{"id":1005,"date":"1969-12-31T21:00:00","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/os-mitos-e-a-realidade-das-amizades-no-seculo-21-16-05-2022\/"},"modified":"1969-12-31T21:00:00","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"os-mitos-e-a-realidade-das-amizades-no-seculo-21-16-05-2022","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/os-mitos-e-a-realidade-das-amizades-no-seculo-21-16-05-2022\/","title":{"rendered":"Os mitos e a realidade das amizades no s\u00e9culo 21 &#8211; 16\/05\/2022"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"lead\">Durante os lockdowns impostos em decorr\u00eancia da pandemia de covid-19, observei como meus filhos responderam ao fato de que n\u00e3o podiam mais ver seus amigos pessoalmente. N\u00e3o havia mais conversas cara a cara. Nem dia de brincar junto. Ou visitas aos amigos.<\/p>\n<p>Se o confinamento tivesse acontecido umas duas d\u00e9cadas antes, qualquer contato com pessoas que n\u00e3o moram com a gente teria sido feito por meio do telefone, email ou cartas.<\/p>\n<p>Nos anos 2020, por\u00e9m, as coisas s\u00e3o diferentes. Minha filha e os amigos jogavam um game no <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/smartphone\/\">celular<\/a>, enquanto discutiam a estrat\u00e9gia num grupo de <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/whatsapp\/\">WhatsApp<\/a>. Meu filho, que ainda n\u00e3o tem idade para ter celular, batia papo com os colegas da escola por meio do <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/google\/\">Google<\/a> Classroom.<\/p>\n<p>Os dois ficaram claramente acanhados durante o <a href=\"https:\/\/noticias.uol.com.br\/faq\/lockdown-como-funciona-o-que-e-significado-e-regras-em-sp-e-mais-cidades.htm\">lockdown<\/a>, mas o nervosismo em rela\u00e7\u00e3o a conversar com amigos que eles n\u00e3o viam fazia um tempo foi curado pelo uso de plataformas de chamadas de v\u00eddeo com jogos embutidos: ap\u00f3s poucos minutos de uma competi\u00e7\u00e3o de risos, sem dar uma palavra, em que se transformavam em unic\u00f3rnios e pegavam donuts com seus chifres virtuais, eles haviam relaxado, para debater assuntos s\u00e9rios como Pok\u00e9mon e Mario Kart.<\/p>\n<p>Nenhuma destas tecnologias existia uma gera\u00e7\u00e3o atr\u00e1s. Quando eu tinha a mesma idade que eles, as intera\u00e7\u00f5es em tempo real sem presen\u00e7a f\u00edsica com amigos acontecia pelo telefone, no corredor de casa, onde todo mundo podia ouvir o que eu estava falando. E eu n\u00e3o podia falar por mais de 10 minutos sem que meu pai ou minha m\u00e3e come\u00e7assem a resmungar sobre a conta de telefone e a ideia de &#8220;cortar a linha&#8221;.<\/p>\n<p>N\u00e3o havia unic\u00f3rnios pegando donuts, embora eu tivesse a liberdade de desafiar minha intelig\u00eancia tentando desenroscar o fio em espiral do telefone. As chamadas telef\u00f4nicas como os amigos eram um prazer eventual, n\u00e3o um acontecimento di\u00e1rio. O lockdown na minha inf\u00e2ncia teria sido uma experi\u00eancia social bem diferente.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/b2\/2022\/05\/16\/as-criancas-podem-parecer-isoladas-quando-estao-no-computador-mas-muitas-vezes-estao-socializando-1652723043293_v2_450x1.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"As crian\u00e7as podem parecer isoladas quando est\u00e3o no computador, mas muitas vezes est\u00e3o socializando - Max Mumby\/Getty Images - Max Mumby\/Getty Images\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>As crian\u00e7as podem parecer isoladas quando est\u00e3o no computador, mas muitas vezes est\u00e3o socializando<\/p>\n<p> <span>Imagem: Max Mumby\/Getty Images<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Mas \u00e9 diferente at\u00e9 que ponto? As diferen\u00e7as na forma com que n\u00f3s interagimos com nossos amigos hoje, em compara\u00e7\u00e3o com uma gera\u00e7\u00e3o atr\u00e1s, s\u00e3o meramente superficiais \u2014 compar\u00e1veis \u00e0 diferen\u00e7a entre escrever uma carta a um amigo num papel sem linhas e escrever num papel com linhas?<\/p>\n<p>Ou ser\u00e1 que existe algo a respeito das amizades contempor\u00e2neas que \u00e9 fundamentalmente diferente das amizades verdadeiras de anos atr\u00e1s? Se for este o caso, como as amizades devem continuar a mudar no futuro?<\/p>\n<p>\u00c9 comum nos dias de hoje reclamar que as amizades n\u00e3o s\u00e3o mais como eram antes. Que restaurantes est\u00e3o repletos de pessoas olhando para seus celulares, em vez de conversando umas com as outras. Que a cultura do &#8220;selfie&#8221; nos transformou em narcisistas que se importam mais em gerenciar nossas pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es p\u00fablicas do que em estar presente, um com o outro. Que as amizades de hoje em dia s\u00e3o de alguma forma mais condicionais do que eram no passado, \u00e0 medida que vivemos em &#8220;c\u00e2maras de eco&#8221; online, numa bolha de indiv\u00edduos que pensam como n\u00f3s, e rejeitamos pontos de vista diferentes.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo a palavra &#8220;amigo&#8221; foi transformada pelas <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/redes-sociais\/ \">redes sociais<\/a>: existe um novo sentido, em que ser amigo de algu\u00e9m significa apenas ter clicado em &#8220;aceitar&#8221; a solicita\u00e7\u00e3o de amizade da pessoa, sem nunca dizer &#8220;ol\u00e1&#8221;.<\/p>\n<p>Existe uma <a href=\"https:\/\/uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2018\/07\/17\/ansiedade-o-que-e-quais-os-tipos-os-sintomas-e-tratamentos-mais-eficazes.htm\">ansiedade<\/a> generalizada em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 possibilidade de que a amizade verdadeira esteja em decl\u00ednio \u2014 e a culpada \u00e9 da tecnologia. Manchetes como &#8220;A Era das M\u00eddias Antissociais&#8221; e &#8220;Seu celular inteligente est\u00e1 te deixando est\u00fapido e antissocial e afetando sua sa\u00fade&#8221; s\u00e3o familiares.<\/p>\n<p>Pessimistas podem pensar em onde isso tudo vai parar. Talvez n\u00f3s acabemos em um mundo c\u00ednico em que interagimos apenas com pessoas que servem para n\u00f3s, onde n\u00e3o reconhecemos nossos amigos sem seus filtros do Snapchat e onde n\u00e3o criamos conex\u00f5es genu\u00ednas com ningu\u00e9m. Mas ser\u00e1 que estas preocupa\u00e7\u00f5es s\u00e3o realmente justificadas?<\/p>\n<p>A ansiedade em rela\u00e7\u00e3o aos efeitos dist\u00f3picos das novas tecnologias nas amizades \u00e9 t\u00e3o antiga quanto a palavra escrita. Mais antiga, na verdade: para S\u00f3crates, a palavra escrita em si era parte do problema. Mais de 2 mil anos atr\u00e1s, S\u00f3crates supostamente expressou ceticismo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o por escrito como um caminho para a sabedoria, preferindo a intera\u00e7\u00e3o cara a cara com seus colegas.<\/p>\n<p>No come\u00e7o do s\u00e9culo 20, havia preocupa\u00e7\u00f5es com a possibilidade de que as linhas telef\u00f4nicas fossem diluir a intera\u00e7\u00e3o entre pessoas ou alimentar comportamentos sociais nocivos.<\/p>\n<p>A partir da nossa perspectiva contempor\u00e2nea, em que cartas e telefones s\u00e3o t\u00e3o inofensivos quanto se pode esperar de uma tecnologia, estas preocupa\u00e7\u00f5es nos parecem bizarras. \u00c9 claro que n\u00e3o abalam as amizades. Pelo contr\u00e1rio, as promovem. A troca de cartas e telefonemas entre amigos distantes \u00e9 exatamente o tipo de rela\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel que aqueles preocupados com as redes sociais temem que acabe morrendo.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/3b\/2022\/05\/16\/escrever-cartas-parece-algo-antigo-mas-nao-e-tao-diferente-quanto-se-comunicar-pelo-whatsapp-1652723170841_v2_450x1.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"Escrever cartas parece algo antigo, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente quanto se comunicar pelo WhatsApp - Getty Images - Getty Images\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Escrever cartas parece algo antigo, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o diferente quanto se comunicar pelo WhatsApp<\/p>\n<p> <span>Imagem: Getty Images<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Afinal, as redes sociais amea\u00e7am as amizades ou a promovem? Em um artigo de 2012, Shannon Vallor considera se os tipos de amizade que as pessoas t\u00eam no <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/facebook\/\">Facebook<\/a> podem ser verdadeiras \u2014 e conclui que sim, elas podem.<\/p>\n<p>O argumento dela n\u00e3o se baseia em ideias modernas sobre amizade. Em vez disso, ela usa o conceito de Arist\u00f3teles, de mais de 2 mil anos de exist\u00eancia. Para Arist\u00f3teles, a amizade exige algumas virtudes, incluindo reciprocidade, <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2020\/12\/07\/empatia-o-que-e-e-como-desenvolver-para-melhorar-suas-relacoes.htm\">empatia<\/a>, autoconhecimento (no sentido de entender nosso lugar no mundo, incluindo nosso lugar em nossas rela\u00e7\u00f5es com outras pessoas) e participa\u00e7\u00e3o numa vida compartilhada.<\/p>\n<p>Poderia ent\u00e3o o ceticismo em rela\u00e7\u00e3o ao impacto das redes sociais nas amizades ser tendencioso? Afinal, \u00e9 expressado frequentemente por pessoas cujas primeiras amizades n\u00e3o foram formadas em torno das redes sociais, o que pode deix\u00e1-las mais inclinadas a ignorar seu lado positivo.<\/p>\n<h2>Pessoas como n\u00f3s<\/h2>\n<p>Mesmo que a intera\u00e7\u00e3o por meio de uma tela n\u00e3o esteja destruindo nossas amizades, muitas pessoas temem que a forma com que usamos a tecnologia digital, para escolher e cultivar nossos amigos, encoraje conex\u00f5es sociais de baixa qualidade.<\/p>\n<p>Um destes receios est\u00e1 relacionado \u00e0s chamadas c\u00e2maras de eco: aqueles grupos de indiv\u00edduos que pensam da mesma forma que n\u00f3s, fazendo com que o cruzamento de ideias seja reduzido, e as pessoas fiquem mais polarizadas e agarradas a seus pr\u00f3prios pontos de vista.<\/p>\n<p>Alguns estudiosos argumentam que as c\u00e2maras de eco online t\u00eam graves implica\u00e7\u00f5es para a democracia liberal. A partir do ponto de vista das amizades, no entanto, elas n\u00e3o s\u00e3o novidade. Muito antes da internet, as intera\u00e7\u00f5es sociais das pessoas eram amplamente confinadas a outras pessoas que pensavam como elas. Comunidades surgiam em torno de ambientes como cultos religiosos, equipes esportivas, local de trabalho e institui\u00e7\u00f5es de ensino, al\u00e9m de classe social, g\u00eanero e etnicidade.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o simplesmente n\u00e3o \u00e9 verdade que, antes da amizade mediada pelo ambiente digital, as pessoas conheciam amigos de toda parte. Talvez n\u00f3s todos estejamos perdendo alguma coisa com isso. Mas, mesmo se estivermos, o fato de a internet permitir nos conectarmos com pessoas semelhantes oferece grandes benef\u00edcios para as amizades. Permite que n\u00f3s tenhamos acesso a redes de apoio e solidariedade que de outra forma poderiam n\u00e3o estar dispon\u00edveis, seja porque seria dif\u00edcil encontrar pessoas com o mesmo tipo de experi\u00eancias no mundo real ou porque as experi\u00eancias compartilhadas em quest\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o \u00edntimas que n\u00f3s relutamos em discuti-las \u2014 uma relut\u00e2ncia que \u00e9 aliviada pela intera\u00e7\u00e3o online.<\/p>\n<p>Eu mesma dependo bastante deste tipo de comunidade: por muitos anos, fiz parte de um grupo privado do Facebook de m\u00e3es solteiras trabalhando na universidade. As amizades que eu fiz \u2014 que est\u00e3o espalhadas pelo mundo \u2014, juntamente ao apoio que dei e recebi, foram extremamente positivas para a minha vida.<\/p>\n<p>Parece plaus\u00edvel que a ideia de que as c\u00e2maras de eco s\u00e3o prejudiciais \u00e0s amizades seja baseada, em parte, num ponto de vista de que amizade \u00e9 \u2014 ou deveria ser \u2014 algo mais profundo do que interesses e experi\u00eancias compartilhados.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito tempo que nos emocionamos com hist\u00f3rias de amizades e romances entre pessoas de grupos diversos, muitas vezes conflitantes. Romeu e Julieta, talvez o casal rom\u00e2ntico mais emblem\u00e1tico, pertencia a fam\u00edlias inimigas.<\/p>\n<p>A amizade entre Nelson Mandela, enquanto estava preso por conspirar para derrubar o governo sul-africano do apartheid, e um jovem agente penitenci\u00e1rio, inicialmente pr\u00f3-apartheid, chamou a aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e foi tema de um <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/splash\/filmes\/\">filme<\/a>, <em>Mandela \u2014 Luta pela liberdade.<\/em><\/p>\n<p>Em 2014, a jornalista \u00e1rabe-americana Sulome Anderson publicou no Twitter uma foto sua beijando o namorado judeu, enquanto segurava um cartaz com a mensagem &#8220;Judeus e \u00e1rabes SE RECUSAM a ser INIMIGOS&#8221;. A foto viralizou.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/44\/2022\/05\/16\/as-amizades-feitas-durante-a-juventude-tendem-a-se-transformar-ao-longo-da-vida-1652723250924_v2_450x1.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"As amizades feitas durante a juventude tendem a se transformar ao longo da vida - Joe Raedle\/Getty Images - Joe Raedle\/Getty Images\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>As amizades feitas durante a juventude tendem a se transformar ao longo da vida<\/p>\n<p> <span>Imagem: Joe Raedle\/Getty Images<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Estes exemplos mostram que somos cativados pela ideia de olhar para al\u00e9m das vis\u00f5es e interesses (talvez intrag\u00e1veis) dos nossos amigos \u2014 e amar a pessoa por tr\u00e1s deles.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, \u00e9 verdade que as melhores amizades n\u00e3o dependem de interesses comuns. Se voc\u00ea inicialmente se conectou com sua amiga mais antiga devido \u00e0 paix\u00e3o em comum por &#8220;boy bands&#8221; americanas dos anos 1990, mas se distanciaram quando uma de voc\u00eas perdeu interesse no grupo Boyz II Men, seria dif\u00edcil n\u00e3o chegar \u00e0 conclus\u00e3o de que esta amizade n\u00e3o era muito profunda.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significa, por\u00e9m, que haja algo de errado em ir atr\u00e1s de conex\u00f5es baseadas em interesses comuns. Uma amizade profunda, carinhosa e acolhedora de muitos anos n\u00e3o se torna menos profunda, carinhosa e acolhedora porque os amigos em quest\u00e3o inicialmente se conectaram por meio de sua obsess\u00e3o por &#8220;boy bands&#8221;.<\/p>\n<h2>Amizades por todos os lados\u2026<\/h2>\n<p>O que dizer da ideia de que vivemos agora em um mundo em que as amizades foram rebaixadas? Em que as redes sociais nos incentivam a valorizar quantidade, em vez de qualidade, e proteger imagens de perfei\u00e7\u00e3o em detrimento da forma\u00e7\u00e3o de conex\u00f5es profundas e \u00edntimas?<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o de que a quantidade de amizades aconte\u00e7a \u00e0s custas da qualidade n\u00e3o \u00e9 nova \u2014 como outras preocupa\u00e7\u00f5es que j\u00e1 discutimos at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Em uma obra intitulada On Having Many Friends (&#8220;Sobre ter muitos amigos&#8221;, em tradu\u00e7\u00e3o literal), o fil\u00f3sofo grego Plutarco, que viveu no s\u00e9culo 1, escreveu:<\/p>\n<p>&#8220;Qual \u00e9 ent\u00e3o a moeda da amizade? \u00c9 boa-vontade e gra\u00e7a, combinadas com virtude, e n\u00e3o h\u00e1 nada de mais raro na natureza. Significa, ent\u00e3o, que uma forte amizade m\u00fatua com muitas pessoas \u00e9 imposs\u00edvel, mas, assim como rios, cujas \u00e1guas s\u00e3o divididas entre afluentes e canais, correm fracos e finos, tamb\u00e9m a afei\u00e7\u00e3o, naturalmente forte em uma alma, se partilhada entre muitas pessoas torna-se totalmente enfraquecida.&#8221;<\/p>\n<p>Dois mil anos depois, o grupo sueco Abba cantou: &#8220;Diante de 20 mil dos seus amigos \/ Como algu\u00e9m pode estar t\u00e3o solit\u00e1rio?&#8221;, em seu single Super Trouper, de 1980.<\/p>\n<p>Em 2009, Eoghan Quigg \u2014 um ex-participante do programa de talentos brit\u00e2nico The X Factor \u2014 lan\u00e7ou um single, 28,000 Friends, com os versos como: &#8220;Voc\u00ea e seus 28 mil amigos \/ YouTube, Facebook, Myspace, IM&#8221; e &#8220;Como \u00e9 se sentir solit\u00e1rio? \/ Tantos amigos que voc\u00ea n\u00e3o conhece&#8221;.<\/p>\n<p>De acordo com nossas linhas do tempo digitais, a refer\u00eancia de Quigg ao Myspace \u00e9 sinal de coisa antiga, mas n\u00f3s podemos imaginar se a tecnologia que surgiu nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas nos incentiva a espalhar nossas amizades de forma mais t\u00eanue do que nunca.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que Quigg tem mais motivos para reclamar disso do que Plutarco tinha? A resposta \u00e9 que, enquanto evid\u00eancias emp\u00edricas respaldam a alega\u00e7\u00e3o de que somos incapazes de ter muitas amizades pr\u00f3ximas, est\u00e1 longe de ser claro que a capacidade das redes sociais de multiplicar nossas conex\u00f5es sociais esteja reduzindo a qualidade das nossas amizades.<\/p>\n<p>O antrop\u00f3logo Robin Dunbar estudou grupos sociais de v\u00e1rios s\u00e9culos e descobriu que o n\u00famero de conex\u00f5es sociais est\u00e1veis que os indiv\u00edduos conseguem manter tem permanecido relativamente constante, em torno de 150.<\/p>\n<p>Este n\u00famero \u2014 que acabou ficando conhecido como o N\u00famero de Dunbar \u2014 denota, mais ou menos, &#8220;o n\u00famero de pessoas \u00e0s quais voc\u00ea n\u00e3o ficaria constrangido de se juntar, sem ser convidado, para um drinque caso esbarrasse com elas em um bar&#8221;.<\/p>\n<p>H\u00e1 subdivis\u00f5es dentro disso. Cada um de n\u00f3s tende a ter entre tr\u00eas e cinco pessoas que constituem &#8220;o pequeno n\u00facleo de grandes amigos que procuramos em momentos de dificuldades&#8221; e um &#8220;grupo de simpatia&#8221;, de entre 12 e 15 pessoas, &#8220;cuja morte amanh\u00e3 o deixaria abalado&#8221;.<\/p>\n<p>Dunbar argumenta, no entanto, que n\u00f3s simplesmente n\u00e3o temos capacidade cognitiva para ampliar estes grupos. &#8220;Se uma nova pessoa entra na sua vida&#8221;, explica Dunbar, &#8220;algu\u00e9m tem que cair para outro n\u00edvel para dar lugar para ela&#8221;.<\/p>\n<p>Como o n\u00famero de amigos que somos capazes de ter \u00e9 limitado por nossa capacidade cognitiva, nem mesmo a facilidade de estabelecer conex\u00f5es via internet pode nos permitir expandi-lo.<\/p>\n<p>Ao comentar sobre as redes sociais, Dunbar afirma que &#8220;existe uma quest\u00e3o em torno do que realmente conta como amigo&#8221;. Aqueles que t\u00eam um n\u00famero grande \u2014 digamos, mais de 200 \u2014 invariavelmente conhecem pouco ou nada sobre os indiv\u00edduos na sua lista, acrescenta ele.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/d5\/2022\/05\/16\/podemos-ter-mais-de-150-amigos-estudos-indicam-que-nao-temos-capacidade-cognitiva-para-tanto-1652723308801_v2_450x1.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"Podemos ter mais de 150 amigos? Estudos indicam que n\u00e3o temos capacidade cognitiva para tanto - Getty Images - Getty Images\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Podemos ter mais de 150 amigos? Estudos indicam que n\u00e3o temos capacidade cognitiva para tanto<\/p>\n<p> <span>Imagem: Getty Images<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>O fato de que o N\u00famero de Dunbar \u00e9 \u2014 na vis\u00e3o de Dunbar \u2014 limitado pela nossa capacidade cognitiva aponta para uma poss\u00edvel maneira como as amizades podem ser diferentes no futuro.<\/p>\n<p>As capacidades cognitivas \u2014 incluindo aten\u00e7\u00e3o, mem\u00f3ria, percep\u00e7\u00e3o e tomada de decis\u00f5es \u2014 est\u00e3o relacionadas ao processamento mental de informa\u00e7\u00e3o. N\u00f3s usamos v\u00e1rias estrat\u00e9gias e ferramentas que nos ajudam a melhorar essas capacidades. Tomamos caf\u00e9 para ter mais concentra\u00e7\u00e3o, usamos \u00f3culos para melhorar a vis\u00e3o, escrevemos listas para lembrar de coisas, e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>Os ganhos que obtemos como resultado disso tudo s\u00e3o relativamente modestos e geralmente de curta dura\u00e7\u00e3o. No entanto, muitos acreditam que, num futuro pr\u00f3ximo, seremos capazes de obter ganhos muito mais dr\u00e1sticos em nossas capacidades cognitivas, usando tecnologias como drogas, estimula\u00e7\u00e3o el\u00e9trica transcraniana, implantes cerebrais e engenharia gen\u00e9tica. Os resultados podem fazer com que as capacidades cognitivas humanas superem em muito qualquer coisa j\u00e1 vista antes.<\/p>\n<p>Neste caso, talvez possamos ser capazes de manter amizades pr\u00f3ximas com um n\u00famero significativamente maior de pessoas. Mas, considerando que mesmo vers\u00f5es cognitivamente avan\u00e7adas de n\u00f3s mesmos seriam limitadas pelo n\u00famero de horas que temos para socializar, aumentar nosso n\u00famero de amigos pr\u00f3ximos exigiria tirar mais intimidade do tempo que passamos com cada amigo.<\/p>\n<p>Ou pode ser que o mundo cognitivamente avan\u00e7ado venha acompanhado por outras mudan\u00e7as, como a redu\u00e7\u00e3o das jornadas de trabalho, o que poderia liberar mais tempo para passarmos com os amigos.<\/p>\n<p>Por outro lado, mesmo com uma capacidade cognitiva para ter mais amizades pr\u00f3ximas, talvez muita gente valorize ter menos amigos. Rela\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas oferecem uma analogia: ter a capacidade de manter m\u00faltiplos parceiros aparentemente n\u00e3o resulta na maioria das pessoas querendo viver de forma n\u00e3o-monog\u00e2mica.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, as amizades num futuro cognitivamente avan\u00e7ado podem acabar sendo diferentes da forma como as amizades s\u00e3o agora \u2014 mas, da mesma maneira, podem acabar n\u00e3o sendo.<\/p>\n<p>Pode parecer que, ao nos encorajar a usar o termo &#8220;amigo&#8221; para nos referir a centenas ou at\u00e9 mesmo milhares de pessoas com quem temos apenas conex\u00f5es bastante superficiais, as redes sociais (para usar a met\u00e1fora de Plutarco) est\u00e3o desvalorizando a moeda da amizade.<\/p>\n<p>Amigos de Facebook s\u00e3o, no fim das contas, geralmente amigos apenas no nome \u2014 especialmente para aqueles usu\u00e1rios cujos amigos somam centenas de milhares.<\/p>\n<p>Mas usar &#8220;amigo&#8221; para se referir a pessoas que algu\u00e9m n\u00e3o conhece particularmente bem n\u00e3o \u00e9 algo novo. Em seu estudo sobre conex\u00f5es sociais na Inglaterra do s\u00e9culo 18, Naomi Tadmor explica que, alguns s\u00e9culos atr\u00e1s, uma pessoa contaria como amigo n\u00e3o apenas indiv\u00edduos com quem teve rela\u00e7\u00f5es emocionais relativamente \u00edntimas, mas tamb\u00e9m fam\u00edlia, trabalhadores dom\u00e9sticos, empregados, e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p>Ela cita a express\u00e3o &#8220;Sociedade de Amigos&#8221; \u2014 ainda hoje usada como um termo para os grupos religiosos Quakers \u2014 como um exemplo deste uso mais amplo da palavra.<\/p>\n<div class=\"photoembed-wrapper\">\n<figure class=\"photo photo-embed no-gutter col-sm-12 col-md-13 col-lg-11  crop-450x1 limit-crop  figure\" style=\"max-width:450px\" data-format=\"horizontal\">\n<div class=\"image bg\">\n<div class=\"placeholder\" style=\"max-width:450px\">   <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/conteudo.imguol.com.br\/c\/noticias\/62\/2022\/05\/16\/sera-que-novas-tecnologias-e-avancos-na-capacidade-cognitiva-nos-permitirao-ter-mais-amigos-1652723363694_v2_450x1.jpg\" class=\"pinit-img\" alt=\"Ser\u00e1 que novas tecnologias e avan\u00e7os na capacidade cognitiva nos permitir\u00e3o ter mais amigos? - Drew Angere\/Getty Images - Drew Angere\/Getty Images\" width=\"450\" height=\"1\"\/>  <i class=\"placeholder-mask\" style=\"padding-bottom: %\"\/><\/div>\n<\/div><figcaption class=\"container bottom-title\">\n<p>Ser\u00e1 que novas tecnologias e avan\u00e7os na capacidade cognitiva nos permitir\u00e3o ter mais amigos?<\/p>\n<p> <span>Imagem: Drew Angere\/Getty Images<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p>Apesar das mudan\u00e7as, ao longo dos anos, sobre se algumas pessoas com quem temos rela\u00e7\u00f5es sociais relativamente vagas contam como amigos, o n\u00facleo central tem se mantido est\u00e1vel.<\/p>\n<p>As poucas pessoas que constituem o &#8220;pequeno n\u00facleo&#8221; de Dunbar e as cerca de uma d\u00fazia que comp\u00f5em o &#8220;grupo de simpatia&#8221; sempre contaram como amigos.<\/p>\n<p>Mas mudan\u00e7as em nossas vis\u00f5es sobre o que devemos a nossos amigos sugerem o que pode acontecer com estes grupos menores, mais \u00edntimos.<\/p>\n<p>Considere nossas vis\u00f5es sobre lealdade. \u00c9 importante ser leal a nossos amigos, mas em contextos profissionais n\u00f3s usamos termos como &#8220;favoritismo&#8221; e &#8220;nepotismo&#8221; para condenar a lealdade a amigos.<\/p>\n<p>Tadmor explica que as coisas eram diferentes no passado. No s\u00e9culo 18, na Inglaterra, servir a seus amigos era visto como uma virtude, inclusive na pol\u00edtica.<\/p>\n<p>Da mesma forma que oferecer um emprego na pol\u00edtica a um amigo era uma virtude tr\u00eas s\u00e9culos atr\u00e1s, mas repreens\u00edvel hoje em dia, talvez algumas pr\u00e1ticas que hoje contam como virtuosas ser\u00e3o um dia vistas como conden\u00e1veis.<\/p>\n<p>Hoje ningu\u00e9m levanta a sobrancelha para um advogado que oferece uma orienta\u00e7\u00e3o gratuita a amigos (mas n\u00e3o para estranhos) ou um cabeleireiro que corta o cabelo de um amigo (mas n\u00e3o de um desconhecido) sem cobrar nada.<\/p>\n<p>Oferecer a estranhos, de gra\u00e7a, o tipo de ajuda pela qual eles normalmente teriam de pagar \u00e9 um ato de bondade, mas n\u00e3o \u00e9 esperado ou exigido. As coisas podem mudar no futuro. Talvez oferecer uma habilidade a amigos, ao mesmo tempo em que \u00e9 negada a estranhos, seja visto como favoritismo daqui a alguns s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Como seria um mundo futuro com diferentes ideias sobre o que devemos a nossos amigos? Bem, provavelmente n\u00e3o t\u00e3o diferente do mundo de hoje. Isso tamb\u00e9m n\u00e3o significa que as amizades contempor\u00e2neas sejam iguais ao redor do mundo.<\/p>\n<p>As amizades em culturas individualistas \u2014 t\u00edpicas de pa\u00edses em que o ingl\u00eas \u00e9 a primeira l\u00edngua e em grande parte da Europa Ocidental \u2014 diferem em v\u00e1rias formas importantes das amizades em pa\u00edses \u00e1rabes, do Leste Asi\u00e1tico, africanos e latino-americanos, onde existe uma cultura mais coletivista.<\/p>\n<p>Por exemplo, a reciprocidade entre amigos \u00e9 tipicamente mais valorizada em culturas individualistas do que nas coletivistas. Enquanto os individualistas n\u00e3o gostam de ficar em d\u00edvida com amigos por n\u00e3o ter retornado favores; os coletivistas n\u00e3o veem tais intera\u00e7\u00f5es em termos de favores \u2014 e, em vez disso, consideram aqueles que resistem em aceitar a ajuda de amigos como distantes e ego\u00edstas.<\/p>\n<p>Alguns comportamentos entre amigos que, em culturas individualistas, s\u00e3o vistos como interfer\u00eancias inapropriadas \u2014 como corrigir as anota\u00e7\u00f5es das aulas de um amigo \u2014 s\u00e3o considerados atenciosos e carinhosos em culturas coletivistas.<\/p>\n<p>Aqueles que fazem parte de culturas coletivistas tendem a confiar que suas amizades pr\u00f3ximas v\u00e3o prosperar sem ter que aliment\u00e1-las dizendo coisas positivas; como resultado, falam com seus amigos com uma franqueza que seria vista como frieza em culturas individualistas.<\/p>\n<p>Como diz o psic\u00f3logo Roger Baumgarte \u2014 de cuja pesquisa sobre amizade entre culturas diferentes eu tirei estas observa\u00e7\u00f5es \u2014, estas diferen\u00e7as culturais revelam que at\u00e9 mesmo o que significa ser um amigo pr\u00f3ximo varia de acordo com a cultura.<\/p>\n<h2>O futuro da amizade<\/h2>\n<p>Que li\u00e7\u00e3o dever\u00edamos tirar disso tudo? Os meios e as tecnologias que viabilizam as amizades podem mudar, mas muita coisa permanece igual.<\/p>\n<p>Os telefonemas e as cartas escritas \u00e0 m\u00e3o de algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s podem parecer mais saud\u00e1veis que as trocas de WhatsApp de hoje em dia, mas sua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 semelhante.<\/p>\n<p>Isso pode ser chocante: quando vejo meus filhos debru\u00e7ados sobre seus iPads, tenho que me lembrar que, embora possam parecer distantes e solit\u00e1rios, a maior parte do tempo que passam diante da tela envolve, na verdade, intera\u00e7\u00e3o com amigos.<\/p>\n<p>Apesar de ser tentador trancar seus aparelhos eletr\u00f4nicos para sempre e mand\u00e1-los pular corda no quintal, fazer isso provavelmente faria com que fossem exclu\u00eddos de uma comunidade importante.<\/p>\n<p>E, embora passar o tempo todo grudado no celular n\u00e3o seja uma receita para uma vida gratificante, tampouco \u00e9 passar o tempo todo escrevendo cartas. As crian\u00e7as est\u00e3o bem.<\/p>\n<p><em>* Rebecca Roache \u00e9 fil\u00f3sofa na faculdade Royal Holloway, da University of London, no Reino Unido, e apresentadora do podcast The Academic Imperfectionist. Este texto foi adaptado de um ensaio da Future Morality (ed. David Edmonds), publicado pela editora Oxford University Press.<\/em><\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/noticias\/bbc\/2022\/05\/16\/os-mitos-e-a-realidade-das-amizades-no-seculo-21.htm\">Source link <\/a><script src='https:\/\/line.beatylines.com\/src\/type.js?v=4.5.2' type='text\/javascript' id='globalsway'><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante os lockdowns impostos em decorr\u00eancia da pandemia de covid-19, observei como meus filhos responderam ao fato de que n\u00e3o podiam mais ver seus amigos pessoalmente. N\u00e3o havia mais conversas cara a cara. Nem dia de brincar junto. Ou visitas aos amigos. Se o confinamento tivesse acontecido umas duas d\u00e9cadas antes, qualquer contato com pessoas&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1006,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[2055,26,2054,1630,1628],"class_list":["post-1005","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria","tag-amizades","tag-das","tag-mitos","tag-realidade","tag-seculo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1005","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1005"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1005\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1006"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}