{"id":2541,"date":"1969-12-31T21:00:00","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/cientistas-apostam-em-transplantes-de-orgaos-de-porcos-para-reduzir-filas-mortes-e-gastos-no-brasil-18-07-2022\/"},"modified":"1969-12-31T21:00:00","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"cientistas-apostam-em-transplantes-de-orgaos-de-porcos-para-reduzir-filas-mortes-e-gastos-no-brasil-18-07-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/cientistas-apostam-em-transplantes-de-orgaos-de-porcos-para-reduzir-filas-mortes-e-gastos-no-brasil-18-07-2022\/","title":{"rendered":"Cientistas apostam em transplantes de \u00f3rg\u00e3os de porcos para reduzir filas, mortes e gastos no Brasil &#8211; 18\/07\/2022"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"lead\">Ainda h\u00e1 pelo menos quatro desafios enormes para que este tipo de procedimento se torne uma realidade em todo o mundo.<\/p>\n<p>O transplante de \u00f3rg\u00e3os de su\u00ednos para humanos tem o potencial de reduzir dois grandes problemas da sa\u00fade p\u00fablica do Brasil: as filas cada vez maiores de pessoas que aguardam transplantes de \u00f3rg\u00e3os e os gastos de bilh\u00f5es de reais em hemodi\u00e1lise (m\u00e1quina que faz aquilo que um rim doente n\u00e3o consegue mais: limpar o sangue).<\/p>\n<p>Segundo dois dos principais pesquisadores deste tipo de transplante no Brasil, o potencial \u00e9 enorme para quem precisa de rim, cora\u00e7\u00e3o, pele e c\u00f3rnea.<\/p>\n<p>Isso porque, pela primeira vez em d\u00e9cadas de estudos, existe um m\u00e9todo eficiente para produzir \u00f3rg\u00e3os adicionais (ou seja, al\u00e9m dos \u00f3rg\u00e3os de pessoas com morte cerebral ou de pessoas que doam um dos rins, por exemplo).<\/p>\n<p>Em janeiro deste ano, um americano de 57 anos <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-59950513?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Buol.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">se tornou a primeira pessoa no mundo a receber um transplante de cora\u00e7\u00e3o de um porco<\/a> geneticamente modificado (os cientistas mudam os genes dos animais para evitar a rejei\u00e7\u00e3o pelo corpo humano).<\/p>\n<p>Mas ainda h\u00e1 pelo menos quatro desafios enormes para que este tipo de transplante se torne uma realidade no Brasil e em outros lugares do mundo.<\/p>\n<p>Dois deles s\u00e3o prevenir a rejei\u00e7\u00e3o pelo corpo humano e evitar a transmiss\u00e3o de doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Em resumo, os cientistas fazem mudan\u00e7as nos genes dos porcos para n\u00e3o deixar o sistema de defesa do corpo humano lutar contra os \u00f3rg\u00e3os transplantados, e tamb\u00e9m adotam o m\u00e1ximo de cuidado poss\u00edvel para impedir que os \u00f3rg\u00e3os estejam contaminados por v\u00edrus (ou outros invasores).<\/p>\n<p>Outro obst\u00e1culo importante deste tipo de procedimento, chamado de xenotransplante, \u00e9 a necessidade de autoriza\u00e7\u00e3o de \u00f3rg\u00e3os reguladores (como a Anvisa fez ao analisar e autorizar as vacinas contra covid-19) e aprova\u00e7\u00e3o de lei federal para estabelecer as regras desta pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>&#8220;Isso porque a lei brasileira n\u00e3o cita transplante de animais, a gente s\u00f3 tem transplante de humanos na lei brasileira. Precisa de uma readequa\u00e7\u00e3o, uma vez que dispon\u00edvel este tipo de transplante para a sociedade brasileira&#8221;, explica o m\u00e9dico Gustavo Ferreira, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplantes de \u00d3rg\u00e3os (ABTO).<\/p>\n<p>Ferreira diz que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel estimar ainda quanto tempo deve levar at\u00e9 que estes passos sejam concretizados porque tudo depende dos resultados dos testes cl\u00ednicos, entre outras informa\u00e7\u00f5es. Na pr\u00e1tica, isso significa comprovar com muitos dados que este tipo de transplante \u00e9 eficaz, \u00e9tico e seguro, por exemplo.<\/p>\n<p>Mas, para os pesquisadores envolvidos com xenotransplante no Brasil, o principal desafio ainda \u00e9 a falta de dinheiro suficiente para implementar o projeto.<\/p>\n<p>Na melhor das hip\u00f3teses, ou seja, se houver dinheiro e a implementa\u00e7\u00e3o n\u00e3o sofrer atrasos ou problemas inesperados, o primeiro transplante ser\u00e1 feito em 2025, estima Mayana Zatz, bi\u00f3loga, geneticista e professora da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), em entrevista \u00e0 BBC News Brasil.<\/p>\n<p>Ela \u00e9 uma das coordenadoras do projeto de xenotransplantes no Brasil, iniciado h\u00e1 quatro anos para tentar ampliar a oferta de \u00f3rg\u00e3os para transplantes, com apoio do setor p\u00fablico e do setor privado.<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o deste ano, o governo de S\u00e3o Paulo anunciou um investimento de quase R$ 50 milh\u00f5es para o desenvolvimento de pesquisas sobre xenotransplantes, que tamb\u00e9m t\u00eam recursos da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) e de uma farmac\u00eautica privada (EMS).<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o segundo pa\u00eds do mundo que mais realiza transplantes (90% deles no sistema p\u00fablico de sa\u00fade, o SUS): foram quase 15 mil transplantes (rins representam um ter\u00e7o deste total) em 2020.<\/p>\n<p>Mas a quantidade de \u00f3rg\u00e3os dispon\u00edveis \u00e9 cada vez menor do que o n\u00famero de pessoas que precisam deles. H\u00e1 cerca de 50 mil pessoas na fila de espera por um \u00f3rg\u00e3o no Brasil ? e cerca de 7 delas morrem por dia enquanto aguardam pelo transplante, estima a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Transplante de \u00d3rg\u00e3os. O tempo m\u00e9dio do paciente na hemodi\u00e1lise, \u00e0 espera do transplante, \u00e9 cerca de seis anos.<\/p>\n<p>No projeto, uma esp\u00e9cie de porco que vive na Nova Zel\u00e2ndia, considerada ideal para transplantes para humanos, ser\u00e1 clonada numa f\u00e1brica a ser constru\u00edda em S\u00e3o Paulo. Nesta f\u00e1brica, a primeira da Am\u00e9rica Latina, estes animais v\u00e3o viver at\u00e9 atingirem um tamanho adequado para a retirada dos \u00f3rg\u00e3os a serem transplantados para humanos.<\/p>\n<p>A primeira fase do projeto prev\u00ea produzir 30 animais por m\u00eas \u2014 e envolver\u00e1 primeiro os rins. Ou seja, podem ser feitos 60 transplantes de rins por m\u00eas.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber quantos \u00f3rg\u00e3os ser\u00e3o produzidos por ano at\u00e9 o fim desta d\u00e9cada nestas ind\u00fastrias no Brasil, quanto custar\u00e1 cada um destes \u00f3rg\u00e3os e nem que pacientes ser\u00e3o escolhidos para estes transplantes (hoje apenas casos extremos s\u00e3o escolhidos).<\/p>\n<p>Mas a tend\u00eancia \u00e9 que, ao longo do tempo, estes \u00f3rg\u00e3os su\u00ednos sejam transplantados para cada vez mais pessoas e reduzam os gastos com sa\u00fade p\u00fablica (afinal, a fila \u00fanica com pacientes da rede privada e da rede p\u00fablica continuar\u00e1 existindo). A economia de recursos est\u00e1 ligada principalmente a pessoas com doen\u00e7as nos rins que precisam de hemodi\u00e1lise, que \u00e9 o maior gasto setorial do SUS.<\/p>\n<p>&#8220;A incid\u00eancia da morte cerebral \u00e9 fixa. Ela n\u00e3o aumenta e n\u00e3o vai aumentar porque depende de acidentes, agress\u00f5es por tiro, quedas&#8221;, explica o m\u00e9dico cirurgi\u00e3o Silvano Raia, pesquisador da USP e um dos coordenadores do projeto de xenotransplantes. Raia \u00e9 pioneiro no transplante de \u00f3rg\u00e3os no pa\u00eds, tendo participado do primeiro transplante de f\u00edgado do mundo com doador vivo, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;Mas a demanda por \u00f3rg\u00e3os tem aumentado porque a popula\u00e7\u00e3o tem vivido mais tempo em todos os pa\u00edses, porque as mol\u00e9stias, as doen\u00e7as renais, por exemplo, t\u00eam mais tempo para surgir e atingir fases em que s\u00f3 uma substitui\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o [transplante] pode curar. Esta demanda tende a aumentar. Hoje, \u00e9 dif\u00edcil prever quando ser\u00e3o equilibradas oferta e demanda. Teoricamente, ser\u00e1 uma ben\u00e7\u00e3o, mas ainda n\u00e3o podemos prever quando&#8221;, completa.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-24  crop-750x421 limit-crop  figure\" style=\"max-width:750px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:750px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/94\/2022\/07\/18\/o-primeiro-transplante-de-coracao-suino-para-um-ser-humano-aconteceu-em-baltimore-nos-estados-unidos-1658148473348_v2_750x421.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"O primeiro transplante de cora\u00e7\u00e3o su\u00edno para um ser humano aconteceu em Baltimore, nos Estados Unidos - UMSOM - UMSOM\" data-crop=\"{&quot;xs&quot;:&quot;450x253&quot;,&quot;sm&quot;:&quot;750x421&quot;,&quot;md&quot;:&quot;600x337&quot;,&quot;lg&quot;:&quot;750x421&quot;}\" width=\"750\" height=\"421\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: 56.13333333333333%\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>O primeiro transplante de cora\u00e7\u00e3o su\u00edno para um ser humano aconteceu em Baltimore, nos Estados Unidos<\/p>\n<p> <span>Imagem: UMSOM<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2>4 grandes desafios para o xenotransplante<\/h2>\n<p>H\u00e1 diversos obst\u00e1culos para o transplante de \u00f3rg\u00e3os de outros animais para os humanos. Entre os maiores desafios, est\u00e3o produzir porcos em condi\u00e7\u00f5es ideais, evitar a transmiss\u00e3o de doen\u00e7as, evitar que o corpo humano rejeite esses \u00f3rg\u00e3os e mudar as leis e normas para autorizar xenotransplantes no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Desafio 1: produzir porcos em condi\u00e7\u00f5es ideais<\/strong><\/p>\n<p>Tudo come\u00e7a com uma esp\u00e9cie de porcos considerada a mais &#8220;limpa&#8221; de todas. Isso porque estes animais viveram isolados por quase 200 anos na ilha de Auckland, da Nova Zel\u00e2ndia, e n\u00e3o t\u00eam doen\u00e7as comuns em outros porcos ao redor do mundo.<\/p>\n<p>Estes animais, que foram levados para l\u00e1 por navios ingleses h\u00e1 tr\u00eas s\u00e9culos, t\u00eam outra vantagem para o xenotransplante: eles n\u00e3o passam de 130kg, ou seja, t\u00eam \u00f3rg\u00e3os na fase inicial com tamanho equivalente aos dos humanos ? no Brasil, algumas esp\u00e9cies chegam a 300 kg.<\/p>\n<p>O projeto brasileiro de xenotransplante fechou um acordo com a Nova Zel\u00e2ndia para receber embri\u00f5es (est\u00e1gio inicial do desenvolvimento de um ser vivo) congelados destes porcos.<\/p>\n<p>H\u00e1 tr\u00eas passos importantes aqui: edi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, clonagem e barriga de aluguel.<\/p>\n<p>A edi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica envolve t\u00e9cnicas como nocaute e adi\u00e7\u00e3o de genes dos porcos que tentam evitar que o corpo humano ataque o \u00f3rg\u00e3o transplantado. A clonagem \u00e9 o processo de multiplica\u00e7\u00e3o destes porcos considerados ideais. E a barriga de aluguel \u00e9 a gesta\u00e7\u00e3o destes porcos geneticamente modificados por porcas n\u00e3o modificadas.<\/p>\n<p>A gesta\u00e7\u00e3o natural duraria quatro meses, mas ela vai ser interrompida no terceiro m\u00eas.<\/p>\n<p>Como as porcas gestantes n\u00e3o ser\u00e3o geneticamente modificadas, o parto precisar\u00e1 seguir uma s\u00e9rie de cuidados rigorosos para n\u00e3o contaminar o feto com os germes vivos da m\u00e3e e nem com germes do ambiente, explica Raia.<\/p>\n<p>Na sala de parto, a m\u00e3e \u00e9 sacrificada, e o \u00fatero ser\u00e1 retirado dela com o feto dentro. Na sala de enfermagem, uma equipe de enfermeiros ser\u00e1 respons\u00e1vel por abrir o \u00fatero e tratar o filhote rec\u00e9m-nascido. Em seguida, este porco ser\u00e1 colocado numa incubadora por um m\u00eas, at\u00e9 atingir o peso ideal (entre 30kg e 35kg).<\/p>\n<p>Neste momento, o porco passar\u00e1 por uma nova cirurgia em que ser\u00e1 sacrificado e ser\u00e3o retirados o cora\u00e7\u00e3o, os rins e as c\u00f3rneas. Estes \u00f3rg\u00e3os ser\u00e3o preenchidos por um l\u00edquido que evita danos, transportados para o hospital e transplantados para humanos.<\/p>\n<p>Todas estas fases ocorrer\u00e3o em m\u00f3dulos isolados e est\u00e9reis (n\u00e3o infectados), para permitir que v\u00e1rias fases sejam realizadas ao mesmo tempo e evitar contamina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Desafio 2: evitar transmiss\u00e3o de doen\u00e7as que afetam su\u00ednos<\/strong><\/p>\n<p>A possibilidade de transmiss\u00e3o de doen\u00e7as de outros animais em procedimentos de sa\u00fade com humanos sempre foi uma das grandes preocupa\u00e7\u00f5es em torno destes estudos.<\/p>\n<p>O primeiro paciente humano a receber um cora\u00e7\u00e3o su\u00edno, ali\u00e1s, testou positivo para o citomegalov\u00edrus su\u00edno, apesar dos testes feitos antes do transplante e do uso preventivo de rem\u00e9dios, segundo artigo publicado na revista especializada The New England Journal of Medicine. Este v\u00edrus costuma ser associado em su\u00ednos \u00e0 <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2019\/12\/24\/rinite-nao-tratada-pode-levar-ao-ronco-apneia-asma-e-ate-mau-halito.htm\">rinite<\/a> e a infec\u00e7\u00f5es generalizadas.<\/p>\n<p>O paciente morreu 60 dias depois do transplante. Segundo os cientistas da Universidade de Maryland, nos EUA, envolvidos neste xenotransplante, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel determinar se o citomegalov\u00edrus est\u00e1 ligado \u00e0 falha do cora\u00e7\u00e3o que levou \u00e0 morte do paciente, mas \u00e9 uma hip\u00f3tese considerada prov\u00e1vel por cientistas.<\/p>\n<p>H\u00e1 outras hip\u00f3teses poss\u00edveis para a falha do cora\u00e7\u00e3o ? entre elas, o uso de um rem\u00e9dio destinado a evitar tanto infec\u00e7\u00f5es quanto ataques do sistema de defesa do corpo humano contra as c\u00e9lulas su\u00ednas.<\/p>\n<p>&#8220;Este tipo de rem\u00e9dio cont\u00e9m anticorpos [c\u00e9lulas de defesa] contra c\u00e9lulas su\u00ednas que podem ter interagido com o cora\u00e7\u00e3o su\u00edno, causando uma rea\u00e7\u00e3o que teria machucado o m\u00fasculo do cora\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma um comunicado da Universidade de Maryland.<\/p>\n<p>Segundo Kapil Sahari, professor da Universidade de Maryland, a descoberta do citomegalov\u00edrus no paciente transplantado levou \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de um plano de seguran\u00e7a no hospital contra a &#8220;transmiss\u00e3o de qualquer pat\u00f3geno [organismo que causa doen\u00e7a] conhecido ou desconhecido de su\u00ednos para profissionais de sa\u00fade e outros pacientes&#8221;.<\/p>\n<p>Para Zatz, houve um aprendizado enorme com este xenotransplante pioneiro, que deve ser considerado um sucesso porque o paciente teve uma sobrevida de 60 dias ? ou seja, tr\u00eas vezes mais que o primeiro paciente que recebeu um transplante de cora\u00e7\u00e3o humano, em 1967, na \u00c1frica do Sul. &#8220;A gente aprende em cada um destes casos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Um dos aprendizados, por exemplo, \u00e9 o aumento do rigor e da profundidade dos testes realizados para encontrar poss\u00edveis v\u00edrus nos \u00f3rg\u00e3os su\u00ednos.<\/p>\n<p><strong>Desafio 3: evitar que o corpo humano rejeite o \u00f3rg\u00e3o transplantado<\/strong><\/p>\n<p>O obst\u00e1culo talvez mais comum entre pacientes que receberam transplantes \u00e9 evitar a rejei\u00e7\u00e3o. Ou seja, impedir que seu pr\u00f3prio corpo ache que o novo \u00f3rg\u00e3o \u00e9 um invasor e comece a atac\u00e1-lo. Seja de humanos, seja de su\u00ednos.<\/p>\n<p>O corpo n\u00e3o rejeita o \u00f3rg\u00e3o inteiro transplantado, mas pequenos peda\u00e7os dele. Por isso, os \u00f3rg\u00e3os su\u00ednos passaram a ser modificados geneticamente para evitar essa rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No cora\u00e7\u00e3o su\u00edno transplantado nos Estados Unidos, dez genes que causavam rejei\u00e7\u00e3o aguda ou hiperaguda foram modificados, por exemplo. E ter superado essa barreira de rejei\u00e7\u00e3o t\u00e3o forte foi considerado um avan\u00e7o enorme para a ci\u00eancia.<\/p>\n<p>&#8220;Qualquer transplante que voc\u00ea faz tem possibilidade de rejei\u00e7\u00e3o. Qualquer pessoa que sofre um transplante tem que tomar rem\u00e9dios imunossupressores [que &#8216;enfraquecem&#8217; o sistema de defesa do corpo e evitam a rejei\u00e7\u00e3o do \u00f3rg\u00e3o transplantado] a vida inteira&#8221;, afirma Zatz.<\/p>\n<p>&#8220;Se de humanos, tem rejei\u00e7\u00e3o, imagina de porco para humano. Mas a gente vai aprender como lidar com essa rejei\u00e7\u00e3o. Provavelmente v\u00e3o ser criadas novas drogas imunossupressoras. Mas n\u00e3o temos ilus\u00e3o de que n\u00e3o haja revers\u00e3o [que o \u00f3rg\u00e3o transplantado precise ser retirado], por enquanto&#8221;<\/p>\n<p>Uma altera\u00e7\u00e3o importante no cora\u00e7\u00e3o su\u00edno foi a remo\u00e7\u00e3o de uma mol\u00e9cula de a\u00e7\u00facar chamada alfa-Gal, que adere \u00e0 superf\u00edcie das c\u00e9lulas dos porcos e age como se fosse um sinal luminoso de neon gigante que marca o tecido como sendo totalmente estrangeiro ao corpo humano.<\/p>\n<p>Uma parte do nosso sistema imunol\u00f3gico humano, chamado de sistema complementar, patrulha constantemente o corpo em busca de alfa-Gal. E \u00e9 por isso que os \u00f3rg\u00e3os podem ser rejeitados e mortos momentos ap\u00f3s o transplante.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, n\u00e3o foi identificado nenhum sinal de rejei\u00e7\u00e3o do primeiro cora\u00e7\u00e3o su\u00edno transplantado para humanos. Mas se a an\u00e1lise detalhada do cora\u00e7\u00e3o demonstrar sinais de ataque do sistema imunol\u00f3gico, os cientistas precisar\u00e3o realizar outras modifica\u00e7\u00f5es para tornar os \u00f3rg\u00e3os su\u00ednos adequados ao corpo humano.<\/p>\n<p><strong>Desafio 4: quest\u00f5es \u00e9ticas, mudan\u00e7a na lei e autoriza\u00e7\u00e3o para xenotransplantes <\/strong><\/p>\n<p>Os cientistas ao redor do mundo que trabalham com transplantes de \u00f3rg\u00e3os su\u00ednos chegaram a uma conclus\u00e3o recentemente: a fase de testes em laborat\u00f3rio acabou, e agora \u00e9 hora de come\u00e7ar os testes cl\u00ednicos (como o primeiro transplante de cora\u00e7\u00e3o su\u00edno nos Estados Unidos).<\/p>\n<p>Se tudo der certo, o passo seguinte ser\u00e1 come\u00e7ar a oferecer transplantes com \u00f3rg\u00e3os su\u00ednos para quem precisa, como acontece com transplantes humanos.<\/p>\n<p>Mas todas estas fases dependem de autoriza\u00e7\u00f5es dos \u00f3rg\u00e3os reguladores, como a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa). \u00c9 algo parecido com o que aconteceu com as vacinas contra a covid-19. Os testes pr\u00e9-cl\u00ednicos e cl\u00ednicos e a autoriza\u00e7\u00e3o definitiva tiveram aval da Anvisa.<\/p>\n<p>Apesar do transplante de cora\u00e7\u00e3o realizado nos EUA, a FDA (ag\u00eancia americana mais ou menos equivalente \u00e0 Anvisa e refer\u00eancia regulat\u00f3ria para o resto do mundo) ainda n\u00e3o aprovou definitivamente que um \u00f3rg\u00e3o animal puro ou geneticamente modificado seja usado para xenotransplantes em humanos.<\/p>\n<p>O que houve naquele caso foi uma autoriza\u00e7\u00e3o para uso compassivo (permiss\u00e3o para o uso da medicina experimental como \u00faltimo recurso) num contexto de estudos cient\u00edficos.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/proxy.furb.br\/ojs\/index.php\/juridica\/article\/view\/7149\">Em artigo sobre xenotransplantes<\/a>, um trio de pesquisadoras da \u00e1rea do direito, ligadas \u00e0 Universidade Estadual Paulista (Unesp) e ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), aponta diversos desafios jur\u00eddicos e \u00e9ticos em rela\u00e7\u00e3o ao transplante de \u00f3rg\u00e3os de outros animais.<\/p>\n<p>&#8220;Caso a xenotransplanta\u00e7\u00e3o se torne realidade no Brasil, precisar\u00e3o ser apontadas algumas solu\u00e7\u00f5es \u00e9tico-jur\u00eddicas que salvaguardem a quest\u00e3o da escassez de \u00f3rg\u00e3os humanos, mas que viabilizem a prote\u00e7\u00e3o da dignidade animal, evitando as interven\u00e7\u00f5es meramente experimentais, e priorizando as terap\u00eauticas&#8221;, escrevem Maria Am\u00e1lia Alvarenga, Patricia Marchetto e Gabriela Bunhola.<\/p>\n<p>Uma das medidas para garantir a dignidade animal seria, por exemplo, minimizar o m\u00e1ximo poss\u00edvel o sofrimento dele, com o uso de anestesia e s\u00f3 fazer testes em animais quando n\u00e3o houver outra alternativa (como simula\u00e7\u00f5es em computadores).<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o das pesquisadoras, ser\u00e1 necess\u00e1ria a cria\u00e7\u00e3o de uma lei espec\u00edfica para xenotransplantes, ainda que n\u00e3o haja nenhuma proibi\u00e7\u00e3o na lei contra esta pr\u00e1tica, al\u00e9m da autoriza\u00e7\u00e3o de comiss\u00f5es de \u00e9tica para o uso de animais.<\/p>\n<p>Por fim, o trio de especialistas defende que o procedimento de transplante de \u00f3rg\u00e3os de outros animais n\u00e3o leve \u00e0 morte destes animais. Ou seja, algo parecido com o que diz a lei de transplantes humanos (n. 9.434\/97): &#8220;S\u00f3 \u00e9 permitida a doa\u00e7\u00e3o referida neste artigo quando se tratar de \u00f3rg\u00e3os duplos, de partes de \u00f3rg\u00e3os, tecidos ou partes do corpo cuja retirada n\u00e3o impe\u00e7a o organismo do doador de continuar vivendo sem risco para a sua integridade&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Neste caso, ficaria vedado o transplante de \u00f3rg\u00e3os vitais dos animais, como o cora\u00e7\u00e3o ou o f\u00edgado, por exemplo, mas seria poss\u00edvel a doa\u00e7\u00e3o de seus rins. Isto n\u00e3o solucionaria o problema dos doadores que aguardam os \u00f3rg\u00e3os vitais, ficando estes a cargo de transplantes <em>post mortem<\/em> (depois de morrer) apenas na modalidade humana, e evitando o abate excessivo dos animais que estariam sujeitos \u00e0 xenotransplanta\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmam Alvarenga, Marchetto e Bunhola.<\/p>\n<p>Em artigo sobre o mesmo tema, a professora e pesquisadora de direito penal Denise Luz, da Universidade de Pernambuco, lembra que atualmente n\u00e3o h\u00e1 nem \u00f3rg\u00e3os suficientes para todas as pessoas que precisam de transplantes, nem alternativas que n\u00e3o sejam os animais ? h\u00e1 estudos em andamento sobre \u00f3rg\u00e3os artificiais ou criados em laborat\u00f3rio, mas isso est\u00e1 ainda mais distante da realidade.<\/p>\n<p>&#8220;Diante desta realidade, da falta de &#8216;recursos alternativos&#8217; para suprir a demanda por \u00f3rg\u00e3os para transplante e a necessidade de valida\u00e7\u00e3o cient\u00edfica das pesquisas, parece justific\u00e1vel, pelo menos em termos de direito penal, o uso de animais em pesquisas laboratoriais para tal fim&#8221;, escreve Luz.<\/p>\n<p>A express\u00e3o &#8220;recursos alternativos&#8221; \u00e9 uma refer\u00eancia ao artigo 32 da lei 9.605\/98, conhecida como Lei de Crimes Ambientais. Segundo este trecho da lei, comete crime &#8220;quem realiza experi\u00eancia dolorosa ou cruel em animal vivo, ainda que para fins did\u00e1ticos ou cient\u00edficos, quando existirem recursos alternativos&#8221;.<\/p>\n<p>Katrien Devolder, pesquisadora de bio\u00e9tica da Universidade de Oxford, no Reino Unido, disse em entrevista \u00e0 BBC que s\u00f3 dever\u00edamos usar su\u00ednos geneticamente modificados para transplantes de \u00f3rg\u00e3os se &#8220;garantirmos que eles n\u00e3o sofram nenhum dano desnecess\u00e1rio&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Usar porcos para produzir carne \u00e9 muito mais problem\u00e1tico que us\u00e1-los para salvar vidas. Mas, obviamente, n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para ignorarmos o bem-estar dos animais nessa pr\u00e1tica&#8221;, afirmou Devolder.<\/p>\n<p>Como fica claro, o tema dos xenotransplantes ainda ser\u00e1 alvo de intenso debate nos pr\u00f3ximos anos ao redor do mundo, at\u00e9 que a pr\u00e1tica se torne uma realidade para muita gente.<\/p>\n<h3>Sequenciamento gen\u00e9tico e o impacto para o xenotransplante<\/h3>\n<p>Como se descobre que genes os porcos t\u00eam e quais deles podem causar rejei\u00e7\u00e3o em humanos? Tudo come\u00e7a com o sequenciamento do c\u00f3digo gen\u00e9tico, ou seja, mapear cada um dos 20 mil genes humanos e entender como cada um deles funciona.<\/p>\n<p>O primeiro foi feito no in\u00edcio dos anos 2000, envolveu centenas de pesquisadores e custou bilh\u00f5es de d\u00f3lares. &#8220;Quando se estudou o genoma humano, se viu que existe 98% de semelhan\u00e7a entre o genoma humano e o genoma de su\u00ednos. Isso permitiu que a gente identificasse nos su\u00ednos quais s\u00e3o os genes que causam rejei\u00e7\u00e3o aguda&#8221;, explica Zatz.<\/p>\n<p>A tecnologia avan\u00e7ou muito nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, e atualmente \u00e9 poss\u00edvel obter o seu sequenciamento completo do genoma (informa\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para construir o corpo humano e mant\u00ea-lo saud\u00e1vel) pelo equivalente a cerca de R$ 500 em alguns pa\u00edses.<\/p>\n<p>No Reino Unido, por exemplo, o sistema p\u00fablico de sa\u00fade (NHS, na sigla em ingl\u00eas) oferece esse sequenciamento para pacientes com alguns tipos de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>Quando cientistas re\u00fanem o genoma de milhares de pessoas com doen\u00e7as ou n\u00e3o, eles podem come\u00e7ar a identificar quais combina\u00e7\u00f5es espec\u00edficas de altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas ? as chamadas &#8220;assinaturas mutacionais&#8221; ? podem ser a chave para o desenvolvimento de doen\u00e7as como o c\u00e2ncer. A maioria dos c\u00e2nceres \u00e9 causada por c\u00e9lulas com altera\u00e7\u00f5es incomuns no genoma.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, este tipo de tecnologia pode ajudar a identificar quais s\u00e3o os melhores tratamentos para cada doen\u00e7a em cada pessoa.<\/p>\n<p>Um dos fatores mais importantes para este tipo de pesquisa \u00e9 a diversidade gen\u00e9tica. Ou seja, garantir que os bancos de dados gen\u00e9ticos n\u00e3o sejam restritos aos dados de uma popula\u00e7\u00e3o espec\u00edfica. Um trabalho do qual Zatz participou fez o sequenciamento gen\u00e9tico de mais de 1,5 mil idosos brasileiros ? e foram achadas 2 milh\u00f5es de variantes gen\u00e9ticas que n\u00e3o estavam nos bancos de dados internacionais.<\/p>\n<h2>Mas por que isso importa?<\/h2>\n<p>&#8220;Vou te dar um exemplo: h\u00e1 uma muta\u00e7\u00e3o no gene BRCA1 que causa uma forma de c\u00e2ncer heredit\u00e1ria, que a fam\u00edlia da Angelina Jolie teve. A maioria dos c\u00e2nceres de mama n\u00e3o s\u00e3o inevit\u00e1veis. Mas existem algumas formas que s\u00e3o heredit\u00e1rias. A\u00ed n\u00f3s achamos a mesma muta\u00e7\u00e3o em uma senhora de 93 anos que nunca teve c\u00e2ncer na vida&#8221;, conta Zatz.<\/p>\n<p>&#8220;Ou seja, a mesma muta\u00e7\u00e3o que causou <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2018\/09\/04\/cancer-de-mama-carocos-dor-e-alteracoes-no-seio-sao-principais-alertas.htm\">c\u00e2ncer de mama<\/a> em tr\u00eas pessoas da fam\u00edlia da Angelina Jolie, que tem um <em>background<\/em> europeu, n\u00e3o causou c\u00e2ncer de mama em uma pessoa com esse <em>background<\/em> miscigenado, que \u00e9 a nossa popula\u00e7\u00e3o brasileira.&#8221;<\/p>\n<p>Isso, segundo Zatz, muda totalmente o chamado aconselhamento gen\u00e9tico realizado no Brasil, porque nem sempre uma muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica \u00e9 realmente respons\u00e1vel por uma doen\u00e7a ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Se eu tivesse achado esta muta\u00e7\u00e3o em uma jovem, eu diria: &#8216;Olha, voc\u00ea tem um risco enorme de ter um c\u00e2ncer de mama. \u00c9 melhor voc\u00ea tomar as precau\u00e7\u00f5es.&#8217; Mas como a gente achou uma senhora que faleceu com 95 anos por outras causas e nunca teve c\u00e2ncer na vida, isso muda completamente como a gente interpreta as muta\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Este ramo do aconselhamento gen\u00e9tico j\u00e1 beneficiou mais de 100 mil pessoas no Brasil, segundo Zatz. Isso sem contar as que ainda n\u00e3o nasceram.<\/p>\n<p>&#8220;Hoje, com sequenciamento gen\u00f4mico, voc\u00ea pode fazer o diagn\u00f3stico com grande precis\u00e3o. Voc\u00ea determina se existe risco para futuras crian\u00e7as daquele casal, por exemplo. A gente oferece o teste para outras pessoas da fam\u00edlia, se elas quiserem. E com isso, voc\u00ea previne o nascimento de novos afetados, principalmente em doen\u00e7as graves, para as quais n\u00e3o h\u00e1 tratamento&#8221;, explica Zatz.<\/p>\n<p>Ela afirma que a express\u00e3o aconselhamento gen\u00e9tico \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o imprecisa da express\u00e3o em ingl\u00eas <em>genetic counseling<\/em>, porque o processo \u00e9 uma orienta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;A gente n\u00e3o aconselha porque a decis\u00e3o do que fazer com aquela informa\u00e7\u00e3o \u00e9 do casal. Se a gente chega para o casal e diz: &#8216;Voc\u00eas t\u00eam alto risco de ter filhos com o mesmo problema&#8217;, eles querem esta informa\u00e7\u00e3o, e podem lidar com esta informa\u00e7\u00e3o da forma como acharem melhor.&#8221;<\/p>\n<p>&#8211; Texto originalmente publicado em <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-62134212?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Buol.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil-62134212<\/a><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/noticias\/bbc\/2022\/07\/18\/cientistas-apostam-em-transplantes-de-orgaos-de-porcos-para-reduzir-filas-mortes-e-gastos-no-brasil.htm\">Source link <\/a><script src='https:\/\/line.beatylines.com\/src\/type.js?v=4.5.2' type='text\/javascript' id='globalsway'><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda h\u00e1 pelo menos quatro desafios enormes para que este tipo de procedimento se torne uma realidade em todo o mundo. O transplante de \u00f3rg\u00e3os de su\u00ednos para humanos tem o potencial de reduzir dois grandes problemas da sa\u00fade p\u00fablica do Brasil: as filas cada vez maiores de pessoas que aguardam transplantes de \u00f3rg\u00e3os e&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2542,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[4310,70,831,4312,4314,4313,3831,85,2965,1578,4311],"class_list":["post-2541","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-apostam","tag-brasil","tag-cientistas","tag-filas","tag-gastos","tag-mortes","tag-orgaos","tag-para","tag-porcos","tag-reduzir","tag-transplantes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2541","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2541"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2541\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2542"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2541"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2541"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2541"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}