{"id":180,"date":"1969-12-31T21:00:00","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/como-as-criancas-estao-sendo-afetadas-pela-covid-longa\/"},"modified":"1969-12-31T21:00:00","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"como-as-criancas-estao-sendo-afetadas-pela-covid-longa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/como-as-criancas-estao-sendo-afetadas-pela-covid-longa\/","title":{"rendered":"Como as crian\u00e7as est\u00e3o sendo afetadas pela covid longa"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"lead\">                Embora a covid-19 seja relativamente leve na maioria das crian\u00e7as, muitas est\u00e3o apresentando sinais de problemas de longo prazo, mesmo quando eram saud\u00e1veis antes da infec\u00e7\u00e3o.\n            <\/p>\n<p>Antes de ficarem doentes, as crian\u00e7as atendidas pelo pediatra Danilo Buonsenso no Hospital Universit\u00e1rio Gemelli, em Roma, na It\u00e1lia, eram ativas e animadas. A maioria praticava esportes e participava de atividades depois da aula na escola, at\u00e9 pegar covid-19.<\/p>\n<p>Meses ap\u00f3s terem aparentemente se recuperado da infec\u00e7\u00e3o viral inicial, as crian\u00e7as seguiram sofrendo com uma s\u00e9rie de sintomas que as impedem de retomar sua vida normal.<\/p>\n<p>&#8220;A maioria das crian\u00e7as que eu vi era completamente saud\u00e1vel antes da covid. Elas praticavam esportes e atividades fora da escola&#8221;, afirma Buonsenso.<\/p>\n<p>&#8220;E, agora, elas n\u00e3o conseguem voltar para sua rotina escolar normal porque t\u00eam <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2019\/04\/30\/dor-de-cabeca-tem-diferentes-tipos-e-causas-veja-como-prevenir-e-tratar.htm\">dor de cabe\u00e7a<\/a> ou dificuldade de concentra\u00e7\u00e3o depois de algumas horas.&#8221;<\/p>\n<p>Buonsenso foi o primeiro m\u00e9dico a pesquisar se as crian\u00e7as seriam vulner\u00e1veis \u00e0 covid longa. Como muitos pediatras, ele observou crian\u00e7as com sintomas persistentes de fadiga, <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2020\/07\/14\/insonia-pode-ser-sintoma-ou-doenca-e-a-solucao-e-quase-sempre-sem-remedios.htm\">ins\u00f4nia<\/a>, dor nas articula\u00e7\u00f5es, problemas respirat\u00f3rios, erup\u00e7\u00f5es na pele e palpita\u00e7\u00f5es card\u00edacas, que podem permanecer por meses depois de debelada a infec\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Buonsenso afirma que \u00e9 fundamental que as crian\u00e7as n\u00e3o sejam deixadas para tr\u00e1s nos estudos de doen\u00e7as p\u00f3s-covid. Ele indica que, da mesma forma que acontece com os adultos, mesmo as crian\u00e7as que s\u00e3o assintom\u00e1ticas ou apresentam a forma leve da doen\u00e7a podem desenvolver problemas duradouros.<\/p>\n<p>Acreditava-se que as crian\u00e7as, de forma geral, seriam menos vulner\u00e1veis aos efeitos de longo prazo da covid-19 e que, quanto mais novas, menor seria o risco. O motivo poderia ser o fato de que as crian\u00e7as mais novas possuem menos receptores ACE2 ? a porta de entrada que o v\u00edrus usa para invadir as nossas c\u00e9lulas pelo nariz e pelo trato respirat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Mas o surgimento da variante \u00f4micron ? que \u00e9 mais infecciosa que as formas anteriores de covid-19 ? e da sua nova subvariante BA.2, aumentou em muito a propor\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as infectadas pelo v\u00edrus.<\/p>\n<p>Segundo um relat\u00f3rio dos Centros de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as dos Estados Unidos, as taxas de interna\u00e7\u00e3o hospitalar por covid-19 entre crian\u00e7as e adolescentes com menos de 17 anos aumentaram rapidamente no fim de dezembro de 2021, quando a variante \u00f4micron come\u00e7ou a se alastrar. Isso foi particularmente observado entre crian\u00e7as de 0 a 4 anos, que ainda n\u00e3o podem ser vacinadas.<\/p>\n<p>Comportamento similar foi verificado no Reino Unido, onde as estat\u00edsticas indicavam, no in\u00edcio de fevereiro de 2022, que havia tido um aumento da propor\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as internadas em hospitais com covid-19 durante a onda de \u00f4micron, especialmente com menos de um ano.<\/p>\n<p>Embora a ampla maioria das crian\u00e7as se recupere rapidamente, os especialistas ainda est\u00e3o preocupados com os primeiros sinais que indicam que as taxas de covid longa entre elas podem estar aumentando.<\/p>\n<p>&#8220;Estamos observando atualmente um crescimento do n\u00famero de crian\u00e7as diagnosticadas com condi\u00e7\u00f5es p\u00f3s-covid&#8221;, afirma Carlos Oliveira, pediatra respons\u00e1vel pelo programa de aten\u00e7\u00e3o p\u00f3s-covid do Hospital Infantil Yale New Haven em Connecticut, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;No nosso hospital, por exemplo, o n\u00famero de crian\u00e7as e adolescentes diagnosticados com condi\u00e7\u00f5es p\u00f3s-covid neste m\u00eas [janeiro] j\u00e1 \u00e9 mais de tr\u00eas vezes superior ao verificado nos meses de ver\u00e3o (do Hemisf\u00e9rio Norte). Outros pa\u00edses est\u00e3o observando tend\u00eancias similares.&#8221;<\/p>\n<p>Isso \u00e9 confirmado pelos dados mais recentes do Escrit\u00f3rio de Estat\u00edsticas Nacionais do Reino Unido, que concluiu que o n\u00famero de crian\u00e7as com menos de 16 anos que relataram apresentar covid longa de qualquer dura\u00e7\u00e3o aumentou de 77 mil em outubro de 2021 para 119 mil em janeiro de 2022.<\/p>\n<p>Para atender a este forte aumento do fluxo de pacientes, o Reino Unido criou 15 centros pedi\u00e1tricos especializados para fornecer tratamento p\u00f3s-covid. Os Estados Unidos e v\u00e1rios outros pa\u00edses est\u00e3o fazendo investimentos similares.<\/p>\n<p>O Hospital Infantil de Los Angeles recebeu US$ 8,3 milh\u00f5es (R$ 39,7 milh\u00f5es) em aux\u00edlio, especificamente para estudar a covid longa em crian\u00e7as e adultos jovens, como parte de uma iniciativa nacional chamada Recover, que pretende desvendar os mist\u00e9rios em torno das sequelas da covid-19.<\/p>\n<p>O risco aparentemente mais alto de covid longa em crian\u00e7as tamb\u00e9m vem sendo usado para defender o aumento da vacina\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as contra a doen\u00e7a. Estudos em adultos associaram a vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do risco de desenvolvimento de <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2021\/02\/04\/saiba-quais-sao-os-principais-sintomas-da-covid-19.htm\">sintomas da covid<\/a> longa.<\/p>\n<p>Mas, enquanto os EUA, o Reino Unido e muitos outros pa\u00edses europeus, como a Fran\u00e7a e a Espanha, est\u00e3o agora vacinando crian\u00e7as de 5 a 11 anos, os imunizantes ainda aguardam autoriza\u00e7\u00e3o para uso em crian\u00e7as com menos de 5 anos.<\/p>\n<p>Mas uma das principais quest\u00f5es continua sendo tentar descobrir o qu\u00e3o comum a covid longa \u00e9 em crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Cientistas da University College de Londres (UCL), no Reino Unido, revelaram recentemente a primeira defini\u00e7\u00e3o padronizada desta condi\u00e7\u00e3o, como sendo um conjunto de sintomas que prejudicam o bem-estar f\u00edsico, mental ou social das crian\u00e7as e persistem por pelo menos 12 semanas ap\u00f3s o primeiro teste positivo para covid-19.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 de que esta defini\u00e7\u00e3o facilite o estudo da evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e seus v\u00e1rios desdobramentos, permitindo que os pesquisadores compreendam precisamente por que muitas crian\u00e7as s\u00e3o afetadas.<\/p>\n<p>Em setembro de 2021, pesquisadores da UCL e da ag\u00eancia governamental de sa\u00fade p\u00fablica Public Health England divulgaram algumas das primeiras respostas concretas, depois de examinarem 3.065 pacientes de 11 a 17 anos que testaram positivo para covid-19 entre janeiro e mar\u00e7o de 2021.<\/p>\n<p>Concluiu-se que de 2% a 14% dos adolescentes ainda sofriam de fadiga, falta de ar e dores de cabe\u00e7a persistentes 15 semanas depois do teste PCR positivo ? em um percentual maior do que um grupo controle que testou negativo para o v\u00edrus.<\/p>\n<p>Na mesma \u00e9poca, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade de Israel publicou uma pesquisa mostrando que 11,2% das crian\u00e7as relataram <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2021\/02\/04\/saiba-quais-sao-os-principais-sintomas-da-covid-19.htm\">sintomas de covid<\/a> longa como parte da sua recupera\u00e7\u00e3o, enquanto de 1,8 a 4,6% continuaram a apresentar sintomas seis meses depois.<\/p>\n<p>Pediatras respons\u00e1veis por cl\u00ednicas p\u00f3s-covid acreditam que a incid\u00eancia, na verdade, varia na faixa de 10%. Mas outros cientistas indicam que os dados s\u00e3o fr\u00e1geis pelo fato de que mais da metade das crian\u00e7as sem covid-19 tamb\u00e9m apresentou dores de cabe\u00e7a, fadiga, dist\u00farbios do sono e problemas de concentra\u00e7\u00e3o durante a pandemia.<\/p>\n<p>Muitas pesquisas sobre sintomas p\u00f3s-covid persistentes em crian\u00e7as n\u00e3o comparam crian\u00e7as infectadas com covid-19 com grupos de controle n\u00e3o infectados, o que poderia gerar uma sobrerrepresenta\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia dos sintomas.<\/p>\n<p>Por isso, muitos cientistas acreditam que ainda s\u00e3o necess\u00e1rios estudos mais rigorosos para determinar com precis\u00e3o o verdadeiro risco da covid longa, particularmente com a variante \u00f4micron. E \u00e9 prov\u00e1vel que, \u00e0 medida que mais crian\u00e7as sejam vacinadas contra covid-19, os n\u00fameros se alterem.<\/p>\n<p>Para Buonsenso, seja qual for a verdadeira incid\u00eancia de covid longa em adolescentes e crian\u00e7as mais novas, o n\u00famero elevado de infec\u00e7\u00f5es pelo v\u00edrus significa que muitas pessoas nesta faixa et\u00e1ria est\u00e3o sofrendo.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo se a incid\u00eancia da covid longa for de 2%, por exemplo, ainda ser\u00e1 um n\u00famero muito alto se considerarmos as centenas de milhares de crian\u00e7as que est\u00e3o contraindo covid&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Por que raz\u00e3o exatamente as crian\u00e7as desenvolvem sintomas da covid longa ainda \u00e9 outro mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Oliveira contou \u00e0 BBC que, em alguns casos, as crian\u00e7as podem apresentar les\u00f5es nos \u00f3rg\u00e3os provocadas pelo Sars-Cov-2, o v\u00edrus causador da covid-19. Ele pode invadir o cora\u00e7\u00e3o ou o p\u00e2ncreas, causando pericardite ou pancreatite ? a inflama\u00e7\u00e3o destes \u00f3rg\u00e3os respectivamente, que pode levar a problemas respirat\u00f3rios e outras complica\u00e7\u00f5es de longo prazo. Mas isso \u00e9 relativamente raro.<\/p>\n<p>H\u00e1 diversas teorias para explicar a ocorr\u00eancia de covid longa em adultos, que v\u00e3o da reativa\u00e7\u00e3o de um v\u00edrus dormente at\u00e9 fragmentos virais persistentes dentro do corpo e rea\u00e7\u00f5es autoimunes induzidas pelo v\u00edrus, com os chamados autoanticorpos se ligando a c\u00e9lulas em diferentes tecidos.<\/p>\n<p>O mesmo poderia acontecer em crian\u00e7as, mas outra ideia que vem sendo considerada como poss\u00edvel mecanismo para a covid longa em crian\u00e7as e adultos \u00e9 o fato de que o v\u00edrus prejudica o sistema circulat\u00f3rio.<\/p>\n<p>&#8220;A hip\u00f3tese mais comentada atualmente s\u00e3o altera\u00e7\u00f5es inflamat\u00f3rias em pequenos vasos sangu\u00edneos, que mais tarde geram dist\u00farbios nos \u00f3rg\u00e3os&#8221;, afirma Jakob Armann, pediatra da Universidade de Tecnologia de Dresden, na Alemanha, que vem coletando amostras de sangue de alunos do ensino m\u00e9dio para tentar identificar as poss\u00edveis causas da covid longa.<\/p>\n<p>&#8220;Mas ainda n\u00e3o h\u00e1 dados confi\u00e1veis em crian\u00e7as para comprovar isso&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Oliveira n\u00e3o est\u00e1 convencido de que os processos que causam a covid longa em crian\u00e7as s\u00e3o sempre iguais aos dos adultos. Um dos motivos \u00e9 o fato de que os perfis dos sintomas s\u00e3o levemente diferentes em adultos e crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Muitos adultos apresentam n\u00e9voa mental e outros problemas neurol\u00f3gicos ? e acredita-se que estes sintomas sejam ocasionados, em alguns casos, pela presen\u00e7a de autoanticorpos (anticorpos que atacam os pr\u00f3prios tecidos do corpo). Mas Oliveira afirma que os principais sintomas da covid longa em crian\u00e7as tendem a ser fadiga, dor de cabe\u00e7a, tontura e dor nas articula\u00e7\u00f5es e nos m\u00fasculos.<\/p>\n<p>&#8220;Digamos que os autoanticorpos sejam a principal causa desta doen\u00e7a. Estes autoanticorpos deveriam ser produzidos independentemente da idade&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>&#8220;Por isso, a incid\u00eancia da covid longa deveria ser a mesma em todas as idades. Mas n\u00e3o \u00e9 o que observamos ? a incid\u00eancia \u00e9 menor nas crian\u00e7as.&#8221;<\/p>\n<p>Oliveira indica um estudo que concluiu que crian\u00e7as pequenas que v\u00e3o ao m\u00e9dico com inflama\u00e7\u00f5es p\u00f3s-covid tendem a ter um biomarcador no sangue que \u00e9 associado ao intestino perme\u00e1vel ? condi\u00e7\u00e3o digestiva que pode permitir que os micr\u00f3bios do intestino se infiltrem na corrente sangu\u00ednea.<\/p>\n<p>Ele sugere que, embora a covid-19 seja predominantemente uma doen\u00e7a respirat\u00f3ria nos adultos, ela pode ser mais um problema gastrointestinal em uma parcela de crian\u00e7as suscept\u00edveis, nas quais as part\u00edculas virais residem no intestino at\u00e9 que sejam reabsorvidas pelo sangue e causem problemas.<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos que crian\u00e7as e adultos podem eliminar DNA do v\u00edrus pelas fezes por v\u00e1rios meses. Por isso, \u00e9 uma ideia razo\u00e1vel que a reexposi\u00e7\u00e3o aos v\u00edrus mortos devido ao intestino perme\u00e1vel acione um processo inflamat\u00f3rio s\u00fabito&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&#8220;Se isso realmente for verdade, poderemos testar crian\u00e7as infectadas para determinar intestino perme\u00e1vel e ver se podemos prever quem \u00e9 mais propenso a ter problemas, o que seria \u00f3timo.&#8221;<\/p>\n<p>Mas, assim como acontece com os adultos, provavelmente existe mais de uma explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Buonsenso est\u00e1 atualmente colaborando com o Instituto Karolinska, na Su\u00e9cia, para observar se as crian\u00e7as com covid longa parecem ter algum dist\u00farbio gen\u00e9tico \u00f3bvio.<\/p>\n<p>J\u00e1 Daniel Munblit, pediatra especializado da Universidade Sechenov, em Moscou, na R\u00fassia, vem investigando se h\u00e1 alguma rela\u00e7\u00e3o entre a susceptibilidade a alergias e a vulnerabilidade \u00e0 covid longa.<\/p>\n<p>Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, uma das principais teorias por tr\u00e1s das alergias \u00e9 um desequil\u00edbrio dos gl\u00f3bulos brancos do sangue, especificamente as c\u00e9lulas Th1 e Th2. As c\u00e9lulas Th1 agem como a primeira linha de defesa contra invasores externos e geram inflama\u00e7\u00f5es em rea\u00e7\u00e3o a pat\u00f3genos, enquanto as c\u00e9lulas Th2 s\u00e3o a segunda linha de resposta e produzem anticorpos.<\/p>\n<p>Em um sistema imunol\u00f3gico funcional, estes dois grupos de c\u00e9lulas trabalham juntos para manter o sistema equilibrado. Mas, em alguns indiv\u00edduos suscept\u00edveis, um grupo se torna dominante, o que pode gerar rea\u00e7\u00f5es excessivas a um v\u00edrus ou outros est\u00edmulos externos, resultando em alergias e outras doen\u00e7as autoimunes.<\/p>\n<p>Munblit acredita que esta poder\u00e1 ser uma poss\u00edvel causa dos sintomas p\u00f3s-covid.<\/p>\n<p>&#8220;Descobrimos que crian\u00e7as com hist\u00f3rico de alergia s\u00e3o mais propensas a desenvolver covid longa&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>&#8220;Mas estou estudando isso com cuidado at\u00e9 termos mais evid\u00eancias, j\u00e1 que infelizmente os pais tendem a exagerar nos relatos de doen\u00e7as al\u00e9rgicas dos filhos, de forma que precisamos de mais estudos.&#8221;<\/p>\n<p>Embora a constata\u00e7\u00e3o de que a covid longa pode afetar as crian\u00e7as tenha assustado pais em todo o mundo, Buonsenso faz quest\u00e3o de tranquilizar as fam\u00edlias. Ele afirma que, na grande maioria dos casos, elas se recuperam em poucos meses, o que significa que n\u00e3o h\u00e1 impacto a longo prazo em sua educa\u00e7\u00e3o e desenvolvimento.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 casos de crian\u00e7as que permanecem doentes por mais de seis meses ap\u00f3s a infec\u00e7\u00e3o inicial. Especialistas do Centro M\u00e9dico Infantil Schneider, em Israel, relataram recentemente casos de crian\u00e7as com covid longa que desenvolveram problemas cr\u00f4nicos, como asma e perda de audi\u00e7\u00e3o, e de beb\u00eas que reverteram seu desenvolvimento, deixando de andar para engatinhar devido \u00e0s dores musculares.<\/p>\n<p>&#8220;Eu diria no momento que de dois ter\u00e7os a tr\u00eas quartos das crian\u00e7as com covid longa se recuperam ap\u00f3s tr\u00eas meses, mas existe um grupo de cerca de 10 a 20% que n\u00e3o se recupera espontaneamente&#8221;, diz Buonsenso.<\/p>\n<p>&#8220;E ainda n\u00e3o sabemos se algumas destas crian\u00e7as v\u00e3o sofrer sequelas por um prazo mais longo, como acontece com o <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2019\/07\/24\/sarampo-sintomas-transmissao-e-duvidas-sobre-o-surto-e-a-vacina.htm\">sarampo<\/a> e outras infec\u00e7\u00f5es virais.&#8221;<\/p>\n<p>Os Institutos Nacionais de Sa\u00fade dos Estados Unidos lan\u00e7aram um estudo que vai rastrear at\u00e9 1 mil crian\u00e7as e jovens adultos que testaram positivo para covid-19 e acompanh\u00e1-los por at\u00e9 tr\u00eas anos, para investigar eventuais consequ\u00eancias de longo prazo para sua sa\u00fade e qualidade de vida.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos tamb\u00e9m est\u00e3o pesquisando se a aplica\u00e7\u00e3o de vacinas contra covid-19 em crian\u00e7as que sofrem de covid longa pode ajudar a reduzir os sintomas, como se observou em adultos. Oliveira afirma que este \u00e9 um tratamento comprovadamente bem-sucedido para algumas crian\u00e7as que ainda possuem part\u00edculas virais em algumas partes do corpo.<\/p>\n<p>&#8220;A ideia \u00e9 que, se existem partes remanescentes do v\u00edrus no corpo, a vacina pode fazer com que elas sejam eliminadas&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&#8220;Atendi diversas crian\u00e7as que tinham sintomas persistentes, e nem todas melhoram. Mas a maioria apresentou resolu\u00e7\u00e3o total ou parcial dos seus sintomas.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Atendi uma crian\u00e7a com fortes dores abdominais por meses, al\u00e9m de outros sintomas como dor de cabe\u00e7a e febre. Depois que ela tomou a vacina, suas dores de cabe\u00e7a e abdominais desapareceram por completo, mas a febre permaneceu. Dois dos tr\u00eas sintomas desaparecerem, para mim \u00e9 uma vit\u00f3ria&#8221;, relata Oliveira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, continua a ser uma quest\u00e3o de tentar aliviar os problemas da melhor forma poss\u00edvel. Alguns sintomas, como tontura, podem ser tratados com medica\u00e7\u00f5es para reduzir os batimentos card\u00edacos, enquanto Oliveira encaminha crian\u00e7as com dores cr\u00f4nicas para especialistas em comportamento cognitivo, que podem tentar ajudar a encontrar formas de lidar com as mesmas.<\/p>\n<p>Outros especialistas esperam que o aumento das pesquisas dedicadas \u00e0 covid longa em crian\u00e7as possa ajudar a esclarecer as complica\u00e7\u00f5es de longo prazo que podem resultar de outras infec\u00e7\u00f5es virais da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Sabe-se, por exemplo, que o v\u00edrus sincicial respirat\u00f3rio (RSV) pode gerar asma, e que os v\u00edrus <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/faq\/gripe-influenza-sintomas-quanto-dura-remedio-e-como-evitar.htm\">Influenza<\/a> e Epstein-Barr tamb\u00e9m podem causar doen\u00e7as cr\u00f4nicas em um pequeno percentual de crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Henry Balfour, especialista em pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Minnesota, nos Estados Unidos, acredita que todas estas condi\u00e7\u00f5es p\u00f3s-virais podem decorrer de fraquezas similares no c\u00f3digo gen\u00e9tico.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que todos esses problemas est\u00e3o relacionados \u00e0s diversas formas de desregula\u00e7\u00e3o imune e podem ter um ancestral comum nos nossos genes que vale a pena ser examinado&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Mas, para muitos pais e m\u00e3es, como Sammie McFarland, que fundou a organiza\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica Long Covid Kids depois que sua filha Kitty, de 15 anos, desenvolveu sintomas de covid longa, tem sido reconfortante ver mais m\u00e9dicos e formuladores de pol\u00edticas levando o problema mais a s\u00e9rio nos \u00faltimos meses.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC em 2021, McFarland contou que, quando descreveu a doen\u00e7a da filha pela primeira vez para uma enfermeira, ouviu que ela queria chamar a aten\u00e7\u00e3o, enquanto muitos outros pais foram informados que os problemas dos filhos eram psicol\u00f3gicos.<\/p>\n<p>&#8220;Isso passou a ser uma preocupa\u00e7\u00e3o desde que o Royal College of Paediatrics and Child Health [organiza\u00e7\u00e3o de pediatras do Reino Unido] publicou um artigo indicando que as fam\u00edlias estavam relatando sintomas aos m\u00e9dicos, com uma discuss\u00e3o sobre doen\u00e7as inventadas&#8221;, diz McFarland.<\/p>\n<p>&#8220;E existe a brigada da positividade t\u00f3xica, que acha que o pensamento positivo cura a covid longa. \u00c9 claro que a positividade desempenha um papel importante em qualquer recupera\u00e7\u00e3o, mas ela n\u00e3o cura \u00f3rg\u00e3os lesionados.&#8221;<\/p>\n<p>Embora a covid longa possa afetar apenas uma parcela relativamente pequena das crian\u00e7as, Buonsenso afirma que, ainda assim, os n\u00fameros s\u00e3o t\u00e3o expressivos que o mundo n\u00e3o pode se dar ao luxo de ignorar seu sofrimento.<\/p>\n<p>&#8220;Sei que \u00e9 menos frequente nas crian\u00e7as, mas acho muito dif\u00edcil fechar os olhos para tantos pacientes que relatam esta condi\u00e7\u00e3o&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>&#8220;Est\u00e1 come\u00e7ando a criar problemas para os sistemas nacionais de sa\u00fade, pois \u00e9 muito caro e complicado cuidar de crian\u00e7as com tantas comorbidades. Vivenciamos problemas de longo prazo no passado com Epstein-Barr e outras infec\u00e7\u00f5es virais, mas a principal diferen\u00e7a agora \u00e9 que milhares de pacientes est\u00e3o lutando para retomar suas vidas.&#8221;<\/p>\n<p>Leia a <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/future\/article\/20220225-are-children-at-risk-of-long-covid?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Buol.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">\u00edntegra desta reportagem<\/a><strong> (em ingl\u00eas) no site <\/strong><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/future?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Buol.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">BBC Future<\/a><strong>.<\/strong><\/p>\n<p>Sabia que a BBC est\u00e1 tamb\u00e9m no Telegram? <a href=\"http:\/\/telegram.me\/bbcbrasil\">Inscreva-se no canal<\/a><strong>.<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 assistiu aos nossos novos v\u00eddeos no <a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UCthbIFAxbXTTQEC7EcQvP1Q\">YouTube<\/a><strong>? 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Antes de ficarem doentes, as crian\u00e7as atendidas pelo pediatra Danilo Buonsenso no Hospital Universit\u00e1rio Gemelli, em Roma, na It\u00e1lia, eram ativas e animadas. 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