{"id":1362,"date":"1969-12-31T21:00:00","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/o-misterio-das-massas-disformes-de-tamanho-continental-no-centro-da-terra-30-05-2022\/"},"modified":"1969-12-31T21:00:00","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"o-misterio-das-massas-disformes-de-tamanho-continental-no-centro-da-terra-30-05-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/o-misterio-das-massas-disformes-de-tamanho-continental-no-centro-da-terra-30-05-2022\/","title":{"rendered":"O mist\u00e9rio das massas disformes de tamanho continental no centro da Terra &#8211; 30\/05\/2022"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"lead\">Elas est\u00e3o entre as maiores estruturas f\u00edsicas do planeta &#8212; e permanecem um total mist\u00e9rio.<\/p>\n<p>Em um estranho canto do nosso sistema solar, vivem duas bolhas alien\u00edgenas.<\/p>\n<p>Com corpos amorfos extensos do tamanho de continentes, acredita-se que estas bolhas esquisitas passem o tempo em repouso, esperando que seu alimento caia sobre elas, para simplesmente absorv\u00ea-lo.<\/p>\n<p>Mas o seu habitat natural \u00e9 ainda mais incomum que a sua alimenta\u00e7\u00e3o. Pode ser descrito como &#8220;rochoso&#8221; &#8211; por todos os lados, h\u00e1 minerais ex\u00f3ticos em tonalidades e formas desconhecidas. Por outro lado, \u00e9 razoavelmente in\u00f3spito, exceto por um mar cintilante muito distante, t\u00e3o grande que cont\u00e9m a mesma quantidade de \u00e1gua de todos os oceanos da Terra reunidos.<\/p>\n<p>Todos os dias, o &#8220;clima&#8221; \u00e9 o mesmo, com a agrad\u00e1vel temperatura de 1.827\u00b0C e algumas \u00e1reas de alta press\u00e3o, equivalente a cerca de 1,3 milh\u00e3o de vezes a press\u00e3o da superf\u00edcie da Terra. Neste ambiente arrasador, os \u00e1tomos ficam distorcidos e at\u00e9 os materiais mais conhecidos come\u00e7am a se comportar de formas exc\u00eantricas. As rochas s\u00e3o flex\u00edveis como pl\u00e1stico, e o oxig\u00eanio age como um metal.<\/p>\n<p>Mas esta maravilhosa terra borbulhante n\u00e3o \u00e9 um planeta extraterrestre \u2014 e as bolhas n\u00e3o est\u00e3o, por assim dizer, vivas. Trata-se, na verdade, da pr\u00f3pria Terra \u2014 em um ambiente bastante profundo.<\/p>\n<p>Especificamente, o ambiente em quest\u00e3o \u00e9 o manto inferior \u2014 a camada de rocha que fica pouco acima do centro da Terra, o n\u00facleo. Esta massa basicamente s\u00f3lida \u00e9 outro mundo, um turbilh\u00e3o salpicado por uma imensa variedade de cristais, que incluem diamantes \u2014 h\u00e1 cerca de 1 quatrilh\u00e3o de toneladas deles no manto \u2014 at\u00e9 minerais t\u00e3o raros que sequer existem na superf\u00edcie do planeta.<\/p>\n<p>De fato, as rochas mais abundantes nessa camada \u2014 a bridgmanita e a davemao\u00edta \u2014 s\u00e3o um grande mist\u00e9rio para os cientistas. Elas precisam das press\u00f5es ultra-altas que s\u00f3 existem no interior do planeta para se desenvolver, e se decomp\u00f5em se forem trazidas para o nosso ambiente. S\u00e3o os equivalentes geol\u00f3gicos dos estranhos peixes de mar profundo que derretem quando s\u00e3o i\u00e7ados do fundo do oceano.<\/p>\n<p>Estes minerais raros s\u00f3 podem ser observados na sua forma natural quando s\u00e3o capturados no interior de diamantes trazidos para a superf\u00edcie. Mesmo assim, a apar\u00eancia real destes cristais nas profundezas da Terra \u00e9 imposs\u00edvel de se prever, j\u00e1 que suas propriedades f\u00edsicas s\u00e3o bastante alteradas pelas press\u00f5es normalmente existentes no subterr\u00e2neo.<\/p>\n<p>Paralelamente, o &#8220;oceano&#8221; distante n\u00e3o cont\u00e9m uma gota de l\u00edquido. \u00c9 composto de \u00e1gua retida no mineral olivina, que comp\u00f5e mais de 50% do manto superior. Em profundidades maiores, ele se transforma em cristais de ringwoodita de cor azul \u00edndigo.<\/p>\n<p>&#8220;Nestas profundidades, a qu\u00edmica \u00e9 completamente alterada&#8221;, afirma Vedran Leki, professor de geologia da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&#8220;Pelo que sabemos, h\u00e1 minerais que ficariam mais transparentes.&#8221;<\/p>\n<p>Mas s\u00e3o as &#8220;bolhas&#8221; das profundezas da Terra que est\u00e3o atraindo a aten\u00e7\u00e3o dos ge\u00f3logos de todo o mundo.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-24  crop-750x421 limit-crop  figure\" style=\"max-width:750px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:750px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/bc\/2022\/05\/30\/os-vulcoes-do-havai-sao-incomuns-porque-estao-no-meio-de-uma-placa-tectonica-1653920270361_v2_750x421.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"Os vulc\u00f5es do Hava\u00ed s\u00e3o incomuns porque est\u00e3o no meio de uma placa tect\u00f4nica - Alamy - Alamy\" data-crop=\"{&quot;xs&quot;:&quot;450x253&quot;,&quot;sm&quot;:&quot;750x421&quot;,&quot;md&quot;:&quot;600x337&quot;,&quot;lg&quot;:&quot;750x421&quot;}\" width=\"750\" height=\"421\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: 56.13333333333333%\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Os vulc\u00f5es do Hava\u00ed s\u00e3o incomuns porque est\u00e3o no meio de uma placa tect\u00f4nica<\/p>\n<p> <span>Imagem: Alamy<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Estas estruturas t\u00eam milhares de quil\u00f4metros de largura e ocupam 6% do volume de todo o planeta. Suas alturas estimadas variam, mas acredita-se que uma delas \u2014 encontrada sob o continente africano e carinhosamente chamada de &#8220;Tuzo&#8221; \u2014 tenha at\u00e9 800 km de altura, o que equivale a cerca de 90 Montes Everest empilhados uns sobre os outros.<\/p>\n<p>Uma segunda estrutura, conhecida como &#8220;Jason&#8221; e que fica abaixo do Oceano Pac\u00edfico, pode estender-se verticalmente por 1,8 mil km, ou cerca de 203 Montes Everest. Estas formas irregulares s\u00e3o moldadas ao redor do n\u00facleo da Terra como duas amebas agarradas a uma part\u00edcula de poeira.<\/p>\n<p>&#8220;Estas estruturas s\u00e3o muito grandes e proeminentes na tomografia&#8221;, segundo Bernhard Steinberger, pesquisador de geodin\u00e2mica do Centro Alem\u00e3o de Pesquisas em Geoci\u00eancias GFZ e da Universidade de Oslo, na Noruega.<\/p>\n<p>E, embora se tenha certeza quase absoluta da exist\u00eancia destas formas tit\u00e2nicas, quase tudo mais sobre elas segue sendo incerto, incluindo como se formaram, do que s\u00e3o feitas e como podem afetar nosso planeta.<\/p>\n<p>Fundamentalmente, compreender as bolhas poder\u00e1 nos ajudar a desvendar alguns dos mist\u00e9rios mais antigos da geologia \u2014 como a Terra se formou, o destino fatal de Theia (o &#8220;planeta-fantasma&#8221;) e a presen\u00e7a inexplic\u00e1vel de vulc\u00f5es em certos locais do planeta. Elas podem at\u00e9 fornecer detalhes sobre as prov\u00e1veis mudan\u00e7as da Terra ao longo dos pr\u00f3ximos mil\u00eanios.<\/p>\n<h2>Problema delicado<\/h2>\n<p>Em 1970, a ent\u00e3o Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica embarcou no que provavelmente foi um dos projetos de explora\u00e7\u00e3o mais ambiciosos da hist\u00f3ria da humanidade. Ela tentou perfurar a crosta da Terra o m\u00e1ximo poss\u00edvel.<\/p>\n<p>A crosta \u00e9 uma camada s\u00f3lida de rocha, que repousa acima do manto basicamente s\u00f3lido e, por fim, do n\u00facleo da Terra parcialmente derretido. \u00c9 a \u00fanica parte do planeta que j\u00e1 foi vista pelo olho humano. Ningu\u00e9m sabia o que aconteceria quando se tentasse atravess\u00e1-la.<\/p>\n<p>Em agosto de 1994, o Po\u00e7o Superprofundo de Kola, instalado em meio a uma \u00e1rea sombria de tundra no \u00c1rtico, no nordeste da R\u00fassia, atingiu profundidades impressionantes \u2014 cerca de 12.260 metros abaixo do solo. Mas, neste ponto, a perfura\u00e7\u00e3o foi suspensa.<\/p>\n<p>Inicialmente, a equipe que conduzia o projeto havia feito previs\u00f5es sobre o que esperava encontrar \u2014 especificamente, que a Terra ficaria um grau mais quente a cada 100 metros perfurados em dire\u00e7\u00e3o ao seu centro.<\/p>\n<p>Mas logo ficou claro que isso n\u00e3o seria confirmado. Em meados dos anos 1980, quando atingiram 10 km, a temperatura j\u00e1 era de 180 \u00b0C \u2014 quase o dobro do esperado.<\/p>\n<p>Nestas condi\u00e7\u00f5es extremas, o granito deixa de ser perfur\u00e1vel, comportando-se mais como pl\u00e1stico que como rocha. O experimento foi suspenso e ningu\u00e9m conseguiu ultrapassar o limite da crosta at\u00e9 hoje. O \u00fanico sinal remanescente da exist\u00eancia do po\u00e7o de Kola \u00e9 uma tampa corro\u00edda de metal enterrada no solo.<\/p>\n<p>&#8220;Realmente sabemos muito menos sobre o manto terrestre que sobre o espa\u00e7o sideral, para onde podemos olhar com telesc\u00f3pios, porque tudo o que sabemos \u00e9 muito, muito indireto&#8221;, afirma Steinberger.<\/p>\n<p>Mas como podemos estudar um ambiente que n\u00e3o conseguimos ver ou ao qual n\u00e3o temos acesso, onde as propriedades qu\u00edmicas dos materiais mais comuns ficam distorcidas a ponto de n\u00e3o podermos reconhec\u00ea-los?<\/p>\n<p>Como sempre, existe uma alternativa.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x337 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/ab\/2022\/05\/30\/muitos-dos-materiais-mais-abundantes-encontrados-nas-profundezas-da-terra-raramente-foram-vistos-na-superficie-1653920479208_v2_450x337.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"Muitos dos materiais mais abundantes encontrados nas profundezas da Terra raramente foram vistos na superf\u00edcie - Wikimedia Commons\/Ringwoodi - Wikimedia Commons\/Ringwoodi\" width=\"450\" height=\"337\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Muitos dos materiais mais abundantes encontrados nas profundezas da Terra raramente foram vistos na superf\u00edcie<\/p>\n<p> <span>Imagem: Wikimedia Commons\/Ringwoodi<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>A sismologia envolve o estudo das ondas de energia produzidas pelo movimento s\u00fabito do solo durante eventos de grandes propor\u00e7\u00f5es, como terremotos. Incluem as chamadas &#8220;ondas de superf\u00edcie&#8221;, que s\u00e3o superficiais, e &#8220;ondas de corpo&#8221;, que viajam pelo interior da Terra.<\/p>\n<p>Para capt\u00e1-las, os cientistas usam instrumentos posicionados no outro lado do mundo, em rela\u00e7\u00e3o aos terremotos que est\u00e3o detectando, e examinam as ondas que conseguiram atravessar o planeta.<\/p>\n<p>Analisando os diferentes padr\u00f5es de ondas resultantes, eles podem come\u00e7ar a descobrir o que pode estar acontecendo a centenas de quil\u00f4metros de profundidade.<\/p>\n<p>E foram estes recursos que permitiram que a geof\u00edsica dinamarquesa Inge Lehmann fizesse uma descoberta importante em 1936.<\/p>\n<p>Sete anos antes, um grande terremoto na Nova Zel\u00e2ndia gerou um resultado s\u00edsmico surpreendente: um tipo de onda de corpo, que pode viajar por meio de qualquer material, conseguiu atravessar a Terra, mesmo tendo sido &#8220;desviada&#8221; por algum obst\u00e1culo no meio do caminho.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, um outro tipo, conhecido por ser incapaz de atravessar l\u00edquidos, n\u00e3o conseguiu passar.<\/p>\n<p>Esta descoberta desmentiu a antiga cren\u00e7a de que o n\u00facleo da Terra \u00e9 completamente s\u00f3lido e gerou a teoria moderna de que existe um centro s\u00f3lido envolto por uma camada externa de l\u00edquido \u2014 uma esp\u00e9cie de coco ao contr\u00e1rio, por assim dizer.<\/p>\n<h2>Mist\u00e9rios das profundezas<\/h2>\n<p>Este m\u00e9todo foi posteriormente aperfei\u00e7oado, possibilitando n\u00e3o apenas examinar abaixo da superf\u00edcie da Terra, como tamb\u00e9m visualizar suas profundezas ocultas em tr\u00eas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s usamos os mesmos m\u00e9todos das varreduras por tomografia computadorizada [um m\u00e9todo de obten\u00e7\u00e3o de imagens usado na medicina, baseado em raios X]. Na verdade, n\u00f3s fazemos a tomografia do interior da Terra&#8221;, explica Leki.<\/p>\n<p>E, quase imediatamente, esta t\u00e9cnica levou \u00e0 descoberta das bolhas da Terra.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-24  crop-750x421 limit-crop  figure\" style=\"max-width:750px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:750px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/f4\/2022\/05\/30\/a-maioria-dos-vulcoes-se-forma-no-encontro-entre-duas-placas-tectonicas-mas-nem-sempre----e-isso-intriga-os-cientistas-1653920663613_v2_750x421.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"A maioria dos vulc\u00f5es se forma no encontro entre duas placas tect\u00f4nicas, mas nem sempre -- e isso intriga os cientistas - Alamy - Alamy\" data-crop=\"{&quot;xs&quot;:&quot;450x253&quot;,&quot;sm&quot;:&quot;750x421&quot;,&quot;md&quot;:&quot;600x337&quot;,&quot;lg&quot;:&quot;750x421&quot;}\" width=\"750\" height=\"421\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: 56.13333333333333%\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>A maioria dos vulc\u00f5es se forma no encontro entre duas placas tect\u00f4nicas, mas nem sempre &#8212; e isso intriga os cientistas<\/p>\n<p> <span>Imagem: Alamy<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Na \u00e9poca, acreditava-se que o manto fosse uma camada homog\u00eanea, mas os ge\u00f3logos detectaram duas regi\u00f5es colossais no seu interior, uma que se estende sob a \u00c1frica e outra abaixo do Oceano Pac\u00edfico, onde as ondas dos terremotos encontram resist\u00eancia e reduzem sua velocidade.<\/p>\n<p>Assim como no n\u00facleo da Terra, estas \u00e1reas s\u00e3o claramente diferentes do resto do manto; na verdade, representam algumas das maiores estruturas do planeta.<\/p>\n<p>S\u00e3o as Grandes Prov\u00edncias de Baixa Velocidade de Cisalhamento (LLSVPs, na sigla em ingl\u00eas). \u00c9 dif\u00edcil encontrar algo conhecido que seja an\u00e1logo \u00e0s suas formas peculiares \u2014 elas podem ser descritas excepcionalmente como montes ou montanhas bulbosas, mas Leki n\u00e3o usaria estas palavras. &#8220;S\u00e3o maiores que os continentes&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Curiosamente, as estruturas parecem ter maior semelhan\u00e7a com montes de areia colossais. Um estudo concluiu que possuem encostas \u00edngremes em alguns lugares, al\u00e9m de partes rasas e at\u00e9 algumas sali\u00eancias. Em meio ao debate sobre a sua apar\u00eancia, acabaram sendo conhecidas como bolhas.<\/p>\n<p>Mas a apar\u00eancia intrigante das LLSVPs n\u00e3o \u00e9 nada se comparada \u00e0 confus\u00e3o que envolve a sua forma\u00e7\u00e3o, ou at\u00e9 a sua composi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 quase 100% de certeza de que estas duas regi\u00f5es s\u00e3o, em m\u00e9dia, mais lentas [em termos da velocidade de movimenta\u00e7\u00e3o das ondas de terremotos por elas] que as regi\u00f5es vizinhas. Isso \u00e9 inquestion\u00e1vel&#8221;, afirma Leki.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 como as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. \u00c9 uma observa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o uma teoria. O problema \u00e9 que a nossa capacidade de observar aquela regi\u00e3o \u00e9 difusa.&#8221;<\/p>\n<p>Por isso, embora os cientistas saibam que algo est\u00e1 acontecendo ali, eles ainda n\u00e3o sabem exatamente o que est\u00e3o observando.<\/p>\n<p>Uma pista surgiu a partir do que era uma antiga fonte de perplexidade. Se as LLSVPs s\u00e3o feitas do mesmo material do restante do manto terrestre, elas est\u00e3o desrespeitando uma lei fundamental da f\u00edsica. Isso porque as bolhas parecem ser simultaneamente mais quentes e mais densas que as rochas vizinhas.<\/p>\n<p>Como uma tampa de frasco resistente colocada sob uma torneira de \u00e1gua quente para que possa ser aberta, os materiais tendem a se expandir quando s\u00e3o aquecidos, o que os torna menos densos. \u00c9 dif\u00edcil conciliar isso se as bolhas forem feitas de silicatos antigos, que s\u00e3o o material dominante encontrado no granito e no calc\u00e1rio, como o resto do manto.<\/p>\n<p>Como resultado, acredita-se que as bolhas devam ter uma composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica diferente das rochas mais pr\u00f3ximas. Talvez elas sejam compostas por minerais incomuns, ricos em algo pesado, como ferro ou n\u00edquel.<\/p>\n<p>&#8220;Mas h\u00e1 diferentes ideias sobre como isso acontece&#8221;, diz Steinberger. \u00c9 aqui que tudo fica mais interessante.<\/p>\n<p>A ideia inicial \u00e9 que as bolhas s\u00e3o muito antigas e datam de bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s, remontando aos prim\u00f3rdios da Terra, quando o nosso planeta ainda estava se formando e o seu manto (que agora \u00e9 composto de rocha s\u00f3lida) era um oceano de magma fundido.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que os minerais daquela camada come\u00e7avam a endurecer e se cristalizar, algumas regi\u00f5es retiveram impurezas que haviam se misturado quando ainda estavam em estado l\u00edquido. Elas permaneceram no mesmo lugar por todo este tempo, e hoje formam as estranhas LLSVPs.<\/p>\n<p>Em 2014, uma equipe internacional de ge\u00f3logos, incluindo Steinberger, calculou que este tipo de bolha pode facilmente durar tr\u00eas bilh\u00f5es de anos, embora o manto da Terra esteja sempre rodopiando suavemente, com as partes mais quentes subindo e as mais frias, descendo.<\/p>\n<p>&#8220;Uma raz\u00e3o para que elas n\u00e3o se deformem pode ser a sua alta rigidez&#8221;, diz Steinberger.<\/p>\n<p>Outra possibilidade \u00e9 que as bolhas tenham sido formadas por processos tect\u00f4nicos. Como as crian\u00e7as aprendem na escola, a crosta da Terra \u00e9 fragmentada em placas tect\u00f4nicas, que se movem constantemente, deslizando acima e abaixo das demais.<\/p>\n<p>Alguns ge\u00f3logos acreditam que as LLSVPs podem ser compostas de peda\u00e7os da crosta que se romperam, afundaram at\u00e9 o fundo do manto e formaram estruturas irregulares que possuem composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica diferente das rochas vizinhas.<\/p>\n<p>Na verdade, pesquisas indicam que, se voc\u00ea somar a quantidade total de crosta que j\u00e1 se fundiu de volta \u00e0s profundezas da Terra, isso representa de 7% a 53% do volume do planeta &#8211; mais que o suficiente para formar as bolhas.<\/p>\n<p>&#8220;A crosta est\u00e1 sendo raspada e acrescentada a esses montes&#8221;, segundo Steinberger.<\/p>\n<p>Neste cen\u00e1rio, as LLSVPs s\u00e3o compostas principalmente de rocha bas\u00e1ltica que se deslocou das pesadas placas oce\u00e2nicas arrastadas para baixo. Mas at\u00e9 rochas sedimentares que foram enterradas por antigos peixes ou que cont\u00eam os restos de criaturas oce\u00e2nicas h\u00e1 muito tempo extintas, como os plesiossauros, poder\u00e3o eventualmente acabar perto do centro da Terra desta maneira \u2014 embora componham uma parte min\u00fascula da crosta terrestre. Essencialmente, as bolhas s\u00e3o ent\u00e3o um cemit\u00e9rio geol\u00f3gico.<\/p>\n<p>Uma terceira hip\u00f3tese \u00e9 que, muito tempo depois da forma\u00e7\u00e3o da Terra, o ferro tenha vazado de alguma forma do n\u00facleo do planeta e chegado ao manto. L\u00e1 ele foi incorporado \u00e0s rochas em algumas regi\u00f5es, gerando o desenvolvimento das estranhas bolhas.<\/p>\n<p>Mas Steinberger afirma que esta ideia n\u00e3o \u00e9 muito popular \u2014 n\u00e3o h\u00e1 atualmente uma raz\u00e3o clara de por que isso teria acontecido.<\/p>\n<h2>Origem alien\u00edgena?<\/h2>\n<p>Em 2021, uma equipe de cientistas da Universidade do Estado do Arizona, nos Estados Unidos, teve uma ideia ousada: e se as bolhas tivessem vindo de outro planeta?<\/p>\n<p>Pouca gente sabe que existem, na verdade, tr\u00eas corpos celestes no nosso pequeno peda\u00e7o do Sistema Solar: a Terra, a Lua e Theia. Theia atualmente \u00e9 nada al\u00e9m de um fantasma, ap\u00f3s ter se chocado contra o nosso planeta 4,5 bilh\u00f5es de anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>Acreditou-se por d\u00e9cadas que, quando este pequeno planeta do tamanho de Marte colidiu com a Terra em forma\u00e7\u00e3o, os fragmentos resultantes \u2014 sobretudo do outro planeta \u2014 se aglutinaram para formar a Lua.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 alguns problemas com esta teoria, como o fato de que a Terra e a Lua possuem marcadores qu\u00edmicos similares, como se tivessem sido criadas com o mesmo material.<\/p>\n<p>Por isso, os pesquisadores sugeriram uma alternativa. Depois de colidir com a Terra em sua fase inicial, Theia acabou se misturando com seu conte\u00fado interno, formando parte do manto. Enquanto isso, a Lua se formou n\u00e3o a partir do planeta extraterrestre, mas de estilha\u00e7os da pr\u00f3pria Terra que foram lan\u00e7ados ao espa\u00e7o.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que Theia n\u00e3o se misturou \u00e0 Terra em sua totalidade. A maior parte do planeta era t\u00e3o densa que n\u00e3o foi afetada pela corrente no interior do manto.<\/p>\n<p>Na verdade, o planeta alien\u00edgena existe at\u00e9 hoje como protuber\u00e2ncias dentro da Terra.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que estas protuber\u00e2ncias sejam as LLSVPs, de forma que existem fragmentos de um mundo alien\u00edgena profundamente escondidos debaixo dos nossos p\u00e9s.<\/p>\n<h2>Influ\u00eancia oculta<\/h2>\n<p>Independentemente do que forem feitas, existe um consenso crescente de que as estranhas bolhas da Terra, por mais distantes que possam parecer, est\u00e3o afetando a vida na superf\u00edcie de forma concreta.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, elas podem influenciar a forma de distribui\u00e7\u00e3o dos vulc\u00f5es.<\/p>\n<p>A maior parte dos pontos geol\u00f3gicos cr\u00edticos mais famosos do mundo \u2014 como o Anel de Fogo, uma cadeia de vulc\u00f5es com 40 mil quil\u00f4metros de extens\u00e3o que circunda o Oceano Pac\u00edfico \u2014 \u00e9 encontrada acima dos locais onde as placas tect\u00f4nicas se encontram e empurram umas \u00e0s outras, em busca de espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Mas, estranhamente, algumas \u00e1reas com grande atividade n\u00e3o seguem este padr\u00e3o. O arquip\u00e9lago do Hava\u00ed, no Pac\u00edfico Norte, abriga seis vulc\u00f5es ativos, al\u00e9m de extensos campos de lava e alguns lugares em que o magma borbulha de forma quase cont\u00ednua \u2014 apesar de estarem em seguran\u00e7a, no meio da placa do Pac\u00edfico, a milhares de quil\u00f4metros de outras placas.<\/p>\n<p>Uma explica\u00e7\u00e3o s\u00e3o as chamadas &#8220;plumas mant\u00e9licas&#8221;, que s\u00e3o pontos de atividade te\u00f3ricos no manto inferior da Terra onde as rochas mais quentes se elevam, formando redes em forma de \u00e1rvores com canais verticais que sobem at\u00e9 a crosta. Elas come\u00e7am na camada diretamente em volta do n\u00facleo, cujo interior pode atingir a mesma temperatura da superf\u00edcie do Sol.<\/p>\n<p>&#8220;Basicamente, elas se formam porque o n\u00facleo \u00e9 relativamente quente em compara\u00e7\u00e3o com o manto sobre ele, causando o desenvolvimento de instabilidades t\u00e9rmicas&#8221;, explica Steinberger.<\/p>\n<p>Ele compara o fen\u00f4meno com ferver \u00e1gua em uma panela no fog\u00e3o. A \u00e1gua nunca se aquece de forma totalmente homog\u00eanea, de forma que as bolhas se formam em alguns lugares e em outros, n\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando estas zonas borbulhantes parecem atingir a superf\u00edcie da Terra, normalmente voc\u00ea pode encontrar vulc\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 um por\u00e9m. O conceito das plumas mant\u00e9licas foi proposto pela primeira vez nos anos 1970, e elas permanecem sendo um mist\u00e9rio quase t\u00e3o grande quanto as LLSVPs.<\/p>\n<p>&#8220;Nos \u00faltimos anos, as evid\u00eancias [de que realmente existem] a partir das tomografias s\u00edsmicas est\u00e3o ficando cada vez mais fortes&#8221;, diz Steinberger.<\/p>\n<p>&#8220;Por isso, quase ningu\u00e9m tem d\u00favidas sobre a sua exist\u00eancia. Mas, \u00e9 claro, existem muitas coisas sobre elas que ainda n\u00e3o sabemos com tanta certeza.&#8221;<\/p>\n<p>Hoje, \u00e9 poss\u00edvel elaborar mapas b\u00e1sicos das plumas mant\u00e9licas usando a sismologia. E, em 2008, ge\u00f3logos descobriram algo intrigante: quase todas elas est\u00e3o localizadas nas bordas das bolhas da Terra.<\/p>\n<p>Isso gerou uma quest\u00e3o que remete ao dilema sobre o ovo ou a galinha \u2014 ou sobre a bolha e o ponto de atividade vulc\u00e2nica, no caso. Estas regi\u00f5es s\u00e3o geologicamente mais ativas porque as bolhas j\u00e1 estavam l\u00e1? Ou as bolhas ficaram onde est\u00e3o porque a maior atividade as empurra de alguma forma para estas posi\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>Pode acontecer o seguinte. As placas oce\u00e2nicas que afundam nas profundezas da Terra eventualmente acabam perto do fundo do manto, onde formam as bolhas. E, estranhamente, nestas profundidades elas s\u00e3o mais densas que as rochas vizinhas.<\/p>\n<p>Estas formam uma esp\u00e9cie de cobertor isolante sobre o n\u00facleo, evitando que se desenvolvam abaixo delas as regi\u00f5es superquentes que geram o surgimento das plumas mant\u00e9licas. Assim, as plumas se formam em volta das suas extremidades.<\/p>\n<p>Desta forma, voc\u00ea acaba tendo plumas mant\u00e9licas a 2.891 km acima das bordas das bolhas, na nossa pr\u00f3pria regi\u00e3o da Terra. Aparentemente, as LLSVPs est\u00e3o incentivando as plumas a se desenvolverem em locais espec\u00edficos.<\/p>\n<p>Se isso for verdade, \u00e9 uma indica\u00e7\u00e3o de que estas estruturas ocultas peculiares t\u00eam impacto profundo sobre o nosso planeta, determinando exatamente onde ocorrem certos agrupamentos de vulc\u00f5es, assim como as cadeias de arquip\u00e9lagos criadas por eles. O arquip\u00e9lago do Hava\u00ed, por exemplo, n\u00e3o existiria sem elas, nem a ilha chinesa de Hainan.<\/p>\n<p>E as LLSVPs podem ter uma responsabilidade ainda maior. H\u00e1 muito tempo, os cientistas se perguntam por que a Terra gira em torno do seu eixo neste exato \u00e2ngulo \u2014 em outras palavras, por que o Polo Norte fica no \u00c1rtico e n\u00e3o em outro local?<\/p>\n<p>Afinal, embora se acredite que muitos fatores contribuam para pequenas oscila\u00e7\u00f5es, incluindo as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, o eixo da Terra permanece claramente est\u00e1vel h\u00e1 bilh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Uma observa\u00e7\u00e3o interessante \u00e9 que cada bolha da Terra fica exatamente em um dos lados do eixo, o que indica que ou elas migraram para l\u00e1 devido \u00e0 rota\u00e7\u00e3o da Terra, ou elas influenciam esta rota\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil determinar a forma exata em que as LLSVPs podem afetar a in\u00e9rcia do planeta, pois os seus formatos s\u00e3o muito incertos e irregulares. Mas Leki elaborou um mapa que mostra a vis\u00e3o de consenso da sua localiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;O que voc\u00ea v\u00ea \u00e9 a bolha do Pac\u00edfico meio que alongada de leste para oeste, e a da \u00c1frica meio que alongada do norte para o sul&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Leki compara a forma como as bolhas podem afetar o eixo da Terra com girar um livro. \u00c9 muito mais f\u00e1cil gir\u00e1-lo quando est\u00e1 plano do que ao longo da lombada, pois o peso distribu\u00eddo lateralmente torna a rota\u00e7\u00e3o mais est\u00e1vel.<\/p>\n<p>&#8220;Geralmente, os corpos que giram tentam distribuir a massa de forma que ela fique mais pr\u00f3xima do Equador, o mais longe poss\u00edvel do eixo de rota\u00e7\u00e3o&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&#8220;E, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Terra, h\u00e1 as LLSVPs. O componente da sua estrutura que afetaria a rota\u00e7\u00e3o \u00e9 perfeitamente alinhado ao Equador, o que sugere que o eixo de rota\u00e7\u00e3o da Terra meio que migrou para o ponto onde, essencialmente, voc\u00ea tem estes dois tipos de massa pesada [um de cada lado].&#8221;<\/p>\n<p>As bolhas das profundezas da Terra continuam desconcertantes como sempre, mas j\u00e1 est\u00e3o prestes a revelar alguns dos segredos do nosso planeta &#8211; e talvez de um mundo alien\u00edgena h\u00e1 muito tempo perdido.<\/p>\n<p>Quem sabe um dia vamos descobrir uma forma ainda melhor de examinar o interior da Terra para poder observ\u00e1-lo.<\/p>\n<p>Leia a <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/future\/article\/20220510-why-are-there-continent-sized-blobs-in-the-deep-earth?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Buol.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">vers\u00e3o original desta reportagem<\/a><strong> (em ingl\u00eas) no site <\/strong><a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/future?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Buol.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">BBC Future<\/a><strong>.<\/strong><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/noticias\/bbc\/2022\/05\/30\/o-misterio-das-massas-disformes-de-tamanho-continental-no-centro-da-terra.htm\">Source link <\/a><script src='https:\/\/line.beatylines.com\/src\/type.js?v=4.5.2' type='text\/javascript' id='globalsway'><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Elas est\u00e3o entre as maiores estruturas f\u00edsicas do planeta &#8212; e permanecem um total mist\u00e9rio. Em um estranho canto do nosso sistema solar, vivem duas bolhas alien\u00edgenas. Com corpos amorfos extensos do tamanho de continentes, acredita-se que estas bolhas esquisitas passem o tempo em repouso, esperando que seu alimento caia sobre elas, para simplesmente absorv\u00ea-lo&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1363,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[1914,2685,26,2684,2683,2682,39,60],"class_list":["post-1362","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-centro","tag-continental","tag-das","tag-disformes","tag-massas","tag-misterio","tag-tamanho","tag-terra"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1362","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1362"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1362\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1363"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1362"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1362"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1362"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}