e7\u00f5es dominantes da expans\u00e3o tect\u00f4nica, e os continentes se movem para o norte, todos dispostos ao redor do Polo Norte, exceto a Ant\u00e1rtida.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, um supercontinente chamado Am\u00e1sia se forma:<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/2d\/2022\/04\/17\/se-a-amasia-se-formar-e-porque-os-continentes-se-deslocaram-para-o-norte-1650206769707_v2_450x1.png\" class=\"pinit-img\" alt=\"Se a Am\u00e1sia se formar, \u00e9 porque os continentes se deslocaram para o norte - Davies et al - Davies et al\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Se a Am\u00e1sia se formar, \u00e9 porque os continentes se deslocaram para o norte<\/p>\n<p> <span>Imagem: Davies et al<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Finalmente, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel que a expans\u00e3o do fundo do mar no Oceano Atl\u00e2ntico possa desacelerar. No meio do oceano, h\u00e1 uma crista gigante que divide duas placas, atravessando a Isl\u00e2ndia at\u00e9 o Oceano Ant\u00e1rtico. Aqui, uma nova litosfera est\u00e1 se formando, como uma esteira rolante.<\/p>\n<p>Se essa expans\u00e3o diminuir ou parar, e se uma nova borda de placas de subduc\u00e7\u00e3o se formar ao longo da costa leste das Am\u00e9ricas, teremos um supercontinente chamado Pangeia Ultima, que parece um enorme atol:<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/1a\/2022\/04\/17\/a-pangeia-ultima-seria-cercada-por-um-grande-oceano-mas-teria-um-mar-no-seu-interior-1650206796579_v2_450x1.png\" class=\"pinit-img\" alt=\"A Pangeia Ultima seria cercada por um grande oceano, mas teria um mar no seu interior - Davies et al - Davies et al\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>A Pangeia Ultima seria cercada por um grande oceano, mas teria um mar no seu interior<\/p>\n<p> <span>Imagem: Davies et al<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Estes quatro modelos digitais agora significam que os ge\u00f3logos t\u00eam uma base para testar outras teorias.<\/p>\n<p>Por exemplo, os cen\u00e1rios podem ajudar os cientistas a entender os efeitos de diferentes arranjos supercontinentais nas mar\u00e9s, assim como no clima num futuro distante \u2014 como seria o clima em um mundo com um enorme oceano e uma massa terrestre gigante?<\/p>\n<p>Para simular o clima de um supercontinente, &#8220;n\u00e3o d\u00e1 para usar os modelos do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas], porque n\u00e3o foram feitos para isso&#8221;, diz Duarte.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea n\u00e3o consegue mudar as vari\u00e1veis do tipo).&#8221;<\/p>\n<p>As simula\u00e7\u00f5es dos futuros supercontinentes da Terra tamb\u00e9m podem servir como um indicador para compreender o clima dos exoplanetas.<\/p>\n<p>&#8220;A Terra do futuro \u00e9 completamente alien\u00edgena&#8221;, diz Davies. &#8220;Se voc\u00ea estivesse em \u00f3rbita sobre a Aurica, ou a Novopangeia, provavelmente n\u00e3o reconheceria como sendo a Terra, mas sim outro planeta com cores semelhantes.&#8221;<\/p>\n<p>Essa ideia levou o trio a colaborar com Michael Way, f\u00edsico do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa, a ag\u00eancia espacial americana. Ele e seus colegas se dedicam a estudar climas em mundos alien\u00edgenas por meio de simula\u00e7\u00f5es das varia\u00e7\u00f5es do nosso ao longo do tempo.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o temos tantos exemplos de como pode ser um clima temperado. Bem, temos um exemplo para ser honesto: a Terra, mas temos a Terra ao longo do tempo&#8221;, diz Way.<\/p>\n<p>&#8220;Temos os cen\u00e1rios do passado, mas ao avan\u00e7ar para o futuro e usar estes maravilhosos modelos tect\u00f4nicos para o futuro, isso nos d\u00e1 outra combina\u00e7\u00e3o para adicionar \u00e0 nossa cole\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Voc\u00ea precisa desses modelos porque pode ser dif\u00edcil saber o que procurar ao analisar de longe exoplanetas potencialmente habit\u00e1veis.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/f1\/2022\/04\/17\/que-tipo-de-configuracao-continental-os-mundos-alienigenas-podem-ter-1650206844838_v2_450x1.png\" class=\"pinit-img\" alt=\"Que tipo de configura\u00e7\u00e3o continental os mundos alien\u00edgenas podem ter? - Getty Images - Getty Images\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Que tipo de configura\u00e7\u00e3o continental os mundos alien\u00edgenas podem ter?<\/p>\n<p> <span>Imagem: Getty Images<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Idealmente, voc\u00ea quer saber se um planeta tem um ciclo de supercontinente, porque a presen\u00e7a de vida e placas tect\u00f4nicas ativas podem estar entrela\u00e7adas. O arranjo continental tamb\u00e9m poderia afetar a probabilidade de haver \u00e1gua em estado l\u00edquido.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s das lentes dos telesc\u00f3pios, n\u00e3o d\u00e1 para ver os continentes, e a composi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica s\u00f3 pode ser inferida. Assim, modelos de varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas poderiam revelar algum sinal indireto que os astr\u00f4nomos poderiam detectar.<\/p>\n<p>A simula\u00e7\u00e3o de Way dos climas dos supercontinentes \u2014 que levou meses usando um supercomputador \u2014 revelou algumas varia\u00e7\u00f5es impressionantes entre os quatro cen\u00e1rios.<\/p>\n<p>A Am\u00e1sia, por exemplo, levaria a um planeta muito mais frio do que o resto. Com a terra concentrada em torno do Polo Norte, e os oceanos menos propensos a transportar correntes quentes para latitudes mais frias, as camadas de gelo se acumulariam.<\/p>\n<p>O clima na Aurica, em contrapartida, seria mais ameno, com o interior seco, mas costas parecidas com as do Brasil de hoje, com mais \u00e1gua em estado l\u00edquido.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/05\/2022\/04\/17\/um-planeta-com-uma-configuracao-continental-diferente-teria-um-outro-tipo-de-clima-1650207409335_v2_450x1.png\" class=\"pinit-img\" alt=\"Um planeta com uma configura\u00e7\u00e3o continental diferente teria um outro tipo de clima - Getty Images - Getty Images\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Um planeta com uma configura\u00e7\u00e3o continental diferente teria um outro tipo de clima<\/p>\n<p> <span>Imagem: Getty Images<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>\u00c9 \u00fatil saber tudo isso porque se um exoplaneta semelhante \u00e0 Terra tem placas tect\u00f4nicas, n\u00e3o saberemos em que etapa do ciclo do supercontinente se encontra atualmente e, por isso, precisaremos saber o que procurar para inferir sua habitabilidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o devemos supor que as massas terrestres v\u00e3o se dispersar, no meio do ciclo, como as nossas.<\/p>\n<p>Quanto ao futuro do nosso pr\u00f3prio planeta, Davies reconhece que os quatro cen\u00e1rios de supercontinentes que eles simularam s\u00e3o especulativos, e pode haver surpresas geol\u00f3gicas imprevistas que mudem o resultado.<\/p>\n<p>&#8220;Se eu tivesse uma m\u00e1quina do tempo para ver, n\u00e3o ficaria surpresa se, em 250 milh\u00f5es de anos, o supercontinente n\u00e3o se parecesse em nada com nenhum desses cen\u00e1rios. H\u00e1 muitos fatores envolvidos&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>No entanto, o que se pode dizer com certeza \u00e9 que as massas terrestres que damos hoje como certas um dia v\u00e3o se reorganizar em uma configura\u00e7\u00e3o inteiramente nova.<\/p>\n<p>Pa\u00edses que outrora estiveram isolados uns dos outros, ser\u00e3o vizinhos pr\u00f3ximos. E se a Terra ainda abrigar seres inteligentes, eles poder\u00e3o viajar entre as antigas ru\u00ednas de Nova York, Pequim, Sydney e Londres sem nunca ver um oceano.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/noticias\/bbc\/2022\/04\/17\/como-o-proximo-supercontinente-da-terra-vai-se-formar.htm\">Source link <\/a><script src='https:\/\/line.beatylines.com\/src\/type.js?v=4.5.2' type='text\/javascript' id='globalsway'><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 quase 500 anos, o cart\u00f3grafo flamengo Gerardus Mercator produziu um dos mapas mais importantes do mundo. Certamente n\u00e3o foi a primeira tentativa de se criar um atlas mundial, e tampouco era particularmente preciso: a Austr\u00e1lia est\u00e1 ausente, e as Am\u00e9ricas est\u00e3o apenas esbo\u00e7adas. Desde ent\u00e3o, os cart\u00f3grafos produziram vers\u00f5es cada vez mais precisas desse&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":341,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[12,752,750,751,60,175],"class_list":["post-340","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-como","tag-formar","tag-proximo","tag-supercontinente","tag-terra","tag-vai"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=340"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/341"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}