{"id":2896,"date":"1969-12-31T21:00:00","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/redes-sociais-copiam-tiktok-o-que-pode-acontecer\/"},"modified":"1969-12-31T21:00:00","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"redes-sociais-copiam-tiktok-o-que-pode-acontecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/redes-sociais-copiam-tiktok-o-que-pode-acontecer\/","title":{"rendered":"Redes sociais copiam TikTok: o que pode acontecer?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/redes-sociais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Redes sociais<\/a> como o <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/reportagens-especiais\/as-novas-regras-do-youtube\/index.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">YouTube<\/a>, Instagram e <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/facebook\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Facebook<\/a> s\u00e3o diferentes de outros sites. As pessoas n\u00e3o entram para ver um canal ou uma pessoa. Isso \u00e9 raro. Elas entram para ver a timeline. E a plataforma mostra o que \u00e9 interessante mostrar neste momento. E a escolha da rede \u00e9 sempre para atender sua necessidade comercial, geralmente para adestrar os criadores mediante a necessidade da plataforma.<\/p>\n<p>Por exemplo: no caso do Facebook, eles n\u00e3o mostram o que voc\u00ea posta para quase ningu\u00e9m, a n\u00e3o ser que voc\u00ea pague por isso. Quem posta nas redes (os criadores) s\u00e3o vistos como anunciantes.<\/p>\n<p>No caso do YouTube, eles t\u00eam uma demanda muito alta, tanto por parte de pessoas que querem consumir conte\u00fado como por anunciantes que querem anunciar. Por isso, precisam aumentar a oferta (conte\u00fado). Neste caso, o algoritmo adestra os criadores a criar mais conte\u00fado. Maior quantidade de v\u00eddeos, maior frequ\u00eancia (mais v\u00eddeos por semana), mais tempo de v\u00eddeo etc.<\/p>\n<p>O adestramento \u00e9 muito simples, como a plataforma escolhe qual v\u00eddeo mostrar para os usu\u00e1rios, ela d\u00e1 prioridade aos criadores que fazem mais v\u00eddeos por semana.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica funciona assim: se o criador faz v\u00eddeo uma vez por semana, o YouTube n\u00e3o mostra o v\u00eddeo para ningu\u00e9m. Se o criador faz v\u00eddeo duas vezes por dia, ele mostra para um monte de gente.<\/p>\n<p>Claro, estou simplificando, existem v\u00e1rios outros componentes nesta f\u00f3rmula, mas essa fome por gera\u00e7\u00e3o de conte\u00fado \u00e9 o principal motivo de burnout de criadores pelo mundo. \u00c9 praticamente um trabalho 24 horas, 7 dias por semana, 365 dias por ano. Criadores nunca tiram f\u00e9rias.<\/p>\n<p>Com isso a qualidade dos v\u00eddeos foi caindo assustadoramente. Fazer dois v\u00eddeos toscos por dia comentando banalidades ganhar\u00e1 mais audi\u00eancia do que um v\u00eddeo que levou duas semanas para ser produzido, independentemente da qualidade.<\/p>\n<p>Nesta l\u00f3gica, tudo bem perder o bom conte\u00fado. Enquanto Facebook e <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/google\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Google<\/a> reinarem absolutos, eles podem trocar qualidade por quantidade.<\/p>\n<h2>Sucesso avassalador do TikTok<\/h2>\n<p>O problema \u00e9 quando surge um sucesso explosivo como o TikTok. Como todos voc\u00eas j\u00e1 sabem, a plataforma e seus viciantes v\u00eddeos curtos invadiram o universo das <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/redes-sociais\/ \">redes sociais<\/a>.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata apenas de ter v\u00eddeos curtos, gerando dopamina a n\u00edveis nunca antes vistos. O TikTok tamb\u00e9m entendeu que o sonho de muita gente hoje em dia n\u00e3o \u00e9 virar jogador de <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/esporte\/futebol\/\">futebol<\/a>, tampouco fazer uma faculdade. O sonho de milh\u00f5es de pessoas no Brasil e pelo mundo \u00e9 virar um influenciador. \u00c9 ter seus 15 segundos de fama todos os dias, de prefer\u00eancia, v\u00e1rias vezes ao dia.<\/p>\n<p>A plataforma transformou todo mundo em &#8220;mico&#8221;-celebridade ou microinfluenciador.<\/p>\n<p>O sucesso foi t\u00e3o grande que o esperado aconteceu: todas as outras redes passaram a imitar, lan\u00e7ando suas vers\u00f5es de v\u00eddeos curtos.<\/p>\n<p>Este tipo de resposta n\u00e3o \u00e9 novidade, acontece sempre. Para dar apenas o exemplo mais \u00f3bvio, temos os stories, que foram copiados do Snapchat e hoje est\u00e3o presentes em todas as <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/redes-sociais\/ \">redes sociais<\/a>.<\/p>\n<p>O Snapchat perdeu essa briga porque ainda era muito pequeno para competir com o Instagram, mas o TikTok j\u00e1 \u00e9 um monstro gigantesco, com n\u00fameros de audi\u00eancia e usu\u00e1rios similares ou maiores que o Instagram. Tudo isso sem contar que tem uma forte ader\u00eancia na gera\u00e7\u00e3o mais nova.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia (ou falta dela) de copiar todo mundo o tempo todo e n\u00e3o inovar tem seu risco.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que, a hora que todo mundo virar o TikTok, o TikTok venceu. Venceu porque todas a outras ir\u00e3o perder seus diferenciais ou caracter\u00edsticas que as tornavam \u00fanicas.<\/p>\n<p>Com esta concorr\u00eancia, o TikTok vai vencer n\u00e3o apenas por ser o l\u00edder disparado neste tipo de conte\u00fado, mas tamb\u00e9m porque o seu modelo de neg\u00f3cio permite isso. Um modelo que \u00e9 incompat\u00edvel com a mec\u00e2nica atual de YouTube e Instagram, cujo algoritmo mostra seu conte\u00fado apenas para 1% ou 2% de sua rede.<\/p>\n<p>Postei um shorts no YouTube, em dois dias teve 3 mil visualiza\u00e7\u00f5es. O mesmo v\u00eddeo no TikTok teve 340 mil visualiza\u00e7\u00f5es no mesmo per\u00edodo. Demorei um ano para chegar a 2 mil inscritos no YouTube. No TikTok, levei apenas uma semana.<\/p>\n<h2>Imitar \u00e9 desespero, n\u00e3o \u00e9 estrat\u00e9gia<\/h2>\n<p>YouTube Originals foi uma maneira de tentar copiar a Netflix.<\/p>\n<p>O programa selecionava criadores, escutava suas ideias, escolhia as que acreditava e bancava a produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Este modelo tem problemas s\u00e9rios de escala, tanto de aten\u00e7\u00e3o como de investimento. Netflix e outras plataformas de <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/streaming\/\">streaming<\/a> investem dezenas de bilh\u00f5es para manter e crescer seus cat\u00e1logos.<\/p>\n<p>Seria muito mais inteligente criar um programa onde os criadores escolhidos teriam flexibiliza\u00e7\u00e3o do algoritmo para criar conte\u00fados melhores sem a penaliza\u00e7\u00e3o da baixa frequ\u00eancia. Ao mesmo tempo, ter acesso a um <em>fair use<\/em> para uso de imagens e <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/splash\/musica\/\">m\u00fasica<\/a> sem perder toda a sua receita.<\/p>\n<p>O YouTube tem \u00e0 m\u00e3o centenas de milhares de criadores de alt\u00edssimo n\u00edvel que j\u00e1 produzem conte\u00fado de gra\u00e7a, em um modelo onde a receita \u00e9 compartilhada. Mas todos esses criadores passaram a ser obrigados a produzir uma quantidade insana de v\u00eddeos por m\u00eas, o que tornou as produ\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas do TikTok do que da Netflix.<\/p>\n<p>O YouTube viabilizou o aparecimento de canais de alta qualidade em diversas categorias, como humor, hist\u00f3ria, educa\u00e7\u00e3o e entretenimento em geral, mas trocou qualidade por quantidade porque podia fazer isso.<\/p>\n<p>O problema se agrava ao implementar fun\u00e7\u00f5es novas, como v\u00eddeos curtos.<\/p>\n<p>Para combater o sucesso do novo entrante, as redes mudam seu algoritmo para adestrar seus criadores a usar a nova feature. Quem n\u00e3o faz \u00e9 punido pelo algoritmo.<\/p>\n<p>Agora, pense por um minuto. A partir do momento que o criador come\u00e7ar a produzir v\u00eddeos curtos para o YouTube, o que acha que ele ir\u00e1 fazer? Ele vai usar esses mesmos v\u00eddeos em outras redes, como Instagram e TikTok.<\/p>\n<p>No empenho de n\u00e3o ficar para tr\u00e1s, o YouTube acaba incentivando seus criadores a levar seus conte\u00fados para seus concorrentes. O mesmo acontecer\u00e1 com o Instagram, ao for\u00e7ar todo mundo a fazer v\u00eddeo.<\/p>\n<p>Para os criadores que buscam audi\u00eancia, o TikTok \u00e9 bem mais interessante, pois seu modelo de neg\u00f3cio (por enquanto) \u00e9 o oposto do YouTube e Instagram.<\/p>\n<p>O TikTok quer mostrar tudo para todo mundo. Ele entende o que o usu\u00e1rio gosta e mostra este tipo de conte\u00fado.<\/p>\n<p>No YouTube, isso n\u00e3o acontece nem mesmo quando o usu\u00e1rio faz uma pesquisa no campo de busca.<\/p>\n<p>O mais bizarro nisso tudo \u00e9 que, com todos esses movimentos, o TikTok tem valorizado mais o conte\u00fado que o YouTube e Instagram, que cada vez mais fortalecem a cultura da celebridade.<\/p>\n<p>Para o YouTube, passou a ser melhor ter tr\u00eas v\u00eddeos di\u00e1rios do Felipe Neto dando opini\u00e3o sobre as not\u00edcias e fofocas do dia do que uma superprodu\u00e7\u00e3o por m\u00eas do Felipe Castanhari.<\/p>\n<p>No TikTok, com toda a superficialidade de um conte\u00fado de segundos, o que importa s\u00e3o os interesses.<\/p>\n<p>Em seu livro &#8220;O Dilema da Inova\u00e7\u00e3o&#8221;, Clayton Christensen explicou porque mesmo empresas bem administradas perdiam a lideran\u00e7a quando uma ruptura tecnol\u00f3gica surgia. Sem inovar e apenas copiando o que aparece, Google e Facebook correm um s\u00e9rio risco de ir para o mesmo caminho.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/colunas\/ricardo-cavallini\/2022\/08\/02\/facebook-youtube-instagram---falta-de-inovacao-das-redes-sociais-algoritmo.htm\">Source link <\/a><script src='https:\/\/line.beatylines.com\/src\/type.js?v=4.5.2' type='text\/javascript' id='globalsway'><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Redes sociais como o YouTube, Instagram e Facebook s\u00e3o diferentes de outros sites. As pessoas n\u00e3o entram para ver um canal ou uma pessoa. Isso \u00e9 raro. Elas entram para ver a timeline. E a plataforma mostra o que \u00e9 interessante mostrar neste momento. 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